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Em busca de identificar o “segredo” dos super-resistentes à covid-19, isto é, indivíduos que são geneticamente resistentes à doença, cientistas procuram pessoas que nunca foram infectadas pelo vírus, mesmo expostas a ele por um período prolongado.
A iniciativa é global, feita por centros de pesquisa em todo o mundo, como Brasil e Grécia, e está contida em um artigo publicado na revista científica Nature.
O objetivo com o estudo é identificar os genes que protegem esses indivíduos, para entender o mecanismo e verificar as possibilidades de desenvolver medicamentos bloqueadores do vírus, que impeçam a pessoa de desenvolver a doença e de transmiti-la.
Para que a busca dê certo, o primeiro passo é achar pessoas que foram expostas ao novo coronavírus e não testaram positivo ou produziram resposta imunológica, como indivíduos que dividiram a casa e a cama com um parceiro infectado.
Depois disso, os pesquisadores vão comparar os genomas dos candidatos com os de pessoas que foram infectadas, em busca de genes associados à resistência.
Até o momento, cerca de 500 candidatos já foram recrutados.
Para o infectologista Luís Henrique Borges, o estudo pode contribuir para o desenvolvimento de remédios e vacinas contra a covid-19.
Segundo o médico, uma das possibilidades é que essas pessoas não tenham receptores de certas moléculas, usados pelo vírus para entrar nas células, ou tenham, mas de forma diferente da maioria.
“A ausência ou a modificação nos receptores originais atrapalha a entrada do vírus na célula. Se o vírus não entra, não tem como se replicar”, explicou. “Alguns remédios podem bloquear o receptor em que o vírus entra”, completou.
A infectologista Rubia Miossi também achou a pesquisa interessante, mas acredita que será difícil encontrar pessoas com essas características. “Estudar essa genética ajuda a entender quais são os meios para infectar o nosso organismo e causar a doença”, disse.