Mesmo com a criação de um núcleo específico para investigar sequestros-relâmpago mediante extorsão, bandidos continuam agindo nessa modalidade de crime e fazendo vítimas. Dessa vez, o alvo foi um motorista de aplicativo, de 27 anos, que além de ter o carro levado, ainda foi agredido e obrigado a fazer transações bancárias.
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O caso aconteceu no bairro Nova Rosa da Penha, em Cariacica, na noite de quarta-feira (21), após a vítima aceitar uma corrida para o bairro. O homem seguia para o endereço da passageira, uma mulher, de aproximadamente 26 anos, quando o carro dele, um Ford Ka prata, foi parado por cinco homens armados.
“Eu tinha pegado a passageira em um shopping de Cariacica e seguia para o endereço que ela colocou no aplicativo, em Nova Rosa da Penha. Quando eu passei por uma rua, cinco bandidos armados saíram de uma casa e mandaram eu parar e descer”, contou a vítima, que preferiu não ser identificada.
Segundo o motorista, depois ele que saiu do carro, três bandidos exigiram que a passageira saísse e, em seguida, entraram no automóvel. Depois, outros dois o renderam e fizeram várias ameaças.
“Mandaram eu tirar minha camisa, colocá-la no rosto e ficaram falando que iam me matar. Eu falei: ‘eu sou trabalhador. Eu só quero ir embora. Eles nem me escutaram, só mandaram eu calar a boca”, contou o motorista.
Enquanto um dos criminosos fazia ameaças às vítimas, o outro começou então a exigir transferência via Pix. “Eu estava nervoso e não conseguia colocar a senha certa e então ele disse que eu tinha um minuto para acertar a senha, se não me mataria”, disse.
Em seguida, os dois ladrões seguiram com o jovem para um terreno baldio que fica perto do local onde ele foi abordado. Os outros três bandidos que entraram no carro fugiram com o veículo.
“Eles ficaram se comunicando uns com os outros, pelo telefone. Quando estávamos nesse lugar de muito mato, eu concluí duas transferências, uma de R$ 195 e outra de R$ 300”, relata.
Mesmo obedecendo às ordens dos bandidos, o motorista ainda foi agredido. “Me deram coronhadas nas costas e na cabeça”.
Após as agressões, a vítima foi liberada e conseguiu pedir socorro, após caminhar por cerca de 15 minutos até a Rodovia do Contorno, onde acionou a polícia.
De acordo com a polícia, nenhum suspeito havia sido preso até o fechamento desta reportagem.
MOTORISTA VÍTIMA DE SEQUESTRO-RELÂMPAGO
“SÓ ORAVA E PEDIA MISERICÓRDIA”
– A Tribuna: Como foi o sequestro-relâmpago?
Motorista Uma mulher pediu uma corrida. Eu a peguei em um shopping de Cariacica e depois fui até o bairro Nova Rosa da Penha, onde seria a casa dela. No caminho, quando eu estava quase chegando, ela me orientou a passar por uma outra rua e eu fui.
– E o que aconteceu?
Cinco homens armados saíram de uma garagem. Eu parei o carro. Era descida de um morro. Eu saí do carro. Eles dispensaram a passageira. Três deles já entraram no carro. Um deles até tentou sair de ré. Os outros dois ficaram comigo.
– E o que fizeram?
Me deram vários tapas. Pegaram o celular da minha mão. Mandaram eu abaixar a minha cabeça e colocar minha blusa no rosto. Isso, eu do lado de fora do carro. Os outros bandidos saíram com o carro.
– E depois?
Falaram que iam me matar. Eu falei: eu sou trabalhador. Eu só quero ir embora. Eles nem me escutaram, só mandaram eu calar a boca. A todo momento colocavam a arma nas minhas costas.
Um gritou que era para eu fazer Pix. Eu estava nervoso e não conseguia colocar a senha certa, daí um deles disse que eu tinha um minuto para colocar a senha no celular, se não me mataria. Nesse momento, eu só orava e pedia misericórdia a Deus.
Depois que me levaram para um local ermo, consegui fazer duas transferências.
Em seguida, mandaram eu correr e foi o que eu fiz. Pulei uma ribanceira de dois metros e consegui chegar até a BR.