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ENTREVISTA

Cleo: “Não aceito relacionamento que me diminua”

Perto de completar 40 anos, a atriz revela que já sofreu com relacionamentos tóxicos e conta o que viveu em livro

Cleo: “Não aceito relacionamento que me diminua”
- Cleo conta que aprende, se inspira e se fortalece com outras mulheres que estão próximas dela. É a partir desta construção que ela sabe o que quer ou não para a vida

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Ser uma mulher empoderada, cheia de atitudes e de vários talentos não impediu que a atriz Cleo sofresse com relacionamentos tóxicos que quiseram aprisioná-la durante a vida.   

Hoje, perto de completar 40 anos, a cantora diz que não aceita mais nenhum tipo de  relacionamento que a diminua ou  que tente moldá-la.

Mas, chegar a essa decisão firme não foi de um dia para outro. Ela explica que foram anos construindo amadurecimento e vivências para superar.  

A artista conta ainda que um dos processos de cura foi a produção do livro “Todo Mundo Que Amei Já Me Fez Chorar”, lançado no mês passado, em parceria com a roteirista Tatiane Maciel,  com contos sobre relacionamentos tóxicos. 

A Tribuna – Como foi produzir o livro? De onde veio a ideia de falar sobre relacionamentos tóxicos?

Cleo –  Sou apaixonada pelo universo da literatura e há muito tempo tinha dentro de mim o desejo de escrever um livro, mas não conseguia desenvolver isso. Certo dia fiz alguns uns desabafos nas minhas redes sociais e a partir da interação dos seguidores percebi como eu não estava sozinha e o quanto a experiência de viver relacionamentos tóxicos é mais comum do que se pensa. A partir disso veio a ideia de escrever sobre esse tema. 

Você sofreu com relacionamentos tóxicos? Como conseguiu identificar?

Sim! (risos). Se relacionar faz parte da existência do ser humano e, infelizmente, algumas dessas experiências não saem tão bem como esperávamos, mas no final, todas nos trazem ensinamentos. Com muita terapia aprendi a identificar e lidar com esse tipo de relacionamento que pode aprisionar. 

Cuidar da saúde mental é essencial para conseguir quebrar esses ciclos tóxicos. Infelizmente não são todas as pessoas que conseguem custear um tratamento com terapeuta, mas eu recomendo muito para quem puder e tem condições.

Por que acha que as mulheres são as maiores vítimas desse tipo de relacionamento?

Para responder essa sua pergunta precisamos falar do privilégio masculino e do sistema patriarcal que vivemos e somos inseridas desde que nascemos. O machismo faz com que os homens enxerguem as mulheres com inferioridade, como submissas a eles. Acham que podem dizer o que devemos fazer e como agir. Que são donos de nós. Esse pensamento machista e equivocado traz junto o “falso achar” de que podem ser tóxicos e abusivos, normalizando essas situações. Então, nós, mulheres acabamos nos deparando com esse tipo de relacionamento com mais frequência.

Quais as características de um relacionamento tóxico?

Um relacionamento tóxico se apresenta de diversas formas, até mesmo em detalhes pequenos que às vezes costumamos normalizar e só depois percebemos que aquilo não está certo.

 Como quando o parceiro ou parceira reclama da sua roupa ou cor de batom. Quando não existe parceria, quando falta respeito com o tempo e individualidade do outro. Quando não existe diálogo ou espaço para ouvir. Aquele seu amigo que quer ser o dono da verdade. Quando o chefe te exige mais do que o combinado e não te reconhece por isso.

Quando o relacionamento tóxico não é o amoroso, é mais fácil ou mais difícil de identificar, na sua opinião?

Acho que independente do tipo de relacionamento, se amoroso, familiar, de trabalho, ou amizade, existe uma série de fatores que faz com que uma pessoa identifique ou não se está em um relacionamento tóxico. Não é fácil reconhecer que você está vivendo isso. Existe o medo, a dependência do outro que às vezes te bloqueia de agir e traz a falsa crença de que aquela situação vai mudar, mas na real nunca muda. Acredito que a intensidade com que os envolvidos estão naquele relacionamento influencie bastante nessa identificação. Acho que o bem-estar mental também é bastante importante nesse processo.

Você é uma mulher empoderada e exemplo para outras mulheres. O que você não aceita em um relacionamento hoje?

Obrigada! Isso é algo que venho construindo com os anos, com amadurecimento e a partir de vivências. Tenho a sorte de ter mulheres inspiradoras a minha volta e com elas também aprendo, me inspiro e fortaleço. A partir dessa construção que eu sei o que quero ou não para minha vida.

Não aceito um relacionamento que me diminua, que tente me colocar numa caixinha. Que queira que eu abdique de quem eu sou para tentar me encaixar em um lugar que não pertenço. 

O que se pode dizer para as pessoas que se identificam com os personagens do seu livro e se veem em relacionamentos tóxicos?

Espero que elas encontrem nesses contos uma forma de cura, assim como eu encontrei. Que elas possam rir através do humor que eu e a Tati trouxemos para essas histórias ácidas e, se  estiverem presas em relacionamentos tóxicos, que através dos exemplos presentes nos personagens, descubram uma saída.

Como foi participar da sua primeira bienal como escritora?

Eu lembro que estava bastante nervosa antes do evento, porque foi a minha primeira vez, de fato, na Bienal. Quando cheguei lá e vi aquela quantidade de gente, o frio na barriga só aumentou (risos). 

 Mas a recepção das pessoas foi tão calorosa, que eu me acalmei durante a apresentação. Foi um momento muito bacana onde pude ter uma troca com o público a respeito do livro junto com a Tati, que escreveu o projeto comigo. 

Além da sessão de autógrafos, tivemos um bate-papo super legal sobre relacionamentos tóxicos com doutora Ana Barbosa e a Tatiane Leity.

Você tem outros livros sendo preparados?

Atualmente, sigo bastante focada neste projeto, pois ele é um trabalho que se desdobra  em outras vertentes. O primeiro lançamento foi o livro e logo em sequência lancei uma websérie para as redes sociais onde exploramos alguns personagens dos contos.

A próxima etapa trará um single e videoclipe homônimo, que estou bastante ansiosa para apresentar ao público. Mas,  também não descarto futuras possibilidades dentro do universo literário.

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