Ao acreditar no poder da educação para transformar vidas e mudar a sociedade, alunos e professores revelam histórias que inspiram e apontam caminhos possíveis para um futuro com mais oportunidades e esperança.
Uma das histórias é a da estudante de Direito Andressa Moura. Hoje, aos 21 anos, ela está no 6º período da faculdade, com bolsa integral na Fucape, e faz estágio em um escritório de advocacia.
Natural de São Gabriel da Palha, Andressa estudou em escola pública até o 9º ano.
Com boas notas e destaque em premiações escolares do município, ela chamou a atenção de uma professora aposentada, que lhe apresentou o Instituto Ponte.
Foi por meio desse projeto que, em 2019, ela conseguiu uma bolsa integral para cursar o ensino médio e fazer um curso de inglês, mas teria que ser em Vitória.
“Na época, minha mãe e meu padrasto, que trabalhavam em fábricas na nossa cidade, deixaram os empregos deles para se mudarem comigo para Vitória, já que eu tinha 15 anos apenas”.
O padrasto, segundo ela, passou a trabalhar como motorista de caminhão. Já a mãe, como auxiliar de serviços gerais.
“Eles acreditaram tanto em mim que também sinto que os inspirei de alguma forma. Minha mãe, que só tinha estudado até a 4ª série, conseguiu agora terminar o ensino médio. Meu padrasto também está finalizando o ensino médio. Tenho muito orgulho deles e gratidão, pois sei que nada teria acontecido sem o apoio incondicional da minha família”.
Ela destacou que a trajetória hoje já inspira outros familiares, que também acreditam na educação como transformação.
“Minhas primas ligam para contar sobre as notas, o desempenho. Uma delas quer ser médica. Acho importante como o exemplo pode fazer a diferença”.
Cada vez mais perto de concluir o curso de Direito, sonho que a acompanha desde os 5 anos de idade, ela já pensa em atuar futuramente na área cível e empresarial.
“A advocacia sempre fez parte do meu desejo de ser útil, de ajudar e de facilitar a vida das pessoas”, finalizou.
Meninos de ouro
Superação
Com apenas 14 anos, o estudante Arthur Maia é exemplo de superação e talento. Ele sempre estudou em escola pública até conquistar, por mérito próprio, uma bolsa no colégio Primeiro Mundo, por meio do Instituto Ponte.
E a sua dedicação rendeu frutos: foi medalhista na Olimpíada Brasileira de Matemática, com prata nacional e ouro regional, e ficou em 3º lugar em um concurso interno de oratória, que lhe garantiu uma viagem a São Paulo, em novembro, e um prêmio em dinheiro.
Arthur, hoje, exibe um título ainda mais importante: o de orgulho para toda a família, incluindo tios e primos. “A educação já mudou minha vida. Para o futuro, meu sonho é cursar Engenharia na área de tecnologia em São Paulo”.
Vaga em Medicina
Desde a creche até o ensino médio, Davi da Silva Marques, de 21 anos, percorreu toda a sua trajetória educacional na rede pública, até conquistar uma vaga no Ifes, onde cursou Técnico em Estradas.
Foram três tentativas no Enem, entre 2022 e 2024, todas para Medicina. Na última, decidiu mudar: abriu mão do cursinho tradicional. Estudou por conta própria e fez cursos específicos em algumas áreas. Dividia os estudos entre casa e a biblioteca da Ufes, em Maruípe, Vitória, em busca de um ambiente mais silencioso.
Sem condições de pagar uma faculdade particular, apostou tudo no sonho da universidade pública. E conseguiu: foi aprovado neste ano em Medicina na Ufes.
Projetos
Pequenos sustentáveis
Foi com uma ideia de trabalhar temas relacionados à sustentabilidade que a diretora pedagógica da Escola Novo Mundo, Mara Zanotti, começou, em 2024, a estruturar o projeto Pequenos Sustentáveis. Foram meses de visitas, com os alunos do ensino infantil, a mangue, feiras-livres, peixarias e parques. O lixo também virou brinquedo nas escolas.
“O projeto mudou o comportamento das famílias, na destinação do lixo, e da própria escola, que hoje opta por materiais que possam ser reutilizados”.
Os esforços resultaram no 1º lugar para o projeto na premiação Sinepe em Ação, na categoria Educação Infantil.
Mini-histórias
Professora há 19 anos, Priscilla Castro dos Santos iniciou, em 2022, um projeto voltado para registros do cotidiano e da aprendizagem das crianças, no Cmei Cecília Meireles, em Vitória. Com o projeto de mini-histórias, ela conquistou o prêmio Educadora Nota 10, em 2023. Um livro também foi publicado com as narrativas, na época.
Até hoje, as mini-histórias são publicadas semanalmente no grupo de WhatsApp das famílias. “Elas também ficam nas paredes da sala como forma de fazer com que as crianças se reconheçam enquanto protagonistas”.