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Cidades

Consulados não vão mais analisar cidadania italiana

Essa função vai ficar com uma comissão do Ministério das Relações Exteriores em Roma. Falta agora a aprovação pelo Senado

Consulados não vão mais analisar cidadania italiana
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Fernanda Coutinho

Fernanda Coutinho é jornalista formada pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), em 2007, e tem aproximadamente 20 anos de experiência na profissão. É repórter multimídia das editorias de Cidades e Polícia do Jornal A Tribuna, com reportagens também publicadas no portal Tribuna On-line. Escreve reportagens especiais semanais para a editoria de Polícia do Jornal A Tribuna. Tem experiências com apresentações de podcasts e videocasts, além da participação ao vivo em telejornais da TV Tribuna, em colaboração com apresentadores, em casos de repercussão. Na função de redatora, atuou por 9 anos em editorias como Polícia, Cidades, Economia e Política do jornal impresso.

Última atualização


A Câmara dos Deputados da Itália aprovou o projeto de lei que reforma as competências dos consulados italianos em todo o mundo.

O projeto retira dos consulados a obrigação de analisar os processos de reconhecimento de cidadania por direito de sangue. Agora, esse papel será de uma comissão do Ministério das Relações Exteriores sediada em Roma.

O advogado Sandro Câmara observa que a principal promessa da nova legislação é acabar com “as longas e desumanas filas nos consulados, uma realidade bem conhecida pelos descendentes do Estado, que dependem do consulado no Rio de Janeiro”.

“A proposta de criar um escritório centralizado em Roma e fixar um prazo máximo de 36 meses para a conclusão do processo é, sem dúvida, um avanço significativo em relação ao cenário atual, em que a espera pode superar uma década. Este é o ponto mais positivo da medida: a previsibilidade”.

O advogado pondera que a proposta gera incertezas que não podem ser ignoradas. “A oposição italiana argumenta, com razão, que a centralização pode criar uma nova barreira, distanciando o serviço do cidadão. Como um descendente do interior do Espírito Santo irá interagir com um escritório em Roma?”.

O presidente do Instituto Casa d´Itália do Espírito Santo, Custódio Castellan, explica que toda a documentação deverá ser enviada em meio físico (papel) para a Comissão em Roma, pelos Correios, o que vai dificultar o acompanhamento, assim que a documentação sair do Brasil.

“A proposta vai trazer muitos prejuízos para os descendentes em todo o mundo. Se os serviços, que eram descentralizados nos consulados o governo italiano reconhece que não têm estrutura para dar conta dos processos, um escritório em Roma vai dar?”.

A advogada especialista em Cidadania Italina Rita Bortoluzzi Herzog conta que a previsão é de que a medida vai encarecer o processo e provocar o aumento da judicialização.

O texto vai ser analisado pelo Senado italiano e, se aprovado, entra em vigor a partir de 2028,

Moradora de Aracruz, a professora de italiano Gabrielle Lucchese Coutinho, 41 anos, diz que pretende requerer a cidadania italiana, mas vê o momento com preocupação. “Acredito que vai dificultar, a comunicação vai se tornar mais conflituosa. Acho que a real intenção é dificultar a cidadania”.

Saiba mais

Aumento da judicialização

Como é hoje

Com agendamento já realizado no Consulado Geral da Itália no Rio de Janeiro, a pessoa que vai solicitar a cidadania vai pessoalmente ao órgão.

Uma taxa de 600 euros (R$ 3.802,86 na cotação de quinta-feira, 16) é paga no momento da apresentação dos documentos.

A documentação é analisada pelo funcionário consular do setor de cidadania e, não havendo pendências, dentro de 180 dias poderá solicitar o passaporte italiano.

Como vai ficar

Os 83 consulados pelo mundo vão atender só quem já é cidadão italiano para casos de emissão de passaporte, emissão de carteira de identidade e atualização de estado civil.

Quem deseja ter a cidadania reconhecida deverá enviar a documentação para análise pela comissão em Roma.

Mesmo que uma pessoa já tenha familiares com cidadania italiana reconhecida a partir de um consulado, ela terá que abrir um novo processo, que deve ser enviado à comissão em Roma, começando do zero.

Aumento de custos

Especialistas preveem aumento dos custos para quem vai requerer a cidadania, uma vez que os processos devem começar do zero, mesmo que familiares já sejam cidadãos; aumento da judicialização nas cortes italianas e incertezas quanto à regulamentação da proposta.

Fonte: Especialistas e pesquisa AT.

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