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Mudança em regra pode liberar nomeação de um milhão sem concurso público

Mudanças na regra de ocupação de cargos de confiança previstas na reforma administrativa proposta pelo governo federal poderão permitir a nomeação de ...

Mudança em regra pode liberar nomeação de um milhão sem concurso público
- João Eudes vê a mudança proposta como negativa: “Aumentaria o uso de cargos como moeda de troca política”

Última atualização

João Eudes vê a mudança proposta como negativa: “Aumentaria o uso de cargos como moeda de troca política” (Foto: Divulgação )

Mudanças na regra de ocupação de cargos de confiança previstas na reforma administrativa proposta pelo governo federal poderão permitir a nomeação de cerca de 1 milhão de postos de trabalho, sem necessidade de realização de concurso.

A medida seria válida para União, estados e municípios, e está em uma nota técnica elaborada pela Consultoria de Orçamentos, Fiscalização e Controle (Conorf), do Senado. Seriam, desta forma, mais 207.300 vagas para cargos que hoje são ocupados exclusivamente por servidores.

“Com a alteração proposta pela reforma, o número de cargos ocupados por indicações políticas pode chegar em torno de 1 milhão considerando as três esferas, sendo 90 mil apenas no Executivo federal. Isso favorecerá o patrimonialismo e irá fomentar a corrupção, como mostram diversos estudos”, argumenta o consultor legislativo Vinícius Leopoldino do Amaral, autor do estudo.

A proposta de emenda à Constituição (PEC) que trata da reforma administrativa transforma cargos comissionados e funções gratificadas (reservado a servidores) em novos cargos de liderança e assessoramento. Isso abre a possibilidade de contratação sem concurso para cargos de confiança, na avaliação do consultor do Senado.

O relator da proposta, deputado Arthur Maia (DEM-BA), afirmou na terça-feira que vai modificar esse ponto do texto. “O nosso relatório irá modificar esse ponto ou manter como é hoje: separando cargos de chefia de cargos em comissão”.

O especialista em Gestão Pública e professor da Fucape, João Eudes Bezerra Filho, vê a mudança como negativa.

“Um projeto iniciado em um governo seria abandonado por outro, porque boa parte da equipe mudaria. Além disso, aumentaria ainda mais o uso de cargos como troca de favores políticos, onde apadrinhados receberiam cargos sem ter a qualificação necessária”.

Procurado, o Ministério da Economia informou que em nenhum momento a proposta da reforma administrativa fala em indicações políticas.

“Ao contrário: o texto prevê expressamente que mesmo para os cargos de liderança e assessoramento deverão existir critérios mínimos de acesso e que a ocupação desses cargos observará regras mínimas comuns a todos os entes e Poderes”.


Saiba mais


Reforma administrativa

  • A proposta de emenda à Constituição (PEC) que trata da reforma administrativa transforma cargos comissionados e funções gratificadas (reservado a servidores) em novos cargos de liderança e assessoramento.

  • Isso abre a possibilidade de contratação sem concurso para cargos de confiança, na avaliação do consultor do Senado.

  • O relator da proposta, deputado Arthur Maia, diz que vai modificar esse ponto do texto, ou manter da forma como é hoje: separando cargos de chefia de cargos em comissão.

Dados

  • O levantamento do consultor mostra que, atualmente, na União, há 174.987 cargos em comissão e funções de confiança distribuídos pelos três Poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário.

  • Para estados e Distrito Federal, esse número é de pelo menos 180.702, e nos municípios é de 559.642.

  • Com a PEC haveria expansão na quantidade de postos que poderão ser ocupados por pessoas sem vínculo com a administração pública.

  • A expansão seria de, no mínimo, 207.300 postos: são 156.028 funções de confiança e 51.300 cargos em comissão ocupados por servidores de carreira.

  • No caso do governo federal, especificamente, são 90.271 cargos em comissão e funções de confiança que poderão ter livre nomeação – atualmente, a indicação está restrita para cerca de 6 mil cargos.

Indicações políticas

  • Especialistas em Gestão Pública alertam para a possibilidade desses novos cargos funcionarem como moeda de troca para favores políticos.

  • A preocupação é de que os cargos seriam ocupados por pessoas sem capacidade para a função, meramente por uma indicação política.

  • O Ministério da Economia informou que em nenhum momento a proposta da reforma administrativa fala em indicações políticas,

  • De acordo com o ministério, o texto prevê expressamente que mesmo para os cargos de liderança e assessoramento deverão existir critérios mínimos de acesso e que a ocupação desses cargos observará regras mínimas comuns a todos os entes.

Fontes: Ministério da Economia, Ig Economia e João Eudes Bezerra Filho.

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