A educação financeira não envolve apenas entender conceitos como ganhar, poupar, investir. Ela é voltada para criar uma relação saudável do indivíduo com o dinheiro.
Nesse processo, pais também ensinam sobre bondade, generosidade, compartilhamento e troca para os filhos. Afinal, o objetivo não é tornar o filho um avarento ou acumulador, por exemplo.
O estudante Luiz Alberto, de 8 anos, tem deixado os pais orgulhosos com suas atitudes, que são exemplos até para os adultos.
Recentemente, uma pessoa da família, que estava com dificuldades financeiras, estava sondando o que o pequeno gostaria de ganhar de Natal.
“É uma pessoa que gosta muito do meu filho. E mesmo com dificuldades, ela acaba fazendo um esforço para presenteá-lo”, contou a mãe da criança, a comerciante Sabryna Perini, de 45 anos.
O que pegou a família de surpresa foi a atitude do pequeno. “Ele me disse: ‘Mãe, não quero que ela compre nada para mim. No momento, ela precisava mais do dinheiro do que eu’”, revelou Sabryna.
Ela e o pai da criança, o comerciante Wagner Perini, ficaram orgulhosos do filho. “Eu vi no gesto dele uma mistura de bondade, generosidade e empatia. Pensei, ele é tão pequeno e tão generoso”, contou a mãe.
Sabryna explicou que, tanto em casa quanto na escola, há um esforço para preparar o filho para ter uma vida financeira saudável. Ela e o marido criaram uma conta bancária para o filho, antes mesmo de Luiz Alberto nascer.
Ele tem uma mesada e toda vez que ganha algum dinheiro usa uma parte e guarda outra.
No Natal, o menino se deu de presente um brinquedo chamado quadricóptero. “Eu comprei porque guardei dinheiro, se não tivesse guardado, não teria conseguido”, revelou Luiz.
O psicólogo Alexandre Brito, que também dá mentoria voltada para comportamento financeiro, explicou que é importante que a criança aprenda a abrir mão, a perder, a doar.
Um brinquedo em bom estado que ela não usa, por exemplo, pode doar. “É um gesto nobre de valor. Lógico que ela não pode sair entregando tudo que é dela. Mas com esse gesto, a criança começa a aprender o valor da troca. Que tem algo que ela não compra, que é a alegria do outro”.
Na vida, é preciso abrir mão de alguns itens para não se tornar um acumulador, segundo o psicólogo.