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Corpo pode sinalizar infarto até dois meses antes

Cansaço, aperto no peito, dor no estômago e náuseas podem ser sinais de um ataque cardíaco, segundo cardiologista

Corpo pode sinalizar infarto até dois meses antes
- José Airton de Arruda explica que diagnóstico rápido é fundamental
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Camila Lima

Jornalista formada pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua há 7 anos no jornal A Tribuna. Integrante da editoria de Cidades, tem como principal foco a cobertura de saúde, área na qual construiu sólida experiência em reportagens, entrevistas e coberturas de eventos pelo Brasil. Apresenta o podcast Fala, Doutor, dedicado a levar informação acessível e de qualidade sobre medicina e bem-estar ao público.

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As doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de morte no Brasil e no mundo. E o infarto, ao lado do Acidente Vascular Cerebral (AVC), está no topo da lista. 

Ainda que  o infarto possa ocorrer de forma repentina, há pessoas que podem manifestar sintomas de alerta, como cansaço e aperto no peito, até dois meses antes, segundo explicou o cardiologista José Airton de Arruda, que esteve no estúdio TribunaLab. 

Dor no estômago e náuseas também podem ser sinais de um ataque cardíaco, de acordo com o especialista, que também é presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) –  Regional Espírito Santo.

Estima-se que, no País, ocorram de 300 mil a 400 mil casos anuais de infarto e que a cada cinco a sete  casos, ocorra uma morte.

– A Tribuna – Infarto é o mesmo que ataque cardíaco?

José Airton – O coração é irrigado por artérias, chamadas de artérias coronárias, e quando elas sofrem bloqueio ou obstrução, deixa de ir sangue para determinada região do músculo cardíaco,  fazendo com que ele entre em falência e comece a morrer. Nele não chegam nutrientes e oxigênio. O infarto é a tradução disso, é um ataque cardíaco, é algo grave.

– Quais seriam os principais sintomas?

De maneira geral, o infarto traz alguns padrões: dor no peito opressiva, que pode irradiar para a face lateral esquerda do pescoço e mandíbula. E, principalmente, a dor irradia para o ombro e braço esquerdo. Essa dor e peso, que não passam por nada, são suspeita de infarto. Geralmente, a dor vem associada com suor frio, tontura, mal-estar e náuseas.

– É possível ter um infarto sem apresentar sintomas?

Infelizmente é, principalmente  os diabéticos e as mulheres. Mas,  às vezes, há sintomas que são mais atípicos: sensação de desconforto no estômago, náuseas e suor frio. Muita gente procura o hospital dizendo que comeu algo que não fez bem e na verdade está com um infarto em curso.

– O corpo pode dar sinais de infarto dias antes dele ocorrer?

Ele pode sim, o que é uma boa notícia, mas a má notícia é que metade das pessoas infarta sem nunca ter tido nada.

Mas, para outra metade, pode ter sinais. Por exemplo, uma pessoa pode estar caminhando e sentir um aperto no peito que passa após descansar. Isso é angina, desconforto  no peito produzido pelo estreitamento parcial da artéria coronária. É  uma manifestação alertando que algo está errado. 

Outro sintoma é cansaço repentino, que vem com falta de ar, sem dor. O cansaço é uma manifestação de que o coração está recebendo pouco sangue e diminuiu o bombeamento.

– Qualquer alteração no padrão de atividade deve ser investigado, certo?

Isso, porque pode ser o infarto ou premonitório. Se a pessoa percebe essa mudança, deve procurar o médico. E quando falamos de atividade física, estamos nos referindo também às atividades como ir trabalhar de bicicleta,  subir escada, limpar casa e até o sexo.

– Esses pré-sinais podem aparecer até um mês antes de o infarto acontecer?

Pode. Costumamos dizer que quando esses sintomas aparecem, ou evoluem para infarto ou cronifica, que é angina estável. Em geral, leva de 30 dias a dois meses. Mas a pessoa não deve esperar tudo isso. Está com dois, três dias sentindo algo diferente, com um padrão repetitivo,  procure um médico.

– Qual a maior causa de infarto? Quais são os fatores de risco para ataque cardíaco?

Há uma série de fatores que aceleram o infarto, como hipertensão, principalmente quem não controla; diabetes, tabagismo, estresse e sedentarismo. Genética não consigo controlar, se tem histórico familiar, em geral, há uma chance maior, é um carimbo. Mas o tabagismo é possível controlar.

Se os fatores de risco forem controlados, é possível reduzir a chance de infarto. 

– Mulheres sobrevivem menos ao infarto do que homens?

Esse é um dado constatado tanto na literatura americana quanto na nossa. Infelizmente isso é verdadeiro e deriva de duas coisas. 

Primeiro pela parte hormonal, tamanho do coração, porte físico e pelas artérias coronárias serem menores. 

Porém, o principal é que as mulheres têm sintomas diferentes dos homens. Em vez de dor forte, nela é mais frequente um mal-estar, angústia, desconforto nas costas e sudorese. E por ser mais resistente à dor do que os homens, procura mais tarde o atendimento do que o homem. A demora no atendimento faz com que as sequelas e o número de mortes sejam maiores do que nos homens.

– É possível reverter um ataque cardíaco?

Quanto mais rápido o diagnóstico do infarto, mais rápido se estabelece o tratamento e menores são as sequelas e o risco de morrer.

Infarto agudo do miocárdio ou ataque cardíaco é a morte de células do músculo do coração devido à formação de coágulos que interrompem o fluxo sanguíneo de forma súbita e intensa.

FIQUE POR DENTRO

– Os principais fatores de risco são tabagismo, sedentarismo, alimentação ruim, colesterol alto e estresse em excesso. 

– A principal causa do infarto é a aterosclerose, doença em que placas de gordura se acumulam no interior das artérias coronárias, chegando a obstruí-las.

– Infarto é uma emergência que exige cuidados médicos imediatos. Identificar os sintomas pode ser decisivo para salvar a vida de uma pessoa. O tratamento, geralmente, é cirúrgico e/ou medicamentoso.

–  Prevenção é feita com a prática de atividades físicas, alimentação adequada, o não consumo de álcool e  de cigarro.



PERGUNTA DA LEITORA

– Como saber se não estamos confundindo infarto com estresse ou ansiedade? 

Vanessa Prates, 31, dona de casa

Isso não é incomum, mas costumo dizer que é melhor pecar pelo excesso sempre. Porque se a pessoa não procura o médico e está infartando, é ela quem sofre. Agora, se ela chega no hospital e é ansiedade, o máximo que vai acontecer é ela voltar para casa, mas ainda assim procurou tratamento.

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