O nutricionista Evandro Doriquetto, de 38 anos, é pai de Enrico, um menino de apenas 1 ano e 2 meses que emocionou os familiares ao resistir a 22 paradas cardíacas após uma cirurgia no coração.
“Disseram que nosso filho estava morto, mas não perdemos a fé”, afirma Evandro.
Natural de Cachoeiro de Itapemirim, Sul do Estado, Enrico nasceu com uma cardiopatia congênita. A primeira cirurgia para correção do problema ocorreu na última sexta-feira, em um hospital de Vitória. O procedimento já era esperado. Segundo o pai, a operação correu bem, e o menino chegou a se alimentar normalmente.
Porém, mais de 48 horas após a cirurgia, Enrico sofreu a primeira parada cardíaca. “A partir dali, vieram várias, algumas com poucos minutos de intervalo”, conta.
No total, foram registradas 22 paradas cardíacas. Na última, os médicos informaram que não havia mais sinais de vida. “Disseram que os batimentos estavam praticamente zerados e que não havia mais o que fazer. Desligaram os aparelhos e nos orientaram a nos despedir”, relata Evandro.
Durante cerca de uma hora, ele e a esposa, Eliza Bravin, permaneceram com o filho no colo. A equipe havia deixado o quarto. Quando retornaram, o pai disse que havia notado que Enrico respirava.
Inicialmente, a médica responsável acreditou que se tratava de reflexos involuntários. No entanto, ao observar com mais atenção, identificou sinais sutis de batimentos cardíacos. “Ela verificou a pressão e disse: ‘Pai, o seu filho quer viver’”, lembra Evandro.
Após novos exames, os profissionais constataram um bloqueio no coração da criança, provocado pela ausência de marca-passo. Diante do quadro, decidiram realizar uma segunda cirurgia de emergência, para a instalação do dispositivo.
Desde então, Enrico permanece na UTI, sob acompanhamento contínuo. A família pede orações e agradece o apoio recebido. “A cada dia, vejo a força que ele tem. Deus está agindo”, reforça o pai.
Por meio de nota, a Unimed Vitória, responsável pela unidade onde menino Enrico segue internado, informou que a criança continua em tratamento, e não divulgou o estado de saúde do paciente, em cumprimento ao Estatuto da Criança e do Adolescente.
“Prova de que milagres existem”
Evandro Doriquetto é nutricionista, tem 38 anos e carrega no peito a força de um pai que se recusa a desistir. Morador de Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Estado, viu sua fé ser colocada à prova ao acompanhar de perto a luta do filho Enrico pela vida. “Quando a medicina dizia não, nosso amor dizia sim”, declarou.
O que eles dizem
Cardiopatia
“A cardiopatia congênita é uma malformação estrutural do coração, presente desde o nascimento, e pode comprometer o funcionamento cardiovascular do bebê. Em casos como o de Enrico, essas alterações afetam o fluxo sanguíneo e exigem correções cirúrgicas ainda nos primeiros meses ou anos de vida”.
Lição de vida
“Enrico nos ensinou mais do que qualquer livro ou protocolo. Ver um bebê tão pequeno enfrentar o que ele passou nos emociona. Nós, médicos, muitas vezes lidamos com números, exames e decisões urgentes, mas histórias como a dele nos lembram do essencial: por trás de cada prontuário, existe uma vida cheia de amor, um colo de mãe, um olhar de pai”.
A tribuna – Como foi ouvir que seu filho não tinha mais sinais de vida?
Evandro Doriquetto – Foi como se o chão sumisse. Mas, mesmo sem batimentos, eu não senti que era o fim. Quando a medicina dizia não, nosso amor dizia sim.
O que passou na sua cabeça durante as paradas cardíacas?
Cada uma era um soco no coração. Ver seu filho apagar e voltar tantas vezes é uma dor sem nome. Mas eu estava ali, inteiro por ele.
Como foi quando perceberam que Enrico estava vivo?
Inacreditável. Ele estava no nosso colo e, de repente, notei que havia movimento. A médica voltou e disse: “Pai, o seu filho quer viver”. Foi como ouvir um milagre.
O que ele representa para vocês hoje?
Ele é prova viva de que milagres existem. Um guerreiro. Um pequeno grande herói.
Como tem sido a rotina desde a cirurgia?
Estamos vivendo um dia de cada vez. Ele segue na UTI, mas é forte. E nós seguimos firmes com ele.
Qual mensagem você deixaria para outras famílias que enfrentam situações parecidas?
Não soltem a mão dos seus filhos. Mesmo quando tudo parece perdido, ainda há espaço para o impossível acontecer.