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Agenda Cultural

Orquestra de cantores cegos estreia espetáculo em Vitória

A nova apresentação reúne cantos de trabalho de populações rurais e tradicionais, povos indígenas e quilombolas

Foto de perfil de Pedro Henrique Oliveira

Pedro Henrique Oliveira

Pedro Henrique Oliveira é jornalista formado pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso (UNIFACHA), no Rio de Janeiro, e pós-graduando em Comunicação Corporativa. Com experiência em cobertura local, acompanha o cotidiano de Guarapari, Anchieta e Piúma, produzindo matérias sobre política, economia, turismo e cultura.

Última atualização


O palco do Theatro Carlos Gomes, no centro de Vitória, recebe entre quarta-feira (9) e sexta-feira (11) a estreia do quarto repertório da Orquestra Brasileira de Cantores Cegos.

Reconhecido nacionalmente, o projeto conta com uma proposta inovadora de valorização da cultura brasileira por meio da música, acessibilidade e inclusão.

O novo espetáculo cênico-musical reúne cantos de trabalho de populações rurais e tradicionais, povos indígenas e comunidades quilombolas. A proposta é levar o público a uma viagem por diferentes territórios do País, com canções que atravessaram gerações e carregam histórias de trabalho, memória, resistência e vida em comunidade. As apresentações são gratuitas e contam com audiodescrição e intérpretes de Libras.

Idealizadora do projeto e diretora artística, Rejane Arruda explica que a presença dos cantores cegos também influencia diretamente a construção da cena.

Em vez de esconder a condição dos artistas, a montagem a transforma em elemento estético e performático.

“Eu sempre brinco com eles que eles têm um a mais, e não um a menos, porque esse ‘não ver’ implica numa performatividade, numa tematização do olhar, da existência e da percepção do mundo”, afirma.

Um dos recursos explorados é a bengala. Em determinado momento, os 17 cantores fecham os equipamentos simultaneamente em meio ao silêncio. Em outro, entram juntos no palco, fazendo com que o movimento das bengalas ganhe destaque na cena. Os deslocamentos também são usados para criar uma sensação de multidão e errância.

O repertório segue essa ideia de movimento. Segundo Rejane, as canções “são como pássaros, que vão para territórios diferentes, elas voam”. Muitas foram transmitidas oralmente e também acompanharam os deslocamentos das populações por diferentes regiões brasileiras.

O Espírito Santo também está representado com as canções de congo “Quebra Gabiroba” e “Adeus Meu Pessoal”, tradicionalmente transmitidas pela Banda de Congo Panela de Barro de Goiabeiras.

A montagem combina canto coral, teatro e dança contemporânea. No palco, um olho d’água, folhas e bonecas integram a cenografia, enquanto os artistas da Cia Poéticas da Cena Contemporânea auxiliam nos deslocamentos dos cantores.

Saiba Mais 

Orquestra Brasileira de Cantores Cegos – 4º repertório

  • Quando: De quarta-feira (9) a sexta-feira (11).
  • Onde: Theatro Carlos Gomes. Rua Barão de Itapemirim, 232, Praça Costa Pereira, Centro, Vitória.
  • Ingressos Gratuitos: https://lnk.bio/obrcc. Pessoas com deficiência podem fazer reserva e combinar condições de acolhimento pelo WhatsApp da Soca Brasil, no (27) 99609-8181.

Programação

  • Quarta-feira: Sessão única de estreia às 20 horas.
  • Quinta-feira: 1ª sessão às 15 horas e 2ª sessão às 20 horas.
  • Sexta-feira: 1ª sessão às 15 horas e 2ª sessão às 20 horas.

Espetáculo

  • O espetáculo reúne cantos de trabalho de populações rurais e tradicionais, povos indígenas e comunidades quilombolas de diferentes regiões do Brasil.
  • A montagem explora a presença dos 17 cantores cegos em cena, utilizando bengalas, deslocamentos e movimentos coletivos como elementos estéticos e performáticos.
  • O repertório aborda temas como memória, resistência, identidade, saudade, comunidade e deslocamento por meio de canções transmitidas entre gerações.
  • O Espírito Santo está representado pelas canções de congo “Quebra Gabiroba” e “Adeus Meu Pessoal”, da Banda de Congo Panela de Barro de Goiabeiras.
  • A apresentação combina canto coral, teatro e dança contemporânea, com cenografia que inclui um olho d’água, folhas e bonecas.
  • O espetáculo conta com audiodescrição, intérpretes de Libras e estrutura acessível no Theatro Carlos Gomes.



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