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Polícia

Pedófilos usam códigos para atrair crianças na internet

Diversos emojis são usados por pedófilos para iniciar contato com a vítima e para comunicação entre os próprios criminosos

Pedófilos usam códigos para atrair crianças na internet
- Símbolos indicam que os pedófilos têm algum tipo de interesse na imagem infantil publicada na rede social
Foto de perfil de Fernanda Coutinho

Fernanda Coutinho

Fernanda Coutinho é jornalista formada pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), em 2007, e tem aproximadamente 20 anos de experiência na profissão. É repórter multimídia das editorias de Cidades e Polícia do Jornal A Tribuna, com reportagens também publicadas no portal Tribuna On-line. Escreve reportagens especiais semanais para a editoria de Polícia do Jornal A Tribuna. Tem experiências com apresentações de podcasts e videocasts, além da participação ao vivo em telejornais da TV Tribuna, em colaboração com apresentadores, em casos de repercussão. Na função de redatora, atuou por 9 anos em editorias como Polícia, Cidades, Economia e Política do jornal impresso.

Última atualização



Emojis de pizza, pirulito, macarrão instantâneo, queijo, milho, espiral azul e personagens infantis podem ser usados por aliciadores para iniciar contato com crianças e adolescentes na internet e para se comunicarem uns com os outros, identificando possíveis vítimas.

Segundo especialistas, os símbolos indicam que os pedófilos têm algum tipo de interesse na imagem infantil publicada na rede social e os emojis são usados para comunicar isso a outros criminosos, de forma “velada”.



O delegado Ícaro Olimpio, adjunto da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), explica que, aos poucos, eles vão introduzindo assuntos sexuais, piadas, fotos sugestivas, comentários maliciosos, até o ponto em que começam a pedir fotos para essa criança.

“Já tivemos casos em que o indivíduo se utilizou, não só enviando para essa criança, mas como foto de perfil, a imagem da Sininho, a fada do Peter Pan. Eles tentam sempre utilizar elementos que lembram o universo infantil”.

Para a psicóloga e advogada Sátina Pimenta, o predador tenta ocupar espaço, oferecendo justamente aquilo que percebe que está faltando: presentes, elogios, atenção constante, promessas ou uma sensação de exclusividade.

“Do ponto de vista psicológico, o aliciamento acontece, muitas vezes, quando existe algum tipo de escassez ou necessidade não atendida. Essa falta pode ser material, mas também pode ser afetiva: ausência de atenção, de pertencimento, de reconhecimento, de escuta ou de vínculos seguros”.

Para Emir Pinho, especialista em Segurança Pública e Privada, o comportamento deve ser observado além dos símbolos. “O principal indicador está no comportamento: aproximação insistente, pedidos de segredo, sexualização progressiva, solicitação de imagens, chantagem ou tentativa de isolamento.”

Ícaro Olimpio orienta preservar conversas, capturas de tela, números de telefone e nomes de usuário e não apagar imediatamente a conta ou confrontar o suspeito. O delegado recomenda registrar o boletim de ocorrência, para que os casos sejam investigados.

Diálogo é apontado como ferramenta de prevenção

A atenção deve ser redobrada quando a criança passa a esconder a tela ao ser observada, troca senhas com frequência, demonstra irritabilidade ou ansiedade, se afasta dos pais e amigos ou apresenta queda no rendimento escolar. Autolesões também podem indicar que algo está acontecendo.

Por isso, o diálogo é apontado como uma ferramenta de proteção. “É importante destacar que a responsabilidade pelo crime é sempre do agressor. Quando há presença familiar, diálogo, supervisão adequada e espaços seguros de escuta, diminui-se o terreno para que pessoas mal-intencionadas ocupem esse lugar”, diz a psicóloga e advogada Sátina Pimenta.



O delegado Ícaro Olimpio, adjunto da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), observa que o ideal é a criança não passar tanto tempo com dispositivo eletrônico. E mais ideal ainda é que o tempo em que ela passar com esse dispositivo, que ela esteja sob vigilância dos pais ou responsáveis.

“E observar se essa criança desliga rapidamente a tela quando os pais se aproximam, se ela muda senhas dos dispositivos eletrônicos com frequência, a irritabilidade que essa criança mostra, ansiedade”, destaca o delegado.

A juíza de Direito da Vara Especializada em Crimes Contra a Criança e o Adolescente, Letícia Saúde, também destaca a importância da prevenção.

Ela afirma que, de forma geral, é importante destacar que a prevenção ao aliciamento de crianças e adolescentes no ambiente virtual exige uma atuação integrada entre família, escola, sociedade e órgãos de proteção.

“A internet amplia as possibilidades de contato e aproximação.

Por isso é fundamental que pais e responsáveis acompanhem, dentro do possível, os ambientes virtuais frequentados pelos filhos, estejam atentos a mudanças de comportamento e orientem sobre os riscos de interações”.

Alguns símbolos e seus significados



Esconder a tela pode ser sinal de alerta

Aliciamento

O criminoso inicia uma aproximação, conquista a confiança da vítima e pode avançar para conversas sexualizadas, pedidos de fotos, chantagens e tentativas de isolamento.

Emojis, personagens e outros elementos infantis podem ser usados para chamar atenção ou sinalizar interesse.

Ambientes virtuais

Redes sociais, aplicativos de mensagens, jogos on-line e outros ambientes virtuais são alguns locais onde ocorre esse contato.

Sinais

Esconder a tela, trocar senhas com frequência, irritabilidade, ansiedade, afastamento de familiares e amigos, queda no rendimento escolar, pedidos de segredo, aproximação insistente de desconhecidos, sexualização das conversas, solicitação de imagens, chantagem e tentativa de isolamento.

Prevenção

Diálogo entre pais e filhos, supervisão adequada do uso de dispositivos, acompanhamento dos ambientes virtuais frequentados, orientação sobre riscos das interações e atenção a mudanças de comportamento.

Família, escola, sociedade e órgãos de proteção devem atuar de forma integrada.

Onde denunciar

Disque 100: Ligue para o número 100 do governo federal para fazer denúncias anônimas de violação de direitos humanos.

procure a delegacia mais próxima e registre boletim de ocorrência.



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