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A Educação já está no futuro e se renova com as adversidades – como o isolamento social – e traz novos conceitos de ensino, aprendizagem e de desenvolvimento de inteligências, desde a emocional até a artificial.
Educadores, gestores e alunos entenderam que as emoções, o aprendizado e a tecnologia têm de ser desenvolvidos lado a lado dentro da nova sala de aula. Ambiente esse que vai utilizar a inteligência artificial (IA), por exemplo, para reinventar o espaço educacional, tornando-o mais dinâmico, divertido e empático.
É o que acredita o doutor em Inteligência Artificial Reginaldo Gotardo. Ele, que também é cientista de dados e mestre em Personalização de Sistema, explica que a IA é uma tecnologia capaz de simular a capacidade humana de raciocinar, perceber, tomar decisões e resolver problemas.
“Já vivemos cercados de robôs, mas nem todos são visíveis como a maioria das pessoas imagina a inteligência artificial. Ela está nos programas, nos softwares que a gente não percebe no dia a dia. São os sistemas inteligentes”, destaca.
Reginaldo observa que a sociedade vive um momento de muita conectividade, troca de informações que, por muitas vezes, sobrecarrega o cérebro.
“É o fenômeno do aprendizado exponencial, que aumenta rapidamente. O fato é que nós, biologicamente, não fomos desenhados para ser dessa forma. O cérebro humano não tem capacidade de processamento necessária e por isso fica ansioso e estressado”.
É nesse contexto que Reginaldo explica que a IA é aplicada. “Com a inteligência artificial a tecnologia faz o papel de curador, de filtrar todas as informações recebidas e pode nos tutorar na aprendizagem”.
O doutor, que tem experiência em soluções tecnológicas para o mercado educacional, acredita que a IA aplicada à educação vai possibilitar, cada vez mais, transformar o tempo útil em tempo de inovação, de criação e empatia, acelerando processos e criando economia de tempo.
“Vamos usar a IA como ferramenta para ganhar tempo e usá-lo para ouvir. Parar de olhar para baixo, no celular, e enxergar as pessoas. Essa é a maior tecnologia humana que a máquina talvez nunca chegue a ter: a empatia”.
Saiba Mais
Congresso Sinepe-ES 2022
- No ano que vem, o maior congresso educacional do Espírito Santo completa o marco de 10 edições e já tem data marcada.
- Mesmo em meio à pandemia, o congresso de 2021 aconteceu de forma online com nomes renomados da Educação.
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- Em 2022, o Congresso das Escolas Particulares, organizado pelo Sinepe-ES, será realizado nos dias 25 e 26 de agosto.
- De volta à forma presencial, o evento acontece no Centro de Convenções de Vitória, na capital.
- A programação já está sendo preparada com conteúdos enriquecedores e modernos, ministrados por estudiosos em Educação e pensadores da atualidade.
- De acordo com o presidente do Sinepe-ES, Moacir Lellis, o evento é uma excelente oportunidade para o levantamento de discussões e criação de um valioso networking.
Fonte: Sinepe-ES.
Poder e liderança na sala de aula da atualidade
Em um mundo de informações contínuas e de fácil acesso, o professor ganha novo papel na sala de aula e, com ele, o poder e a liderança no espaço são questionados. Como lidar com uma geração em que crianças e adolescentes “sabem mais” que os docentes em algumas questões?
Para a pedagoga e psicopedagoga Isabela Minatel, “o poder é mais que mandar e mostrar quem está no comando”.
Ela abordou o tema na terceira edição do Congresso Educacional Digital do Sindicato das Empresas Particulares de Ensino do Espírito Santo (Sinepe-ES), que aconteceu online em julho deste ano.
“Acredito que há crise de liderança em sala de aula quando o professor quer ter uma postura muito rígida e autoritária. Nesse contexto pode acontecer a disputa de poder com um professor que é cronologicamente mais velho do que o aluno, mas que emocionalmente são duas pessoas muito imaturas. A firmeza é necessária, mas o autoritarismo e a agressividade não são”, pontuou.
Para a psicopedagoga, o professor pode manter as macro decisões, e as micro decisões, ou seja, como isso será colocado em prática, pode ficar por conta dos alunos, para que eles se sintam parte do processo.
