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Saúde

Mounjaro pode reduzir risco cardíaco em diabéticos

Agência reguladora dos EUA aprovou o uso do medicamento para prevenir infarto e AVC em pacientes com diabetes tipo 2

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Beatriz Brandão

Beatriz Brandão é estudante de jornalismo na Universidade Federal do Espírito Santo e é repórter multimídia no jornal A Tribuna. Tem experiência em assessoria de imprensa, rádio e jornalismo digital.

Última atualização



A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, aprovou o uso do Mounjaro, da farmacêutica Eli Lilly, para prevenir infarto e acidente vascular cerebral (AVC) em diabéticos no país.

A nova indicação vale para adultos com diabetes tipo 2 que apresentam alto risco cardiovascular e foi baseada nos resultados do estudo SURPASS-CVOT, que acompanhou mais de 13 mil pessoas em 30 países e comparou o Mounjaro ao Trulicity, outro medicamento usado no tratamento da doença.

Na comparação, segundo a farmacêutica, o Mounjaro teve uma taxa 8% menor de eventos cardiovasculares graves.

O cardiologista Diogo Barreto, coordenador do serviço de cardiologia do Hospital Evangélico de Vila Velha, explica que o benefício está relacionado ao controle de fatores de risco da doença.

“O diabetes tipo 2 já aumenta o risco cardiovascular e, muitas vezes, vem acompanhado de obesidade, hipertensão e colesterol elevado. Quando conseguimos atuar nesses fatores, reduzimos o risco de infarto e AVC”.

A nova indicação, de acordo com a presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia no Espírito Santo, Maria Amélia Julião, representa uma mudança importante no tratamento do diabetes tipo 2.

“Historicamente, o tratamento era centrado quase que exclusivamente na redução dos níveis de glicose no sangue. Agora, passamos a adotar um modelo de proteção cardiovascular, renal e metabólica mais precoce”.

Para a endocrinologista Mariana Guerra, essa mudança é fruto da chegada de novas classes de medicamentos. “Hoje pensamos no que mais podemos fazer pelo paciente diabético além de baixar a glicose, e essas novas drogas têm trazido muitos outros benefícios”.

No Brasil, o uso do Mounjaro aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é para o tratamento do diabetes tipo 2 e controle crônico do peso.

A reportagem questionou a Eli Lilly sobre a possibilidade de solicitar à Anvisa a ampliação da indicação do medicamento no País, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.

Mais uma caneta é aprovada pela Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de uma nova caneta injetável no Brasil, o Yluméc, da farmacêutica EMS, para o tratamento do diabetes tipo 2.

O medicamento é à base de semaglutida, o mesmo princípio ativo de canetas como Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk, e Ozivy, também da EMS.

A fabricante detalhou, por meio de nota, que o medicamento estará disponível em canetas aplicadoras nas concentrações de 1,5 mL, com quatro aplicações de 0,25 mg ou 0,5 mg; e de 3 mL, com quatro aplicações de 1 mg ou 2 mg.

No registro publicado pela Anvisa, o Yluméc é classificado como medicamento similar e “clone” do Ozivy, não sendo um genérico de Ozempic ou Wegovy, apesar de utilizar a mesma substância.

A presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia no Espírito Santo, Maria Amélia Julião, explica que isso significa que o produto utiliza a mesma linha de produção e formulação técnica do medicamento base.

Porém, a substituição da medicação não deve ser feita sem orientação e avaliação médica.

“Podem existir diferenças nas indicações aprovadas em bula, nos componentes e na mecânica de cada caneta. Por isso, a decisão precisa ser individualizada e acompanhada pelo médico”, afirmou a especialista.

A empresa acrescentou que o preço, o planejamento comercial e o cronograma de lançamento seguem em definição.

O número 

13 mil pessoas participaram do estudo

Entenda 

Novo uso do Mounjaro

  • A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, ampliou a indicação do Mounjaro no país.
  • O medicamento, que já era autorizado para o controle da glicose em pacientes com diabetes tipo 2, agora também pode ser indicado para reduzir o risco de eventos cardiovasculares graves nesse grupo.

Indicação

  • A nova indicação é destinada a adultos com diabetes tipo 2 que apresentam alto risco cardiovascular.
  • Entre os eventos considerados estão morte por causas cardíacas, infarto não fatal e acidente vascular cerebral (AVC) não fatal.

Estudo

  • A decisão foi baseada no estudo SURPASS-CVOT, que acompanhou 13.299 pacientes com diabetes tipo 2 e doença cardiovascular estabelecida em 30 países.
  • Os participantes receberam Mounjaro ou Trulicity, outro medicamento usado no tratamento da doença.
  • No estudo, o Mounjaro apresentou uma taxa 8% menor de morte cardiovascular, infarto ou AVC em comparação ao Trulicity.

Como age

  • O princípio ativo do Mounjaro é a tirzepatida, que atua nos receptores dos hormônios GIP e GLP-1. Esses hormônios estão ligados ao controle da glicose e do metabolismo.
  • Na prática, a ação da tirzepatida ajuda o organismo a controlar melhor o açúcar no sangue e também favorece a perda de peso.
  • Com a melhora da glicemia e do peso, aliada ao controle de outros fatores de risco, como a hipertensão e alterações no colesterol, a sobrecarga sobre o sistema cardíaco também diminui.
  • Esse conjunto de efeitos ajuda a reduzir processos ligados à aterosclerose, que é o acúmulo de placas de gordura nas artérias e está por trás de muitos casos de infarto e AVC.

Efeitos colaterais

  • Segundo a farmacêutica Eli Lilly, o estudo não identificou novos problemas relevantes de segurança.
  • Os efeitos adversos mais comuns foram gastrointestinais, como náusea, vômito, diarreia e constipação, em geral leves ou moderados.

E no Brasil?

  • No Brasil, o Mounjaro já possui indicações aprovadas pela Anvisa, mas a inclusão específica da redução do risco cardiovascular na bula nacional depende de análise regulatória.
  • O comunicado da Lilly informa que dados do estudo estão em análise em outros mercados, mas não especifica se o Brasil está entre eles.



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