No mês de alerta para prevenção do câncer de próstata, o Novembro Azul, pacientes com câncer de próstata metastático (quando o tumor se espalha para outros órgãos) vão poder contar com um novo tratamento: o medicamento darolutamida, que recebeu nova indicação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
No Estado, somente no ano passado, 335 homens morreram da doença segundos dados da Secretaria de Saúde (Sesa). Em 2020, foram 341 mortes. Na média dos últimos dois anos, 28 homens morreram por dia da doença.
O novo parecer da Anvisa é focado em atender a necessidade de pacientes de câncer de próstata metastático hormônio-sensível (fase específica da doença).
O oncologista Fernando Zamprogno explicou que a nova indicação traz uma combinação de três tratamentos, associando quimioterapia com bloqueio de hormônios e o darolutamida.
“Essa combinação possibilita mudar a expectativa de tempo de vida de pacientes com esse tipo de câncer. O estudo mostra que com essa combinação é possível que o câncer regrida mais, em uma população maior”.
Segundo o oncologista clínico Loureno Cezana, a combinação faz um bloqueio hormonal. “Ela inibe a ação da testosterona, que estimula a célula do câncer a crescer”.
De acordo com o urologista Rubens Park, líder da área médica oncológica da Bayer, a função da darolutamida é fazer um bloqueio da célula cancerígena.
“Para essa fase desse tipo de câncer de próstata, podemos dizer que o tratamento combinado é uma das propostas mais intensificadas. Em paralelo com outras doenças oncológicas, hoje vemos os benefícios de combinar vários modos de ação, principalmente, nos cânceres avançados. Nessas doenças, onde não achamos a cura, esses tratamentos têm se mostrado mais eficazes”.
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O uro-oncologista Gustavo Ruschi destacou que há um perfil de pacientes que se beneficiariam mais da terapia tripla, como os mais jovens, que apresentem doenças metastáticas de grande volume já no momento do diagnóstico.
“A terapia tripla é mais um arsenal que temos. Mas precisamos considerar o perfil do paciente e as comorbidades que ele possui para escolhermos a melhor medicação”.
Nada substitui o diagnóstico precoce, dizem especialistas
No ano passado 859 homens receberam o diagnóstico de câncer de próstata. Este ano, até outubro, 465 tiveram confirmação da doença e 219 morreram, segundo informações da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).
Por mais que os tratamentos para doença estejam avançados, médicos afirmam que o diagnóstico precoce é que faz diferença.
“Nenhum tratamento substitui o diagnóstico precoce da doença, por isso queremos que os homens procurem seu médico de confiança”, afirma o oncologista clínico Loureno Cezana.
“O câncer de próstata é uma doença altamente prevalente, com quase 70 mil casos por ano no Brasil. A maioria dos pacientes, quando diagnostica precocemente a doença, vai ficar curada, com o tratamento cirúrgico ou com radioterapia”, pontuou o oncologista.
Na fase inicial, o câncer de próstata não apresenta sintomas e quando alguns sinais começam a aparecer, cerca de 95% dos tumores já estão em fase avançada, dificultando a cura.
Um dos problemas para chegar ao diagnóstico precoce, segundo os médicos, é o fator vergonha, já que muitos homens ainda são resistentes em relação ao toque retal.
“Não estamos mais no tempo de ter vergonha ou medo. Fazer o toque retal não diminui a masculinidade de ninguém. Esse é um tabu que precisa ser quebrado”, destaca o oncologista Fernando Zamprogno.
“Existe um grupo de câncer de próstata que é muito agressivo e o PSA (Antígeno Prostático Específico) estará normal. Só o médico, através do toque, conseguirá ver. Por isso, não podemos deixar de recomendar o toque retal”, alertou.
O oncologista destacou ainda que o exame de PSA é muito influenciado pela qualidade do laboratório, além de ser preciso seguir uma rotina antes do exame. “O homem não pode andar de bicicleta, não pode ter relação sexual, não pode se masturbar, pelo menos de três a cinco dias antes, para não influenciar no resultado”.
Saiba mais
Aprovação
– A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma nova indicação de darolutamida para o tratamento de pacientes com câncer de próstata.
– A darolutamida já era utilizada nos casos de câncer de próstata não-metastático resistente à castração, mas o novo parecer da Agência, publicado no Diário Oficial da União da última segunda-feira, é focado em atender a necessidade de pacientes com câncer de próstata metastático hormônio-sensível (CPHSm).
Estudos
– Estudo Arasens demonstrou risco de morte 32,5% menor no tratamento com darolutamida em associação à docetaxel (quimioterapia) e terapia de privação androgênica (bloqueio de hormônios).
– A pesquisa contou com 1.306 pacientes com a doença metastática hormônio-sensível, sendo que 86,1% destes estavam com metástase no diagnóstico inicial.
Como age
– A nova indicação traz uma combinação de três tratamentos distintos para melhorar a eficácia do tratamento.
– A chamada terapia de privação androgênica busca reduzir o nível dos hormônios masculinos (andrógenos como a testosterona), responsáveis por estimular as células do câncer de próstata a crescerem e o docetaxel é um quimioterápico de eficácia comprovada no câncer de próstata metastático.
– A darolutamida é associada a esses dois tratamentos e bloqueia de maneira mais profunda a ação dos andrógenos sem adicionar toxicidade relevante.
Fonte: Bayer.