“Acredito que o poder está na liderança informal porque influencia os outros. Entendo que quando o professor consegue ser uma liderança formal, que utiliza o poder da conexão, da comunicação, isso é muito potente”.
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A sala de aula no pós-pandemia
A pandemia mudou o mundo e a nas escolas não foi diferente. Depois de tanto tempo longe das salas de aulas e o retorno híbrido, alunos e professores vão encontrar algo diferente, segundo a mestre em Educação Jane Haddad.
Com mais de 22 anos de experiência como professora, coordenadora pedagógica e diretora, a especialista disse que o momento atual pede uma revisão no conceito de alunos e aprendizagem.
“Acredito que não retornaremos para aquela educação que deixamos antes da pandemia. Teremos que reinventar os tempos e espaços de aprendizagem. Com o ensino híbrido, promovemos uma mudança de lugar, do aluno passivo para o ativo. Mas, o maior desafio da Educação, a meu ver, é continuarmos apostando nas novas gerações”, destaca.
“Não retornaremos para aquela educação que deixamos antes da pandemia. Teremos de reinventar”
Jane Haddad, mestre em Educação
Ela observa que até mesmo a disposição dos alunos em sala de aula no pós-pandemia deverá ser diferente.
“Com certeza a sala de aula não será a mesma, daqui para frente o mundo online deverá ser usado pela escola offline. A união do ensino presencial e híbrido será o desafio dos próximos anos”.
Ela completa: “Fisicamente, imagino que não sentaremos em filas e sim, de uma forma que todos possam olhar e escutar todos. Parece uma mudança pequena, mas é muito importante”, afirma a especialista.
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Vem aí o Novo Ensino Médio!
A educação no Brasil está passando por várias transformações e os alunos que irão ingressar no ensino médio a partir do próximo ano vão entrar em uma etapa cheia de novidades.
O Novo Ensino Médio, previsto em uma lei aprovada em 2017, começa a ser implementado em 2022 em escolas públicas e privadas e o novo currículo deve ser concluído até 2024.
Uma das principais mudanças é que, a partir dos 14 anos, os estudantes terão orientações e aprofundamentos já voltados à carreira que querem seguir. São chamados os itinerários formativos.
A nova organização curricular do ensino médio vai ser composta por dois blocos: Formação Geral Básica, comum a todos, e Itinerários Formativos, que é flexível e possibilita aos jovens definirem os rumos de sua educação.
modificações
Vice-presidente do Sindicato das Empresas Particulares de Ensino do Estado do Espírito Santo (Sinepe-ES), Eduardo Gomes diz que algumas escolas do Estado já começaram as modificações.
“Acredito que uma das principais mudanças é que, a partir do ano que vem, as escolas serão obrigadas a constituir um programa de três anos, que parte dele vai formar uma trilha que o aluno vai construir com opção de escolha”.
A principal razão para essas mudanças, explica ele, “é a necessidade de criar um ensino mais atraente para o aluno”.
Um dos desafios nesse novo formato é a diversidade de arranjos curriculares, segundo a pós-doutora em Educação Cleonara Schwartz, membro do Conselho Estadual de Educação (CEE).
“Há tantas possibilidades de organizações curriculares do itinerário formativo, que esse será um grande desafio. Temos que pensar como essa diversidade vai formar um conjunto de indivíduos com uma formação sólida. Apenas o futuro vai mostrar se isso contribuiu realmente ou não”.
Cleonara destaca que a implantação do Novo Ensino Médio é para escolas públicas e particulares.
“A principal razão para essa mudança é a necessidade de criar um ensino mais atraente”
Eduardo Gomes, vice-presidente do Sinepe
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Saiba mais
Novo Ensino Médio
- O currículo do novo ensino médio está dividido em Formação Geral Básica e Itinerário Formativo.
- Formação Geral Básica
- São os conteúdos desenvolvidos durante as aulas e visam ensinar o essencial para a formação do estudante. Terá carga horária total máxima de 1.800 horas.
