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BULLYING

Mais de 90% dos casos de bullying são sem solução

A falta de confiança na rede de apoio faz com que as crianças e adolescentes não contem a ninguém ou apenas aos amigos, que não conseguem ajudar

Mais de 90% dos casos de bullying são sem solução
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Última atualização

Se assumir vítima de humilhações não é um processo fácil. A pesquisa da  Empresa Júnior da UVV (Ejuvv) mostrou que 40,8% não contaram que eram alvos de bullying.

Somando esses a aqueles que contaram mas continuaram sofrendo com humilhações, totalizaram 96% de entrevistados que não tiveram o problema resolvido.      

“Dificilmente é possível reverter situações de bullying, no entanto, com certeza, precisam ser cuidadas e com bastante cautela, para não piorar ainda mais o sofrimento do alvo. Colocar alvo e autor frente a frente, por exemplo, pode agravar a situação de violência”, alerta a mestre em Psicologia Educacional e pedagoga   Sandra Cristina Dedeschi, do Programa Semente. 

Ela ressalta que, geralmente, demora bastante tempo para que a família, e mesmo a escola, tome ciência das ações de bullying, pois se tratam de agressões veladas. “O alvo frequentemente sofre calado e os espectadores preferem ficar quietos ou participar rindo das situações, às vezes com receio de se tornarem próximas vítimas”.

Muitas vezes, a falta de confiança na rede de apoio faz com que as crianças e adolescentes não contem a ninguém ou apenas aos amigos, que têm poucos recursos para ajudar. É o que observa a  psicóloga escolar Camila Simões, do  Colégio Caetano Álvares.

“Precisamos fazer a criança reconhecer sua rede de apoio. Esse é o nosso papel e desafio como escola e como família. O bullying começa de maneira sutil e precisa ser compreendido e combatido rapidamente. Sem recursos de ajuda, gera uma distorção de autoimagem”. 

Os adultos,  pais, professores e funcionários da escola devem ser apaziguadores de relações infantis, segundo a doutora em Educação Edna Tavares. “Sendo assim,  devem estar sempre alertas para que o bullying não seja camuflado como ‘brincadeiras’. Quando a criança que é alvo não é acolhida, a sensação de impunidade pode deixar a vítima constrangida em relatos posteriores, o que pode trazer danos emocionais graves”.       

A mudança de comportamento pode ser o principal indício de que algo está acontecendo. Segundo psicopedagogo Cláudio Miranda, às vezes a que sofre o bullying pode ser constrangida a não contar o que está acontecendo.

 “Mas, invariavelmente, apresentará mudança de comportamento diferente do seu padrão normal. O bullying pode ser identificado ao ser analisar o comportamento usual da vítima, que vai mudando sistematicamente. Às vezes pode ser confundido com ansiedade”.

Vida nova após trocar de escola

 
















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A cabeleireira Carina dos Santos Nascimento, de 33 anos, contou que sofreu junto com o filho Matheus Diom, de 10, quando o menino era vítima de bullying na escola antiga. Ela conta que o menino tinha 5 anos quando colegas de classe bateram nele dentro da sala de aula. “Ele sempre foi um menino retraído, quieto, mas comecei a perceber que ele estava ainda mais calado, não me olhava nos olhos e nem conversava comigo”.

Além do comportamento, o aprendizado e a recusa em ir para a escola também preocuparam a família. “A escola disse que ele tinha autismo, TDAH, o que não era verdade. Só melhorou quando troquei o Matheus de escola. Agora ele é outra criança, adora ir para aula. O que uma escola tirou do meu filho, a outra devolveu”.

“Aprendi a superar” 

 
















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Maísa Cordeiro Amorim, de 13 anos, teve de aprender desde pequena a se defender de bullying. Hoje ela combate e fala sobre o assunto. A estudante lembra que tinha 5 anos quando colegas da escola a  xingaram e  humilharam  em sala de aula. 

Foi com o  apoio da mãe, Sheyliene   Amorim, de 36 anos, do pai e do irmão, que ela superou e hoje não se importa com as ofensas, quando aparecem. “Hoje ainda há alguns episódios, mas aprendi a superar com a ajuda da minha família, principalmente da minha mãe”, contou.

Saiba mais

O que é  bullying? 

São atitudes agressivas, intencionais e repetitivas, que ocorrem sem motivação evidente, causando dor e angústia.

São executadas dentro de uma relação desigual de poder, tornando possível a intimidação da vítima. Podem ocorrer na forma direita, indireta e on-line.

Formas de bullying

Direta: Os alvos são atacados diretamente por meio de agressões físicas ou verbais (apelidos, ameaças, ofensas) e por gestos que incomodam.

Indireta: As ações levam ao isolamento social, ou seja, a agressão ocorre por meio de indiferença, isolamento, exclusão social ou difamação por boatos/fofocas.

Cyberbullying: Ocorre por meio de computadores ou celulares, sendo, geralmente, uma extensão do bullying que acontece na escola para o virtual.

Alguns tipos 

Físico: Chutes, empurrões, lesões ligadas a atos de pressão e contato, beliscões.

Verbal: Apelidos, intimidação, provocação, observações homofóbicas ou racistas, muitas vezes com início mais leve e discreto, até atingir o alvo.

Moral, social ou psicológico: Inclui ignorar, fazer pouco caso, imitar desfavoravelmente, usando trejeitos e fazendo piadas, excluir ou incentivar a exclusão social com objetivo de humilhar. É mais difícil de reconhecer.

Material: Inclui estragar, danificar, furtar os pertences ou atirá-los contra a vítima.

Cyberbullying: Inclui a utilização de mídia eletrônica, por intermédio de e-mails, postagens, imagens ou vídeos. Tem o potencial de, em segundos, alcançar um número muito grande de pessoas deliberadamente e, em alguns casos, anonimamente, podendo causar danos psicológicos mais acentuados e negativos.

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria e Ministério da Saúde.

Alguns sintomas

Irritabilidade

A agressividade e irritabilidade  em casa ou em outros ambientes, dado a uma mudanças de comportamento inesperadas,  podem ser sinais de problemas. É preciso ficar atento também à criança ou adolescente que pratica o bullying, pode ser sinal de problema em outros ambientes.

Isolamento social 

Se isolar no quarto, não participar de momento em que toda a família está reunida, dificultar o diálogo podem ser um sinais de que a criança ou o adolescente quer fugir de conversas, esconder sinais de agressão ou não quer demonstrar seus sentimento diante da família. É preciso buscar meios de uma conversa afetiva.  

Baixa autoestima

A vítima do bullying passa a apresentar falta de autoconfiança. Ela não consegue confiar em suas próprias habilidades para resolver seus problemas e isso pode durar até a vida adulta. Exalte pontos positivos e valorize conquistas.

Choro frequente

Muitas vezes, a reação à humilhação é o choro, que pode demonstrar a dificuldade de lidar com a agressão. Geralmente, o choro acontece sem um motivo aparente. Crianças e adolescentes que sofrem bullying podem desenvolver comportamento de ansiedade e depressão se não descobertas e protegidas a tempo.  

Mudanças na escola

Quando está em sofrimento, a criança ou o adolescente apresenta mudanças de comportamento, na maioria das vezes. Eles podem ficar distraídos, desatentos ou quietos,  e isso se reflete no desempenho escolar. 

Alterações no sono

Junto com a ansiedade e os sintomas de depressão, podem surgir alterações de sono. Tanto a insônia quanto o sono excessivo podem ser formas de escapar do contato social. Podem acontecer também episódios frequentes de pesadelos. 

Fonte: Especialistas consultados.

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