- Vitória, ES 24°C

Vitória 24°C

Publicidade: Combate os sintomas da gripe
Agenda Cultural

Festa junina: bairros da Grande Vitória mantêm a tradição dos antigos arraiás

Comunidades da Grande Vitória organizam festas com quadrilhas, comidas típicas e forró neste mês e em julho

Festa junina: bairros da Grande Vitória mantêm a tradição dos antigos arraiás
- Moradores de Nova Almeida, Serra, Matheus e Ana Flávia, Márcio Victor e Anna Pyetra, Layla e Anderson participam do Arraiá Morro São João
Foto de perfil de Camila Lima

Camila Lima

Jornalista formada pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua há 7 anos no jornal A Tribuna. Integrante da editoria de Cidades, tem como principal foco a cobertura de saúde, área na qual construiu sólida experiência em reportagens, entrevistas e coberturas de eventos pelo Brasil. Apresenta o podcast Fala, Doutor, dedicado a levar informação acessível e de qualidade sobre medicina e bem-estar ao público.

Última atualização


Tem quadrilha? Tem! E quentão? Tem também! Bandeirinhas coloridas, milho, forró e muita animação completam o cenário de um dos períodos mais festivos do ano.

Em diversos bairros da Grande Vitória, os tradicionais arraiás em homenagem a São João continuam reunindo moradores de todas as idades e mantendo viva uma tradição que atravessa gerações.

Há grupos de quadrilha que levam a festa bem a sério. Eles percorrem várias comunidades apresentando a dança com um figurino bem caprichado, além de participarem de concursos.

O Arraiá Morro São João, de Nova Almeida, na Serra, por exemplo, ano passado participou do Serraiá, concurso de quadrilhas da Serra. Fabiana Rodrigues, de 46 anos, é a organizadora e fundadora do Morro São João, fundado no dia 13 de julho de 2024.

“A ideia surgiu com o objetivo de tirar as crianças da rua, promover a integração da comunidade e manter viva a cultura popular e as tradições juninas.”

Neste ano, o evento acontece dia 11 de julho e conta com a participação de dezenas de moradores, entre crianças, jovens e adultos, como Matheus de Jesus, Ana Flávia Armindo, Márcio Victor, Anna Pyetra, Layla de Paulo e Anderson Figueiredo .

“Nosso arraiá mantém as tradições juninas. Temos quadrilha, casamento caipira com noivos e padrinhos, comidas típicas, apresentações culturais e toda a alegria que faz parte dessa festa tão importante para a cultura brasileira. Mais do que uma festa, é um momento de união, inclusão e valorização das nossas raízes”, reforça Fabiana.

Já em Vitória, a Escola de Samba Andaraí está se organizando para realizar no dia 18 de julho, às 16 horas, no Campo do Caxias, o tradicional Arraiá da Venenosa, com entrada de 1 kg de alimento não perecível.

Mas de onde surgiu essa festa, tão esperada no mês de junho? Segundo o professor Antônio Carlos Moraes, pesquisador de Folclore e Cultura Popular e diretor de Artes Cênicas do Grupo Andora, as festas chegaram com os portugueses, no período colonial, e depois foram ampliadas de forma significativa com a chegada de D. João VI no início do século 19.

“Mas o ponto forte é a devoção a São João. Por isso é incorreto dizer festa Julina quando é realizada no mês de julho. Festa Junina quer dizer Festas Joaninas (Festa de São João). Com a chegada de franceses nas escolas brasileiras no século 19, a quadrilha é incorporada às festas juninas.”

Grupo formado em igreja se destaca

Há 17 anos, a partir do arraiá da Comunidade São João Batista, de Feu Rosa, da Paróquia São José de Calasanz, na Serra, nascia a quadrilha Juntos e Misturados – que até 2022 tinha como nome “Arraiá nóis é o trem”.

O intuito do grupo, segundo André Medina, organizador atual da quadrilha Juntos e Misturados, era reunir os jovens da igreja para se apresentarem na festa da igreja, que acontecia todo ano, em junho.

Só que em 2023, o grupo teve a oportunidade de dançar em outros locais, além da comunidade. “A partir daí começamos a dançar em diferentes bairros e cidades entre junho e agosto”, contou André, que participa do grupo desde os 10 anos.

Hoje, aos 21 anos, ele comanda 40 quadrilheiros, com idades entre 14 e 23 anos, entre eles Wanderson Corrêa, 19, Júlia Caser, 18, e Ytauana Oliveira, 16, que há três meses estão ensaiando toda semana. O sucesso do grupo é tanto que, no ano passado, participaram do Serraiá, concurso de quadrilhas da Serra.

Este ano, o grupo está com mais de 10 apresentações agendadas entre este mês e o mês de julho.

“Nós começamos a nos organizar todo final de fevereiro com as inscrições e a preparação de passos e remix da nossa quadrilha. Infelizmente, este ano não teremos um arraiá próprio, mas projetos futuros estão vindo”, afirmou André.

Saiba Mais 

História

  • As festas juninas têm origem na Europa e chegaram ao Brasil trazidas pelos portugueses durante o período colonial. Em países como Portugal, especialmente na cidade do Porto, a celebração de São João é uma das festas mais populares até hoje. No passado, comemorações semelhantes também eram muito tradicionais em regiões da França.

Nome

  • O nome festa junina vem justamente do mês de junho, período em que tradicionalmente acontecem as celebrações dedicadas a três santos muito populares na tradição católica: Santo Antônio (13 de junho), São João (24 de junho) e São Pedro (29 de junho).
  • Alguns historiadores apontam que, inicialmente, a comemoração era chamada de festa joanina, em referência a São João Batista. Com o tempo, o nome passou a ser associado ao mês em que as festividades aconteciam, dando origem ao termo festa junina.

Mês

  • Embora sejam conhecidas como festas juninas, as comemorações frequentemente se estendem para julho e, em algumas regiões, até agosto, devido a grande quantidade de eventos organizados por escolas, igrejas, bairros e comunidades, que acabam distribuindo as festividades ao longo de várias semanas.


Mais Lidas

Ver tudo ›