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Cidades

Cada vez mais gestantes recorrem a doulas no parto

Procura por essas profissionais cresceu mais de 70% no Brasil em cinco anos. Entre as atribuições está a orientação sobre parto

Cada vez mais gestantes recorrem a doulas no parto
- Doula em atendimento à gestante: crescimento da profissão está relacionado à busca por partos mais humanizados
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Francine Spinassé

Graduada em Jornalismo pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua como repórter de A Tribuna desde 2008. Em 2011, passou a integrar a equipe responsável pelas reportagens especiais diárias do jornal, ao lado da jornalista Eliane Proscholdt.

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Impulsionado pela busca de gestantes por acolhimento, informação e suporte emocional em um dos momentos mais marcantes da vida, em cinco anos o número de doulas profissionais certificadas cresceu mais de 70% no País.

Os dados fazem parte de um levantamento da Associação Nacional das Doulas. O tema ganhou ainda mais destaque em abril deste ano, quando foi sancionada a lei 15.381, que regulamenta o exercício da profissão de doula no País e define oficialmente seu papel no acompanhamento de grávidas e mulheres que acabaram de ter filhos.

Doula há cinco anos, a enfermeira obstétrica Bharbhara Farias conta que decidiu seguir a profissão após perceber a necessidade de oferecer mais acolhimento e informação às gestantes.

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Sobre a atuação profissional, ela destaca que o trabalho de uma doula começa muito antes do nascimento do bebê. “O acompanhamento inclui orientações, esclarecimento de dúvidas e encontros ao longo da gravidez para que a mulher chegue ao parto mais preparada e segura”.

Ela ressalta que o acompanhamento também envolve a pessoa que estará ao lado da gestante durante o parto. “O acompanhante também precisa estar preparado”.

Já durante o trabalho de parto, Bharbhara explica que a função da doula é oferecer suporte físico e emocional contínuo. “Nós ajudamos a encontrar posições mais confortáveis, utilizamos métodos não farmacológicos para aliviar a dor e oferecemos apoio emocional durante todo o processo”.

Ela acrescenta que, no pós parto, a doula também atua. “Dependendo da profissional, faz atendimento também na orientação da amamentação e cuidados com o bebê”.

A analista de contas médicas Kleisiane Fernandes da Silva, 41, está grávida de 37 semanas de sua primeira filha, Clara, e decidiu contar com o acompanhamento de uma doula.

Ela explica que a profissional tem sido uma importante fonte de orientação sobre temas como o parto normal, amamentação, pós-parto e cuidados necessários em caso de uma cesárea.

“Como é minha primeira filha, ter esse apoio faz toda a diferença”.

Para a doula Ana Beatriz de Oliveira Paixão, que atua na área há quatro anos, o crescimento da procura está ligado à necessidade de informação e acolhimento na gestação.

Ela destaca que o vínculo criado ao longo da gravidez faz diferença no momento do nascimento. O acompanhamento continua após o parto. “Nós orientamos sobre amamentação e acompanhamos os primeiros dias do pós-parto. Também observamos sinais que possam indicar dificuldades emocionais”.

Você sabia?

Concebido nos Estados Unidos, no fim dos anos 1970, o trabalho da doula tem sido cada vez mais requisitado durante os processos de pré-natal, parto e pós-parto.

A palavra doula é de origem grega e significa “a mulher que serve”. Em 1973, a antropóloga Danna Rafael utilizou o termo doula para se referir às mulheres que apoiavam outras mulheres após o parto.

Saiba Mais 

O que é uma doula?



  • É uma profissional capacitada para oferecer apoio físico, emocional e de orientação à mulher durante a gestação, o parto e o pós-parto.
  • Ela não substitui médicos, enfermeiros ou outros profissionais de saúde, mas atua como uma rede de suporte para a gestante e sua família.

O que faz?

  • O trabalho começa ainda na gravidez, com encontros para esclarecer dúvidas e orientar sobre temas como parto, amamentação, cuidados com o recém-nascido e direitos da gestante.
  • Durante o parto, a doula oferece apoio emocional e utiliza técnicas não farmacológicas para ajudar no alívio da dor e no conforto da mulher, como técnicas de respiração e melhores posições.
  • Após o nascimento, também pode auxiliar na amamentação e adaptação da família aos primeiros dias com o bebê.

Cesáreas

  • Além dos partos normais, a doula também pode acompanhar cesarianas, desde que a maternidade permita sua presença no centro cirúrgico.
  • Com a regulamentação da profissão, a tendência é que a participação dessas profissionais seja ampliada em mais unidades de saúde.

Formação

  • De forma geral, a doula não precisa ter um curso superior na área da saúde ou outro curso superior.
  • A formação se dá por meio de cursos livres.
  • A nova legislação estabelece requisitos para o exercício da profissão, incluindo a realização de curso com carga horária mínima definida.
  • Para ingressar na formação, geralmente é necessário ter ensino médio completo e ser maior de idade.

Doula e enfermeira obstétrica

  • A enfermeira obstétrica é uma profissional de saúde habilitada para realizar procedimentos assistenciais e acompanhar partos de baixo risco.
  • Já a doula não executa procedimentos médicos ou de enfermagem. Sua função é oferecer acolhimento, orientação e suporte emocional.

Aumento da procura

  • Especialistas apontam que o crescimento está relacionado à busca por partos mais humanizados e ao desejo de gestantes por mais informação, acolhimento e protagonismo durante a gravidez e o nascimento do bebê.
  • Em cinco anos, o número de doulas certificadas cresceu mais de 70% no Brasil.



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