- É um conjunto de competências e habilidades das áreas de conhecimento previstas na etapa do ensino médio da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que aprofundam e consolidam as aprendizagens essenciais:
- Linguagens e suas Tecnologias;
- Matemática e suas Tecnologias;
- Ciências da Natureza e suas Tecnologias;
- Ciências Humanas e Sociais Aplica-das.
Itinerários Formativos
- É a parte do conteúdo onde está o diferencial na proposta do Novo Ensino Médio. Com ele, o estudante aprofundará seus conhecimentos na área escolhida. Terá carga horária total mínima de 1.200 horas.
- O aluno poderá ampliar aprendizagens em uma ou mais áreas de conhecimento e/ou na formação técnica e profissional.
Projeto de Vida
- É obrigatório e proporciona ao estudante um espaço para desenvolver o autoconhecimento. Está ligado à escolha de carreira, com o descobrimento de afinidades, interesse e perfil de cada aluno.
Eletivas e aprofundamento
- São componentes curriculares que a escola vai oferecer de acordo com o perfil de seus estudantes. Os alunos vão poder escolher de acordo com suas preferências de formação.
- No Aprofundamento, os estudantes podem escolher áreas de conhecimento ligadas ao seu projeto de vida e objetivo de carreira, para se aprofundar por Áreas do Conhecimento e/ ou Educação Profissional e Técnica.
Tempo integral
- A nova carga horária deverá ser de, no máximo, 1.800 horas direcionadas para disciplinas na Formação Geral Básica; e, no mínimo, 1.200 horas para o Itinerário Formativo.
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“Precisamos repensar a escola”
A Educação está em transformação de diversas maneiras, e algumas delas foram antecipadas pela pandemia, segundo o presidente do Sindicato das Empresas Particulares de Ensino do Espírito Santo (Sinepe-ES), Moacir Lellis.
Para ele, as expectativas para o ano de 2022 são as melhores. Mas o modo com o conteúdo tem de ser passado para aluno do século XXI tem de ser repensado.
A Tribuna – Qual a expectativa para o ano que vem?
Temos sempre que pensar positivo e a expectativa para 2022 é a melhor possível. Nossas escolas investiram muito para atender os alunos e as famílias durante o isolamento social e depois com o ensino híbrido.
Sabemos que a pandemia não passou e não vai passar por agora. Mesmo assim, com todos os cuidados e protocolos de biossegurança, vamos voltando ao normal.
As famílias viram a necessidade dos filhos estarem em sala de aula. Não só pelo conteúdo pedagógico, já que vimos que a aprendizagem não é a mesma, quanto pelo lado da integração e da socialização.
Então, a nossa expectativa é que voltemos a um normal, um pouco diferente, com todos os cuidados necessários contra a doença. O mundo precisa voltar ao normal!
Podemos dizer que o pior já passou?
Acredito que está melhorando. Ficamos um período sem aulas, hoje temos o distanciamento e, assim, vamos melhorando e viabilizando as atividades nas escolas. Hoje temos um cenário bem diferente, com as pessoas se vacinando, o número de casos e mortes diminuindo e já estamos vacinando jovens de 12 a 17 anos.
A pandemia ainda não passou, mas temos de voltar às nossas atividades com todos os cuidados necessários. Por isso, precisamos que esses jovens de 12 a 17 anos se vacinem. A vacina é importante!
O que fica de aprendizado desse período?
Sabíamos que dentro de cinco anos esse modelo de educação teria de ser mudado. Isso foi antecipado. As escolas investiram muito em tecnologia, tiveram de se adequar e hoje fazem uma aula com transmissão simultânea. Outra coisa é que precisamos repensar a escola e a maneira que estamos gerindo. A maioria das pessoas que está na gestão das escolas é do século XX, só que os alunos que atendemos são do século XXI. Então, temos de pensar a escola para esses jovens. Temos que repensar a maneira que estamos transmitindo o conteúdo para esses jovens, seja no presencial ou no híbrido.
O que tem de mudar?
Uma das coisas que foi antecipada é a parte de tecnologia. A criança hoje, desde muito nova, tem habilidade com os dispositivos tecnológicos. Então as escolas e gestores têm de estar atentos a essas mudanças. Por isso, o Sinepe-ES periodicamente traz pessoas para falar sobre esse tema para as instituições repensarem.