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Black Friday, compras antecipadas de Natal e muita empolgação após a vitória do Brasil no primeiro jogo da Copa. Parecia o final de semana perfeito para o comércio capixaba se não fosse um imprevisto: muita chuva.
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES) estima que o mês de novembro, encerrado ontem, feche com queda de 5% no faturamento previsto.
O vice-presidente da federação, José Carlos Bergamin, explica que a medição do desempenho é feita tendo em vista a comparação com o ano anterior.
“Nós contamos muito com o último final de semana de novembro. O reflexo será sentido no mês seguinte (dezembro). Isso representa uma quebra no ciclo de crescimento, esperado nessa época”, relatou.
Para a presidente da Associação dos Comerciantes da Glória (Uniglória) e do Sindicato dos Lojistas (Sindilojas) de Vila Velha, Glenda Amaral, a Copa do Mundo e a Black Friday, juntas, vinham impulsionando o setor lojista.
“Até antes desses últimos dias de chuva, estávamos registrando um aumento de 10 a 15% no volume de vendas”, lembrou. Destaque para as lojas de vestuário e artigos de festa e decoração.
O diretor da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Cariacica e presidente do Sindicato dos Lojistas do município, José Antônio Pupim, também diz que as expectativas foram frustradas.
“Esperávamos um aumento de 30% nas vendas, considerando apenas este último final de semana, mas a chuva persistiu em todos os dias”, lamentou.
Esperança
Por outro lado, o mês que acaba de chegar e já traz consigo novas esperanças.
“O mês de dezembro é sempre especial. O 13º salário contribui para incrementar as vendas. Estamos nos preparando para ter de 30 a 40% de aumento neste mês”, frisou Pupim.
Para Bergamin, o mês é naturalmente propício para um bom desempenho, desde que a chuva dê trégua.
“Dezembro inicia a época de férias, do vestuário praiano e do estímulo aos setores que geram emprego e renda, como o de eventos e hotelaria”, observou.
No entanto, a chegada do último mês do ano acompanhada de fortes chuvas é um mau sinal.
“Nós precisamos que o tempo melhore muito para termos um saldo positivo. No interior do Estado, inclusive, a recuperação é ainda mais difícil”, comentou.
Prejuízo chega a R$ 30 mil
Um sonho atingido pela chuva. O comerciante André de Andrade, de 26 anos, viu sua loja de calçados e acessórios ser tomada pela água, que invadiu o estabelecimento, localizado no térreo de um prédio, no centro de Vitória.
Há apenas seis meses no imóvel, o jovem, que trabalha quase sempre sozinho, investiu alto no espaço, com reforma, pintura, compra de mercadoria e confecção de placas, panfletos e sacolas. O prejuízo estimado é de R$ 30 mil, segundo André.
“Trabalhei noite e dia para ter meu espaço e acontece isso. Só de tênis, eu calculo um prejuízo de R$ 15 mil, fora os outros acessórios e o estrago nas paredes”, contou.
O comerciante teme que a estrutura do prédio tenha sido comprometida. Ele acionou a Defesa Civil de Vitória, que, até ontem, não havia comparecido ao local para vistoria.
A Defesa Civil do município esclareceu que só atende demandas onde há risco estrutural ou geológico em imóveis e áreas públicas.
Fiscalização
Já a Secretaria de Desenvolvimento da Cidade e Habitação de Vitória informou, por nota, que encaminhará uma equipe de fiscalização até o local para verificar as condições de estabilidade, salubridade e segurança da edificação.
A prefeitura lembra que, de acordo com o Código de Edificações, o proprietário do imóvel é o responsável pelas obras de manutenção e pode ser multado caso não adote as providências necessárias.