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Escondida debaixo de uma mesa, junto com outras colegas de trabalho, a professora de Química da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Primo Bitti, Bárbara Arrigoni, de 37 anos, se viu na mira do atirador e foi atingida por dois tiros.
Depois do sufoco de se ver diante de um terror vivido nos ataques ocorridos na última sexta-feira em Coqueiral de Aracruz, em Aracruz, ela clamou por socorro e dois heróis, como ela os descreve, apareceram no cenário: os soldados da Polícia Militar Jader César de Oliveira e Rhannan Gomes Gomes.
Já em casa, depois de receber alta hospitalar, foi a hora de abraços de gratidão e até de ganhar um buquê de flores em um encontro emocionante entre a professora e os policiais que, de viatura, no dia do crime, a levaram até o hospital em Aracruz.
“Eu tenho oito anos de serviço e o Rhannan Gomes tem nove. Sem dúvida alguma essa ocorrência foi a mais trágica e comovente da minha vida. Diante de toda a tristeza que ainda existe dentro das nossas memórias, hoje (ontem) fiquei mais aliviado por reencontrar a Bárbara viva e com a sua família”, contou o soldado J. César, seu nome de guerra.
A Tribuna – Qual a sensação de poder abraçar os policiais que ouviram o seu pedido de socorro no dia dos ataques?
Professora Bárbara Arrigoni – De muita emoção, de gratidão. Eu clamava por socorro e eles vieram. Eu estava esperando a minha vez de ser levada de ambulância, já que a prioridade era para os casos mais graves. Eu tinha levado dois tiros no braço e sabia da gravidade das outras pessoas.
Como foi atingida pelos tiros?
Eu estava debaixo da mesa da sala dos professores. Ele abaixou e atirou.
A ficha já caiu?
Já caiu. A ficha caiu no momento que eu vi todo mundo no chão baleado, em estado grave, outros não davam sinais de vida.
Mesmo com medo de que ele voltasse, eu gritava e chamava os colegas pelos nomes, perguntando como estavam.
Ainda debaixo da mesa, escondida, eu liguei para o meu marido e falei do ataque. Disse que eu estava bem, mas que tinha muitas pessoas feridas. Ele foi atrás de socorro.
Eu fui a primeira a sair da escola, mas antes eu cheguei a virar o rosto de alguns colegas que estavam no sangue, para que pudessem respirar. Foi um filme de terror.
Primeiro, eu fui para a casa de uma vizinha e depois fiquei em frente à escola e clamava por socorro até que vi dois policiais que me levaram de viatura para o hospital. Aguardei entre 40 minutos a uma hora. Sabia que a prioridade eram os mais graves, mas ao mesmo tempo eu tinha medo de uma hemorragia. Eu fui atingida por dois disparos, mas achava que eram quatro, pois eu via quatro perfurações.
Como foi o trajeto?
Eles conversavam comigo, perguntavam o meu nome, o que tinha acontecido, mas ao mesmo tempo eles comunicavam via rádio falando sobre o ocorrido e ajudavam na mobilização de outras viaturas.
A senhora disse que foi para a casa de uma vizinha. Foi lá que, ensaguentada, deitou no colo de uma aluna? Ela tentava te acalmar?
Essa menina é uma aluna muito querida. Na verdade, eu dava todas as orientações a ela, pedia para ficar comigo, para me dar água e me segurar caso eu desmaiasse.
Acredita que escapou por um milagre?
Sim, um milagre de Deus. Agora eu tenho duas datas de aniversário: 1º de junho, e 25 de novembro.
Depoimento
“Agradecer a Deus”
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“Apesar da tristeza e crueldade da ocorrência, recebemos com bastante felicidade a notícia de que uma das vítimas socorridas, a professora Bárbara Arrigoni, estava bem e em casa. Tenho que agradecer a Deus por ter ouvido o clamor da Bárbara e ter me conduzido para socorrê-la.” – Jader César de Oliveira, soldado da Polícia Militar.
Três vítimas continuam internadas em estado grave
Dos sobreviventes dos ataques em Aracruz, quatro vítimas ainda continuam internadas. Dessas, três em estado grave.
A Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) atualizou as informações sobre as vítimas atendidas pelo serviço Samu 192.
Internadas no Hospital Estadual Dr. Jayme dos Santos Neves, na Serra, duas pacientes de 51 e 37 anos seguem em UTI em grave estado geral. A paciente mais nova está entubada.
No Hospital Estadual Nossa Senhora da Glória “Infantil de Vitória”, uma criança do sexo masculino, de 11 anos, está estável, em unidade semi-intensiva.
No mesmo hospital, uma adolescente de 14 anos segue em UTI entubada, em grave estado geral.
Já o estado de saúde de uma mulher, de 58 anos, internada no Hospital Estadual de Urgência e Emergência “São Lucas” (HEUE), em Vitória, é estável.