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Cidades

Clube de leitura reúne diferentes gerações

Criado em 2024, o Leitoras de Coragem tem encontros bimestrais e mostra a importância de socializar fora do digital

Clube de leitura reúne diferentes gerações
- Leitoras de Coragem: clube une gerações e tira participantes das telas em Vitória
Foto de perfil de tribunaonline

Redação Jornal A Tribuna

Reportagens produzidas pela equipe de jornalistas da Rede Tribuna, publicadas no jornal A Tribuna.

Última atualização


Um clube de leitura é uma ótima de forma de encontrar pessoas de diferentes gerações e fazer amigos fora do online.

É o que conta a professora de português Aline de Souza, 51. Ela fundou o clube Leitoras de Coragem e convidou Mariana Dell’Antonio, 17, para cuidar da parte digital.

É um clube só de mulheres para ler livros nacionais. O primeiro encontro foi em julho de 2024. “Temos leitoras de todas as idades, de 15 a 82 anos. Concordamos que o clube permite conversar com diferentes gerações. Isso é algo que o encontro presencial proporciona. No virtual, é comum ficarmos presos a uma bolha”, diz Aline.

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A estudante Mariana adiciona: “As pessoas têm sido cada vez mais individualistas, estão perdendo o senso do coletivo. Por isso encontros presenciais são importantes”.

Os encontros acontecem bimestralmente e elas têm notado jovens buscando uma forma de sair de casa e das telas.

“Alguns falam que buscam o nosso pelo presencial”, diz Mariana.

Interagir nem sempre é fácil

Apesar de um aumento nos encontros presenciais ser perceptível, a realidade ainda mostra que grande parte das interações sociais estão sendo mediadas por meios digitais. Psicólogos explicam os motivos para isso.

Segundo a psicóloga Karla Kardoso, o mundo digital criou um ‘vício no conforto’.

“A tela é um ambiente controlado: você não precisa se vestir bem, não precisa lidar com imprevistos, não precisa se expor ao julgamento real. É fácil demais. O problema é que a gente se acostuma com essa vida sem atrito. Socializar dá trabalho, exige energia e, às vezes, um certo desconforto”, explica.

O trabalho também é um dos motivos que levam pessoas a evitar encontros presenciais. Karla explica que, hoje em dia, a dinâmica profissional é muito mais intensa e exige bastante atenção e energia mental.

“Não é que o trabalho seja o problema, mas ele ocupa uma parte significativa do nosso dia e, naturalmente, pode deixar a nossa ‘bateria social’ um pouco mais gasta ao final do expediente”.

Segundo ela, necessidade maior de silêncio e descanso é compreensível. “Muitas vezes, o desejo de ficar em casa não é exatamente uma vontade de se isolar, mas uma forma genuína de recuperar o fôlego e se reorganizar”.

Já a psicóloga Roberta Valery acrescenta que não se pode demonizar esse tipo de isolamento e nem romantizá-lo. “A pessoa fica o dia inteiro resolvendo questões no trabalho, realizando atendimento, participando de reuniões. É normal não querer interagir, mas é preciso ter um equilibrio”.

Outro fator é a pandemia. A ciberpsicóloga Barbara Alves explica que muita gente ficou “enferrujada” socialmente e passou a sentir um desconforto que antes não sentia.

“E existe um ciclo que se retroalimenta: quanto menos a pessoa se expõe socialmente, mais desconfortável a interação se torna, o que aumenta a evitação”

Ela acrescenta que evitar encontros presenciais não significa que não sintam falta deles. “Percebo que as pessoas evitam o encontro e, ao mesmo tempo, sentem uma solidão enorme. Estão cercadas de notificações e morrendo de saudade de companhia”, diz.

Entenda

1. Comece devagar

Seja gentil com você mesmo. Não precisa aceitar todos os convites nem virar a pessoa mais sociável do mundo da noite para o dia. Comece com um café rápido, uma ida a igreja, ou algum hobby que te force a estar com outras pessoas. São micro-interações que, somadas, diminuem o medo.

2. Desvie o foco de si

A ansiedade social geralmente vem de um pensamento egocêntrico: “será que estou falando a coisa certa?”, “será que vão me julgar?”. Tente ser curioso com o outro. Quando você se concentra em ouvir e entender a pessoa à sua frente, o seu nervosismo perde o lugar.

3. Abrace o “frio na barriga”

Entenda que aquele desconforto antes de sair é apenas o seu cérebro reclamando de ter que sair da zona de conforto. Não espere a vontade aparecer, às vezes ela não vem. A gente cria a coragem depois que começa a agir.

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