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Mais de dois milhões de pessoas trabalham e ES bate recorde, diz IBGE

Foram 71 mil ocupados a mais em três meses, enquanto desemprego caiu para 2,3%, menor taxa da Região Sudeste e a 3ª menor do País

Mais de dois milhões de pessoas trabalham e ES bate recorde, diz IBGE
- Carteira de Trabalho mostra só parte do cenário: recorde engloba informais e pessoas que atuam por conta própria
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Gustavo Andrade

Jornalista formado pelo Centro Universitário Faesa, atua como repórter multimídia no jornal A Tribuna e portal Tribuna Online, com foco na editoria de Economia e produção de reportagens especiais. Escolheu a profissão por sempre gostar de escrever, além da paixão por esportes e música. Possui experiência também com assessoria de imprensa e produção de vídeos.

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O Espírito Santo bateu recorde e chegou a 2,080 milhões de moradores ocupados no segundo trimestre deste ano, sendo o maior quantitativo entre todos os trimestres da série histórica iniciada em 2012, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A população ocupada inclui, por exemplo, funcionários com carteira assinada, empregadores e empreendedores. Foram cerca de 71 mil ocupados a mais que no primeiro trimestre, enquanto o número de desocupados caiu em torno de 17 mil pessoas.

A taxa de desocupação recuou de 3,2% para 2,3%, a terceira menor do País e a menor do Sudeste

No País, foram 103,1 milhões de ocupados ao fim do período.

A taxa de desocupação chegou a um nível historicamente baixo e mostra que a maior parte dos trabalhadores que busca uma oportunidade consegue se inserir rapidamente no mercado, destacou o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza.

“Nesse cenário, o desafio passa cada vez mais pela qualidade das ocupações e pela capacidade de atender à demanda das empresas por mão de obra”, explicou.

O resultado revela um mercado de trabalho muito aquecido e próximo do chamado pleno emprego, apontou o economista Vaner Corrêa. “Ele favorece a renda das famílias, o consumo, a arrecadação e a redução da vulnerabilidade social. Também fortalece o poder de negociação do trabalhador”, disse.

Os setores com maior ocupação no segundo trimestre deste ano foram comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas, e agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura.

O comércio possui participação elevada porque é intensivo em trabalho e está presente em todos os municípios, detalhou Corrêa.

Sobre a agricultura, ele lembrou que a colheita do café é especialmente relevante no primeiro semestre e ajuda a explicar o salto em relação ao trimestre anterior.

O economista e diretor da Faculdade Capixaba de Negócios (Facan), Marcelo Loyola Fraga, destacou que o dado também é reflexo do bom desempenho da economia estadual.

“O desafio agora é transformar esse avanço quantitativo em empregos de maior qualidade, produtividade e renda”, disse.

Mercado exige qualificação e pode atrair mão de obra de fora

O número recorde de moradores ocupados no Estado exige uma política muito mais forte de qualificação, com aumento de produtividade e atração das pessoas que estão fora da força de trabalho, segundo Fernando Otávio Campos, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado.

“Se a economia capixaba continuar crescendo e não conseguirmos ampliar a oferta local de mão de obra, alguns setores poderão ter que intensificar a atração de trabalhadores de outros estados”, disse.

O Estado começa a enfrentar um desafio típico de mercados aquecidos, destacou o presidente do Conselho Regional de Economia do Estado, Ricardo Paixão. “Necessidade de encontrar profissionais com o perfil adequado e conferir às vagas a atratividade necessária para o seu preenchimento”.

Informalidade ainda pesa

Embora a maior parte dos trabalhadores do Estado esteja em ocupações formais, a informalidade ainda tem peso importante no mercado de trabalho capixaba, apesar do dado nacional de 2025 de que 35% tinham empreendimento registrado no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ).

No segundo trimestre de 2026, a taxa de informalidade foi de 40,0%, acima da média nacional de 37,4%.



“A flexibilidade de algumas atividades, inclusive as mediadas por plataformas digitais, pode atrair trabalhadores para ocupações informais. Dificuldades para conseguir uma ocupação formal, como a falta de qualificação para determinadas vagas, também podem contribuir para esse cenário”, explicou Suiani Febroni, gerente de inteligência de dados e pesquisa do Observatório Findes.

É preciso criar condições para que o trabalho formal seja competitivo tanto para quem contrata quanto para quem trabalha, destacou Fernando Otávio Campos, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado (ABIH-ES). “Precisamos reduzir o custo e a complexidade da formalização, modernizar as relações de trabalho permitindo maior flexibilidade negociada com segurança jurídica e ampliar a qualificação”.

Os dados do recorde

Pessoas ocupadas

2,080 milhões, sendo o recorde da série trimestral, com aumento de aproximadamente 71 mil frente ao primeiro trimestre.

A taxa de desocupação foi de 2,3%, mínima histórica do Estado, menor do Sudeste e terceira menor entre todos os estados do País.

O rendimento real médio foi de R$ 3.637, permanecendo estável e abaixo da média nacional de R$ 3.738.

A taxa de informalidade, que representa a proporção de trabalhadores informais entre o total de ocupados, alcançou 40% no Estado no segundo trimestre de 2026, permanecendo acima da média nacional, de 37,4%.

O setor de Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas teve 18,4% de participação no número de pessoas ocupadas, segundo por Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, com 14,4%. O setor de Indústria geral teve 9,7%.

Análise 

“Os resultados de ocupação indicam que a economia capixaba mantém ritmo elevado de atividade. Os indicadores apontam para um mercado de trabalho aquecido, com ampliação das oportunidades e maior demanda por trabalhadores.



Esse movimento está ligado ao desempenho da economia e aos investimentos realizados no Estado nos últimos anos, em diferentes municípios e setores.” – Antonio Ricardo Freislebem, diretor-geral do Instituto Jones dos Santos Neves



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