A imprudência no trânsito continua fazendo vítimas no Espírito Santo: só este ano, 101 pedestres perderam a vida após atropelamentos.
Os dados do Observatório da Segurança Pública ainda apontam que a maior parte das vítimas (34%) tem mais de 65 anos.
Um dos casos que se soma à triste estatística de pessoas que perderam a vida no trânsito é o de José Geraldo Torres, o Dé, de 82 anos. Ele foi atropelado por uma motocicleta na última segunda-feira (17) ao atravessar a rua, em Porto Canoa, na Serra. O condutor da moto empinava o veículo antes de atingir José Geraldo e a esposa, que também ficou ferida.
Sobre os atropelamentos envolvendo pedestres no Espírito Santo, o gerente de Fiscalização de Trânsito do Detran-ES, Jederson Lobato, destacou que houve uma redução de mais de 15% no número de mortes este ano, se comparado ao mesmo período do ano passado.
Mesmo assim, ele reforçou a necessidade de medidas para reduzir as perdas.
“Todos no trânsito precisam reconhecer o pedestre como o mais vulnerável. O próprio Código de Trânsito estabelece que o veículo maior deve zelar pelo menor, os motorizados devem zelar pelos não motorizados e todos, juntos, precisam zelar pela segurança do pedestre”.
Ele enfatizou que os pedestres também precisam ter atenção. “De maneira geral, se tiver faixa ou semáforo a menos de 50 metros, o pedestre deve caminhar até lá para a travessia. No entanto, idosos ou gestantes têm a prioridade para atravessar em qualquer local”.
O chefe da Comunicação Social do BPTran, tenente Lucas Lourenço, destacou que são observados nesse tipo de acidente, de forma geral, o descumprimento da legislação e a falta de atenção de ambas as partes.
“Apesar de boa parte dos sinistros acontecerem por culpa dos motoristas, que dirigem de maneira desatenta, com excesso de velocidade ou sem dar a devida preferência ao pedestre, também observamos alguns pedestres imprudentes com a própria segurança tentando travessias em locais nem um pouco indicados”.
O especialista e consultor em segurança viária Anthony Morais Costa ressaltou que falta respeito e zelo pelos pedestres, mas também falta atenção e cuidado dos pedestres em relação ao trânsito. “Não é incomum vermos pedestres atravessando ruas enquanto mexem no celular. Uma prática extremamente arriscada”.
Raio x – Atropelamentos
Atropelamentos com pedestres
Ano – Vítimas
2017 – 133
2018 – 125
2019 – 147
2020 – 119
2021 – 121
2022 – 142
2023 – 116
2024 – 142
2025 (jan-out) – 100
17% foi a redução do número de atropelamentos com relação ao mesmo período do ano anterior (janeiro a outubro)
Principais tipos de acidentes
Número – Tipo – %
1º – Colisão – 49,32%
2º – Choque – 15,57%
3º – Tombamento – 14,83%
4º – Atropelamento com pedestre – 12,36%
5º – Capotamento – 3,46%
Municípios com mais mortes por atropelamento
Município – Vítimas
1º – Serra – 15
2º – Vila Velha – 11
3º – Vitória – 10
4º – Cariacica – 6
5º – Atílio Vivacqua – 4
6º – Guaçuí – 4
7º – Anchieta – 3
8º – Cachoeiro de Itapemirim – 3
9º – São Mateus – 3
10º – Alegre – 2
Horário das mortes
Quinta é o dia com mais mortes por atropelamento de pedestres (20%)
Período – %
Madrugada – 15%
Manhã – 28%
Tarde – 25%
Noite – 32%
Perfil das Vítimas
Masculino – 69%
Femino – 31%
Faixa etária – %
0 a 14 anos – 3%
15 a 24 anos – 3%
25 a 34 anos – 6%
35 a 44 anos – 15%
45 a 54 anos – 9%
55 a 64 anos – 20%
65 anos ou mais – 34%
Não informada – 10%