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Cidades

Apreensão de remédios falsos preocupa médicos no Espírito Santo

Anvisa recolhe lotes irregulares de toxina botulínica e de um medicamento para câncer. Especialistas alertam para os riscos

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Will Anholetti

Will Anholetti é jornalista formado pelo Centro Universitário Faesa e pós-graduado em Língua Portuguesa e docência no Ensino Superior. Repórter multimídia, escreve para A Tribuna e Tribuna Online.

Última atualização


A apreensão de toxina botulínica e de medicamentos falsificados usados no tratamento de câncer de mama, determinada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nesta semana, acendeu um alerta entre médicos sobre os riscos que produtos sem garantia de origem podem representar aos pacientes.

O medicamento apreendido para o tratamento da doença faz parte de um lote falsificado do Phesgo. Segundo a Anvisa, a própria fabricante, Produtos Roche Químicos e Farmacêuticos, informou ter identificado, no mercado formal, unidades com características diferentes das do produto original.

Para a oncologista Edelweiss Soares, do Hospital Santa Rita, a falsificação pode comprometer tanto a eficácia quanto a segurança do tratamento. Segundo ela, um medicamento falso pode não conter a substância necessária ou apresentar dosagem alterada, além de trazer impurezas.

“Se eu não tenho o medicamento certo, na dose certa, ou se ele apresenta uma toxicidade maior, não vou conseguir ter o efeito de matar aquelas células neoplásicas ou doentes do paciente”.

A oncologista Juliana Alvarenga reforça que o problema começa pelo desconhecimento sobre a composição do produto. “O grande problema de um paciente que recebe um remédio que não tem o princípio ativo que esperamos que ele esteja recebendo em um tratamento de câncer é justamente não ter o efeito que desejamos”.

A oncologista Caroline Secatto, da Rede Meridional, explica que a falsificação também pode provocar outros danos. “Quando estamos falando de um medicamento falsificado, estamos no escuro. Não temos a menor ideia do que está sendo aplicado no paciente”, diz.

Além da preocupação com os medicamentos contra o câncer, a apreensão da toxina botulínica também chama atenção. Ricardo Tiussi, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia no Espírito Santo, afirma que não é possível saber com precisão o que existe no frasco irregular.

Segundo ele, além de uma concentração diferente da esperada, o produto pode conter outras substâncias, estar contaminado ou não estar estéril, com risco de reações alérgicas, intoxicação e infecção.

Saiba Mais 

Phesgo falsificado

A fabricante Produtos Roche Químicos e Farmacêuticos informou à Anvisa ter identificado, no mercado, unidades com características diferentes das do produto original.

A determinação atinge exclusivamente o lote B5011B05, com data de fabricação de junho de 2025.

Toxina botulínica Dysport

A empresa Beaufour Ipsen Farmacêutica informou que não reconhece os lotes P08191, com validade até abril de 2029; P08192, válido até maio de 2029; e P22368, com validade até fevereiro de 2029.



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