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Seja por influência de relacionamentos amorosos ou para sustentar o vício, muitas mulheres têm se envolvido com o tráfico de drogas e tomado um caminho diferente na vida. Prova disso é o número de detentas que cumprem essa pena nas unidades prisionais capixabas: 287.
Os dados da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) revelam ainda o número de presas por outros delitos, como roubo e furto. Somente pelo primeiro delito, são 60 mulheres presas. Já por furto, 33.
No total, até janeiro deste ano, 380 mulheres estão sob custódia no sistema prisional capixaba.
Considerado a prisão por envolvimento com o tráfico, muitas vezes as mulheres são presas ao tentar entrar com drogas em presídios, onde seus companheiros estão cumprindo pena.
Na 1ª Delegacia Regional de Vitória, por exemplo, esse é um dos principais motivos que leva esse público para atrás das grades, conforme revela o titular delegado Ícaro Ruginski. Segundo ele, a maioria das presas têm entre 18 e 30 anos de idade.
“Elas são jovens, entram para essa vida por influência de seus companheiros. São de classes sociais mais desfavorecidas e geralmente não têm passagens anteriores pela polícia”, conta o delegado.
Apontado por muitos como caminho que pode até levar à morte, o envolvimento com o tráfico de drogas traz outras consequências, como a prisão de quem comete o delito. Com penas duras, que podem ultrapassar 15 anos de reclusão, Ruginski reforça que o crime nunca irá compensar.
“Sabemos que nenhuma atividade criminosa compensa, mas o envolvimento com o tráfico, além de ter uma pena de reclusão alta, quando a pessoa não é presa, ela acaba morrendo”, afirmou.
Titular do Departamento Especializado de Narcóticos (Denarc), Tarcísio Otoni explica que outros motivos têm levado, cada vez mais, mulheres a entrar para a vida no tráfico. Um deles, segundo o delegado, é a busca por dinheiro fácil.
“Elas acabam aceitando propostas para transportarem as drogas, às vezes para outros estados ou até mesmo para fora do País. Como dificilmente uma mulher é abordada, o crime se aproveita disso”, explicou o delegado.
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Três por dia no Estado são conduzidas para delegacia
Se o número de mulheres que cumpre pena em alguma cadeia do Estado já é grande, a quantidade daquelas que são conduzidas para as delegacias é maior ainda.
De acordo com dados da Polícia Civil, somente no ano passado, pelo menos 961 mulheres, ambas maiores e menores de idade, foram levadas para as delegacias do Espírito Santo, após serem detidas pela Polícia Militar.
Todas elas portavam certa quantidade de drogas e foram presas em flagrante. O número equivale a cerca de três casos por dia. Ao todo, no ano passado, 153 adolescentes do sexo feminino foram detidas e outras 808 adultas também.
Somente no primeiro mês do ano, 84 presas foram levadas para as delegacias do Estado, sendo que 11 delas são menores de idade.
O delegado titular do Denarc, Tarcísio Otoni, explica que boa parte dessas mulheres, quando se envolvem com o tráfico de drogas, são escolhidas para servirem de “mulas”, fazendo o transporte de entorpecentes, seja de estado para estado ou até mesmo para fora do País. Um outro ponto levantado por ele, é o uso de mulheres grávidas.
“O tráfico busca meios para burlar as fiscalizações, uma vez que a mudança na lei, por exemplo, no artigo 318-A, que não prevê prisão preventiva para mulheres grávidas, os criminosos têm usado esse público para transportar os entorpecentes, na garantia que essas mulheres, mesmo presas, irão responder o processo em casa”, disse.
MULHERES NA CADEIA
Até janeiro de 2023
380 mulheres estão sob custódia no sistema prisional capixaba.
Do total, 287 presas por tráfico de drogas no Estado.
60 presas por roubo.
33 detentas por furto.
A maioria das presas pelo crime de tráfico de drogas foi detida após a prisão de seus companheiros.
Boa parte delas acaba presa ao tentar entrar com drogas nos presídios ou quando toma conta das bocas de fumo.
Algumas entram para o crime pela facilidade do dinheiro fácil.
Elas têm entre 18 e 30 anos.
Fonte: Sejus