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Saúde

Diagnósticos de diabetes mais que dobram no Brasil

Levantamento do Ministério da Saúde mostra que o total de 5,5% de adultos com a doença em 2006 subiu para 12,9% em 2024

Diagnósticos de diabetes mais que dobram no Brasil
- André Costa Pereira foi diagnosticado com diabetes tipo 2 ainda na juventude
Foto de perfil de Will Anholetti

Will Anholetti

Will Anholetti é jornalista formado pelo Centro Universitário Faesa e pós-graduado em Língua Portuguesa e docência no Ensino Superior. Repórter multimídia, escreve para A Tribuna e Tribuna Online.

Última atualização



O Brasil assiste ao aumento de casos de diabetes, que mais que dobraram em 18 anos. É que, de acordo com a edição mais recente do Vigitel, levantamento do Ministério da Saúde realizado nas capitais brasileiras e no Distrito Federal, a proporção de adultos que relatam diagnóstico de diabetes passou de 5,5%, em 2006, para 12,9%, em 2024, um crescimento de 135%.

No mesmo período, também aumentaram os registros de hipertensão, obesidade e excesso de peso. Os dados alertam para a prevenção e o acompanhamento contínuo de doenças que podem evoluir silenciosamente.

A endocrinologista Cintia Freitas Quintão, da Unimed Vitória, ressalta que o crescimento dos diagnósticos deve ser observado também sob a perspectiva das mudanças na população e do aumento da testagem.

“O diabetes reflete o envelhecimento populacional e a maior testagem, mas também alerta para a urgência da prevenção”, afirma.

Para o tipo 2 da doença – que representa cerca de 90% dos casos – histórico familiar, obesidade, sedentarismo e hipertensão estão entre os principais fatores de risco.

Na avaliação da endocrinologista e metabologista Priscila Pessanha, a atenção a esses fatores permite agir antes que o quadro avance.

“Quando identificamos os gatilhos e fatores de risco de doenças crônicas, conseguimos intervir de forma mais rápida e eficaz, evitando desfechos piores”, explica.

A médica destaca ainda que o diabetes pode permanecer sem manifestações evidentes por um longo período. Por isso, a busca por atendimento não deve acontecer somente quando surgirem sinais de agravamento.

O coordenador de Nefrologia da Rede Meridional, Sérgio Gobbi, também chama atenção para a evolução silenciosa da doença e para a necessidade de acompanhamento.

“Para controlar a doença e prevenir o agravamento, recomenda-se, de maneira geral, manter uma alimentação equilibrada, praticar exercícios físicos regularmente e manter o peso dentro de níveis saudáveis, além de realizar acompanhamento médico periódico para monitorar os níveis de glicose e tratar doenças associadas, como a hipertensão”.

A identificação da doença é feita por exames laboratoriais que avaliam os níveis de glicose no sangue. A glicemia de jejum e a hemoglobina glicada estão entre os exames utilizados.

Mais do que acompanhar a evolução dos números, os especialistas defendem que o avanço do diabetes seja encarado como um sinal para fortalecer ações de prevenção, ampliar o diagnóstico precoce e manter o acompanhamento de quem já apresenta fatores de risco.

Acompanhamento e medicamentos

O diagnóstico de diabetes tipo 2 pegou o radialista André Costa Pereira, de 48 anos, de surpresa, há cerca de 20 anos. Na época, ele não fazia acompanhamento médico regular, apesar de já ter o pai com a doença.

Os primeiros sinais foram perda de peso, sede excessiva e vontade frequente de urinar.

“Foi a perda de peso expressiva (12 quilos em três meses) que me levou a desconfiar que eu estava com algum problema de saúde”, conta.

Ao procurar um médico, descobriu o diabetes e precisou ser levado de ambulância para um hospital. “Como eu era jovem, não estava preocupado com isso, me sentia muito bem”, lembra. Hoje, ele mantém acompanhamento periódico e usa medicamentos para controlar a doença.

O que é?

O diabetes é uma doença crônica caracterizada pelo nível alto de açúcar (glicose) no sangue.

Tipos de diabetes

  • Tipo 1: Doença autoimune em que o corpo não produz insulina; costuma aparecer na infância ou juventude.
  • Tipo 2: O corpo não usa bem a insulina ou não produz o suficiente; responde por cerca de 90% dos casos e está muito ligado a hábitos de vida.

Diagnóstico

O paciente pode apresentar quadro de tonteira, cefaléia, visão turva, perda de peso excessiva, e os “polis”: poliúria (urina muito), polifagia (come muito) e polidpsia (tem muita sede).

Assim, é feito por exames de sangue que medem a glicemia. Entre eles estão o exame de glicose em jejum e a hemoglobina glicosilada.

Também podem ser utilizados o teste de hemoglobina glicada ou o teste oral de tolerância à glicose.



Fatores de risco

No diabetes tipo 2, o tipo mais comum (cerca de 90% dos casos), está associado a:

  • Sobrepeso ou obesidade.
  • Histórico familiar de diabetes ou diabetes gestacional.
  • Idade superior a 45 anos.
  • Hipertensão arterial e colesterol ou triglicerídeos elevados.
  • Sedentarismo (praticar exercícios menos de 3 vezes por semana).
  • Diagnóstico prévio de pré-diabetes ou síndrome dos ovários policísticos.
  • O diabetes tipo 1 tem como causa genética seu principal fator de risco.

Prevenção e manejo

Para controlar a doença e prevenir o agravamento, recomenda-se, de maneira geral:

  • Manter uma alimentação equilibrada, reduzindo o açúcar e gorduras saturadas.
  • Praticar exercícios físicos regularmente.
  • Manter o peso dentro de níveis saudáveis.
  • Realizar acompanhamento médico para monitorar os níveis de glicose e tratar doenças associadas.



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