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TERROR EM ESCOLAS

Emoção, revolta e tristeza em velórios na cidade de Aracruz

As cerimônias fúnebres foram marcadas por muita emoção dos amigos, professores que trabalhavam e também pelos familiares

Emoção, revolta e tristeza em velórios na cidade de Aracruz
- João Pedro Izoton, marido da professora Flávia, recebeu carinho de parentes e amigos durante o velório.

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A despedida das professoras Cybelle Passos Bezerra Lara, de 45 anos, e Flávia Amboss Merçon, de 38 anos, que aconteceu na manhã e tarde de ontem, no cemitério Jardim da Paz, na Serra, foi marcada por tristeza e muita revolta. 

Veladas em capelas que ficavam há poucos metros de distância uma da outra, as duas mulheres foram vítimas do atentado à primeira escola invadida pelo atirador, Primo Bitti, em Aracruz, na manhã da última sexta-feira. 

As cerimônias fúnebres foram marcadas por muita emoção dos amigos, professores que trabalhavam com as duas mulheres e também  por seus familiares que, em choque, preferiram não gravar entrevista. 

Leiliane Santos Moreira, professora que atua na mesma escola onde as vítimas davam aula, falou sobre o sentimento de perder duas amigas.

 “É muito sofrimento, desespero, medo. Ver as nossas colegas perderem suas vidas de forma tão brutal, além de medo, causa muita revolta”, disse. 

Sobre o seu relacionamento com Flávia, ela disse que foi além. “Ela era minha companheira de trocar ideias sobre como trabalhar com a EJA, que é um trabalho muito importante. A Cybelle passou no concurso junto comigo. Conversávamos sobre nossos pais, que são idosos. Então eram companheiras de trabalho, de luta…”.

Pedagoga da escola onde as professoras trabalhavam, a também professora Marlene Fernandes Barcelos  lembrou emocionada das amigas de trabalho. “Mais do que colegas de trabalho”.

Ela, que presenciou o ataque  na escola pública Primo Bitti, lembrou dos momentos de pânico. Segundo Marlene, ela tinha acabado de tocar o sinal para o início do recreio e seguia para a sala dos professores, após se despedir de um palestrante que estava na escola. 

“Eu entrei na sala e ainda consegui tirar uma colega porque…. eu a convidei para sair porque era o horário do recreio, né? Os alunos já estavam na fila para o recreio”, contou aos prantos. 

O corpo da professora de Matemática Cybelle foi cremado no mesmo cemitério onde foi velado  ontem. Já o corpo da professora de Sociologia Flávia foi enterrado também no mesmo local.

Na madrugada de ontem, cerca de 300 pessoas fizeram uma passeata com orações pela cidade.

“Minha filha só levava alegria”

Muito emocionada após ter perdido a filha, a adolescente Selena Zagrillo, de 12 anos, aluna da escola particular atacada por um adolescente de 16 anos, na última sexta-feira (25), a mãe da garota, Thais Sagrillo Zucoloto, pediu para que as pessoas compartilhem o bem, já que isso era o que a menina mais pregava. 

“Minha filha só levava alegria por onde passava”, afirmou. Ela conversou com a reportagem de  A Tribuna enquanto participava de uma caminhada pela paz, feita na manhã de ontem, em Aracruz, e falou sobre uma carta que escreveu, falando sobre a dor de perder a jovem. 

A Tribuna – Como está seu coração de mãe?

Thais Sagrillo Zucoloto – Dilacerado. Domingo (27) pela manhã o povo indígena, espíritas, pessoas evangélicas, de todas religiões, fizeram uma caminhada para refazer os passos do jovem que causou isso tudo. 

Estamos concentrando boas energias, rezando, orando, pedindo para que todas as vítimas, inclusive, minha filha encontrem luz. 

Por que decidiu escrever a carta? 

Ao retornar para casa ontem, depois de enterrar minha filha e  ver o quarto dela vazio, mexer nas coisas, eu encontrei  uma  cartinha que ela tinha escrito. E ela tocou meu coração. Como se ela já soubesse e quisesse confortar meu coração e de todo o Brasil que deve estar muito chocado. 

O que dizia a carta? 

Ela fala que vai ficar tudo bem, que aos poucos as coisas vão melhorar. Me senti mais leve e quis escrever uma carta também.

Se você pudesse falar alguma coisa para o adolescente que fez tudo isso, o você falaria? 

Não falaria nada. Ele era um adolescente como minha filha, mas a responsabilidade está na mão de alguém, né? 

Está na mão desse adolescente, está na mão do pai, da mãe, da família, está na mão todo o sistema. Muita gente, não só do adolescente. Ele foi, talvez, a ponta do iceberg de toda uma estrutura criada que dissemina o ódio. 

Quer deixar alguma mensagem para a população que sofre junto com vocês?

Só agradecer, muito obrigada pelas orações e mensagens.

Três vítimas em estado grave

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) divulgou às 18h de ontem novo boletim sobre as cinco vítimas do ataque em Aracruz, ocorrido na última sexta-feira. Elas seguem internadas, sendo que três continuam em estado grave.

Duas mulheres, com idades entre 52 e 45 anos, estão internadas na UTI do Hospital Estadual Dr. Jayme dos Santos Neves (HEJSN), na Serra, em estado grave.

Já no Hospital Infantil, uma adolescente de 14 anos continua na UTI entubada também em estado grave. Já o menino de 11 anos evoluiu para  estável, estando agora em  unidade semi-intensiva.

Uma quinta vítima, uma mulher de 58 anos, esta internada no São Lucas com estado de saúde estável. Segundo a Sesa, ela aguarda melhora de feridas em membro inferior para ser submetida à nova cirurgia.

Até ontem, outras duas mulheres, de 37 e 40 anos, seguiam internadas na enfermaria do Hospital São Camilo, em Aracruz, ambas em quadro estável.

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