Ana Hickmann, Luiza Brunet, Pamella Hollanda, MC Carol, Patrícia Ramos! Mulheres que estão na mídia e que, quando as identificamos, as reconhecemos como pessoas fortes e grandes exemplos para outras mulheres. Beleza, riqueza, posicionamento e status são alguns dos itens pelos quais são invejadas.
Quando elas aparecem como vítimas de violência doméstica, nos assustamos. No entanto, ao contrário do que pensamos, dinheiro, conhecimento e status acabam por esconder tanto do outro quanto da própria mulher a sua fragilidade frente ao patriarcado e ao machismo estruturante.
Pierre Bourdieu, em suas obras, fala sobre capitais que determinam o lugar de cada um na sociedade estratificada.
O sociólogo reconhece três tipos de capitais: econômico, cultural e social. Quanto mais ativos destes capitais possuímos em nossa sociedade, mais somos socialmente reconhecidos, pois acabamos adquirindo o que o sociólogo chama de poder simbólico.
A questão é que achamos que estas mulheres possuem tais capitais e tal poder, mas esquecemos que mesmo que aparentemente isso esteja acontecendo, os homens continuam tendo mais capital que elas e consequentemente mais poder!
Assim, como mulheres poderosas, paramos de prestar atenção no cotidiano e no habitus. Afinal, erroneamente, acreditamos que a violência é algo direcionado à pobreza – de instrução, conhecimento, espírito e outras. Nos fechamos no nosso mundo de Alice (com milhares de maravilhas) e NÃO observamos os sinais! Mesmo que eles estejam lá o tempo todo!
A mulher que não é munida dos capitais aqui apresentados acaba se colocando sempre em estado de alerta, porque, ao contrário da descrita acima, sua experiência de vida não lhe permite ficar alienada. Ela sabe a que lugar pertence neste mundo de homens! E utiliza mecanismos para tentar se defender!
Ter mais dinheiro que o parceiro, gritar na mesma altura em uma discussão acalorada, possuir um cargo importante em uma empresa, tudo isso gera o sentimento de empoderamento. Mas, ao mesmo tempo, pode mascarar um relacionamento abusivo, porque acreditamos estar no mesmo patamar ou até acima do parceiro. Aí, sinais como “você está ficando velha e ninguém vai te querer a não ser eu” (violência psicológica), que é respondido com “velho é o seu passado”, são deixados de lado!
Os feminismos têm ganho muitas lutas, mas não se pode ter a ilusão de que não há misoginia ou um machismo estrutural arraigado em nossa sociedade. Não podemos deixar de observar que ele pode estar em qualquer lugar se colocando, de forma abrupta ou não. Se perdermos esta percepção, nos perdemos!