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De olho, principalmente, em aparelhos celulares, criminosos têm preferido as segundas-feiras à noite para roubar ou furtar pessoas nas ruas.
Segundo dados do Painel de Crimes Contra o Patrimônio, da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), das 1.562 ocorrências de furtos e roubos à pessoa em via pública em outubro, 269 foram no primeiro dia útil da semana.
Em seguida, a maior parte dos registros aconteceu aos sábados: 265 ocorrências em outubro. E, na maioria dos casos, as abordagens ocorrem entre 18h e 20h.
Já no ranking dos objetos mais furtados ou roubados, lideram os aparelhos de telefone celular, com uma média de 61 por dia.
Os dados apontam ainda que o município da Serra foi o que teve o maior número de registros, sendo Jardim Limoeiro, Parque Residencial Laranjeiras e Valparaíso os bairros em que mais ocorrem esse tipo de registro.
O comandante da 2ª Companhia do 6º Batalhão, capitão Aluizio Antônio Feletti, destacou que os dias e horários de atuação de criminosos migram de acordo com a atuação das forças de segurança.
Segundo ele, no caso de Laranjeiras, na Serra, onde fica situada a 2ª Companhia, o número de ocorrências é reflexo do maior fluxo de pessoas e do fluxo financeiro.
“Assim como em Jardim Limoeiro, Laranjeiras também acaba sendo uma região com muitos bancos, comércio e serviços. Como furto e roubo são crimes de oportunidades, criminosos também aproveitam para agir”.
Quanto ao dia de segunda-feira, ele explica que faz parte da migração da atuação. “Já tivemos momentos em que sextas-feiras eram os dias com mais ocorrências”.
Ele destacou os esforços para realização de abordagens e operações da PM nos horários e locais com mais crimes, além de parcerias com as comunidades, para reduzir as oportunidades.
O delegado-chefe da Delegacia Regional de Vitória, Fabrício Dutra, frisou que entre os motivos para o maior número de ocorrências na segunda-feira está a maior circulação para trabalho, faculdade e outras atividades, como bancárias.
“Já aos sábados as pessoas saem às ruas para se divertir e fazer compras, ou seja, há uma maior circulação para lazer”.
Mais cuidado
Ao buscar o irmão na escola a pé no início da noite, um estudante de 18 anos foi surpreendido por um criminoso, que pediu que “passasse” o celular.
“Eu estava passando por uma rua vazia. Ainda cheguei a ver o homem, mas ele estava com uma mochila de entrega de lanches, então achei que estava trabalhando”.
Segundo o jovem, ao ser abordado, não pensou em reagir, pois estava com o irmão. “Fiquei com raiva depois, mas hoje procuro tomar mais cuidado e andar com o telefone próximo ao corpo. Também não uso quanto estou andando na rua”.
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Outubro teve menos casos
Pelo segundo mês consecutivo, o número de ocorrências de furto e roubo a pessoas em vias públicas caiu, atingindo o menor patamar do ano em outubro, com 1.562 casos.
O número é o menor também se comparado aos meses de outubro dos últimos 5 anos, sendo quase metade dos registros de 2018, quando o Estado teve 3.114 crimes do mesmo tipo em outubro.
O delegado-chefe da Delegacia Regional de Vitória, Fabrício Dutra, explicou que entre os motivos para a redução desses crimes estão as operações temáticas, que têm sido realizadas.
Entre elas, a operação Sinal, com o objetivo de combater a receptação de aparelhos celulares.
“Somente na última fase da operação, tivemos mais de 300 aparelhos recuperados. E a operação continua. Estamos com foco de responsabilizar não apenas o ladrão de celular, mas também o receptador e toda cadeia do crime. Quem compra um celular que vale R$ 5 mil ou R$ 6 mil, por valores muito baixos, sem nota fiscal, também precisa ser responsabilizado”, enfatizou.
Dutra frisou que as operações foram iniciadas em julho depois de verificar um aumento desse tipo de crime após os períodos mais críticos da pandemia de covid-19.
“Agora, vamos passar a ter o foco também para outros tipos de furtos e roubos, como bicicletas”.
“Celular é fácil moeda de troca”, David Metzker, advogado criminalista e coord. estadual do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais
“Não há dúvidas de que os maiores problemas na segurança pública são os furtos e roubos. Talvez, em uma escala, perca somente para o tráfico.
E são grandes os desafios para trazer soluções. A meu sentir, um ponto principal é o investimento na infraestrutura da segurança pública.
Outro ponto que merece destaque é a vigilância, que com certeza está atrelada à infraestrutura, relacionada a recursos humanos, câmeras de videomonitoramento, entre outros.
Um tratamento adequado aos usuários de entorpecentes também refletirá em diminuição de furtos e roubos.
Quanto ao celular ser hoje o objeto mais visado nos crimes patrimoniais, além do fato de ser uma fácil moeda de troca, há também as diversas informações contidas dentro dele, sobretudo relacionadas a valores, como aplicativos de bancos.
Necessário um cuidado maior, pois uma subtração de celular hoje não significa apenas a perda desse objeto, o prejuízo pode ser incalculável. É importante que as pessoas estejam preparadas para caso ocorra a subtração, evitar prejuízo maior.