O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) conseguiu, neste mês de outubro, reduzir o estoque de processos de Reconhecimento Inicial de Direitos de Benefícios Previdenciários e Assistenciais a 976 mil requerimentos, a menor taxa desde o início dos processos digitais.
Deste número, no Estado, segundo estimam especialistas, cerca de 16 mil pessoas ainda aguardam na fila. Em março, a informação disponível apontava que eram 37 mil à espera de atendimento no Espírito Santo, ou seja, estima-se que 21 mil tenham deixado a fila.
Conforme os profissionais, o uso de inteligência artificial para analisar pedidos de benefícios pode ser o principal motivo da diminuição da fila, uma vez que os “robôs” estão negando as solicitações.
O sistema digital foi implementado após o fim do contrato temporário de servidores que faziam as análises dos pedidos de benefícios, como aposentadorias, pensões e auxílios-doença, entre outros.
A advogada e coordenadora-adjunta do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP) no Espírito Santo, Renata Prado, afirma que os recursos demoram em média dois anos para julgamento.
Segundo a profissional, muitos estão buscando a Justiça: “Em alguns casos, os segurados preferem entrar diretamente na Justiça, aumentando o número de processos”.
O INSS diz que, ao todo, mais de 13 milhões de segurados já foram atendidos neste ano nas agências da Previdência e mais de 3 milhões de benefícios foram concedidos.
Precisão
Segundo a instituição, a robotização das análises, que está verificando os pedidos automaticamente, depende da precisão dos dados inseridos no aplicativo Meu INSS.
Quanto mais corretos os dados no cadastro do segurado, menor é a possibilidade de indeferimento do pedido, inclusive de aposentadoria.
No aplicativo, os documentos devem ser anexados em PDF, precisam ser coloridos, cada arquivo deve ter até 5 Megabytes, e a soma de todos os documentos não pode passar de 50 Megabytes. Caso falte algum documento, o sistema avisa automaticamente.
Robôs negam 3 a cada 4 pedidos
A tecnologia tem sido sinônimo de dor de cabeça para muitas pessoas. Na forma que está operando atualmente, de acordo com especialistas, a inteligência artificial do INSS está basicamente programada para errar e indeferir as análises. Conforme os profissionais, a cada quatro pedidos, três são negados.
“O robô acaba indeferindo tudo porque os cadastros normalmente têm erros. O trabalho precisa ser feito por um servidor, um ser humano. A máquina não está preparada para isso”, diz Diego Cherulli, vice-presidente do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP).
Eduardo Pinheiro, especialista em Tecnologia da Informação, diz que as pessoas de mais idade ainda encontram dificuldades no mundo digital. O processo de migração dos serviços tradicionais para plataformas digitais precisa ser gradativo.