O cenário da epidemia de dengue tem se intensificado no Espírito Santo. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), são 15 mortes confirmadas em 2023 causadas pela doença.
Segundo a Sesa, foram notificados 55.425 casos de dengue neste ano, enquanto em 2022 foram 21.051 notificações de dengue e seis mortes confirmadas durante todo o ano. As cinco cidades com maior incidência da doença são Atílio Vivácqua, Jerônimo Monteiro, Muqui, Marataízes e Castelo.
Outra preocupação deixa o Estado em alerta. Os casos de chikungunya no Brasil aumentaram em 112%. Segundo a Sesa, foram notificados 4.285 casos neste ano e uma morte pela doença, em Viana.
Em 2022, foram 3.068 notificações de chikungunya durante todo o ano, sem morte. As cinco cidades com mais notificações foram Marataízes, Viana, Vitória, Afonso Cláudio e Pedro Canário.
Segundo o gerente de Vigilância em Saúde da Sesa, Orlei Amaral Cardoso, Espírito Santo e Minas Gerais são os estados mais críticos para as duas doenças. Segundo ele, o foco é garantir o atendimento adequado no tempo certo.
“Fizemos capacitação. É preciso que o sistema esteja preparado para a assistência, pois assim o paciente não terá perda de tempo, evitando casos graves”.
Tanto a dengue quanto a chikungunya são transmitidas pelo mesmo mosquito, o Aedes aegypti. As duas doenças possuem semelhanças, entretanto atingem de formas distintas os pacientes.
Empresário vai parar na UTI por 6 dias
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O empresário Admilson Nunes Palmeira, 61, foi parar na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por conta da dengue durante a virada de fevereiro para março deste ano.
Ele conta que, mesmo com todos os cuidados feitos em casa, acabou sentindo muita fraqueza. “Fiquei seis dias em internação, sendo dois na UTI e quatro em um quarto de observação. Fiquei sem chão, mas graças a Deus reagi bem”.
O empresário opina sobre o que é preciso ser feito para que a doença perca a força. “Muita gente deixa a desejar. Falta mais ação educativa. As campanhas que a gente vê pedem para ter cuidado, mas sempre tem alguém que não corresponde. Também acho que poderia ter mais carros de fumacê nas ruas”.
A infectologista Ana Carolina D’Ettorres afirma que as duas doenças são caracterizadas por febre de início abrupto, associada à prostração, dor nas articulações, dores de cabeça, náusea ou vômito.
“A dengue tem uma tendência a ter febre mais alta e uma prostração mais intensa, enquanto a chikungunya tem dor articular mais intensa, além de febre, dores de cabeça, muscular e articular, prostração e manchas pelo corpo”.
Segundo o infectologista Luis Henrique Borges, 80% dos casos de dengue e chikungunya são domiciliares. Para ele, a dengue tem assustado, mas a chikungunya deve aparecer com mais força nos próximos meses. “Por isso, é fundamental buscar o diagnóstico precoce. Tem pacientes que estão com os sintomas há dois anos e até andando de cadeira de rodas por conta das fortes dores nas articulações”.
OPINIÕES
“A melhor estratégia de prevenção é verificar se na sua casa existe algum potencial foco de dengue”, Ana Carolina D’Ettorres, infectologista.
“É fundamental buscar o diagnóstico precoce. Tem pacientes que estão com os sintomas há dois anos”, Luis Henrique Borges, infectologista.
Ações das prefeituras na Grande Vitória
Prevenção nas cidades
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Vitória
> Em fevereiro, foi feita uma ação de combate ao mosquito transmissor, nos bairros Grande Vitória, Estrelinha, Inhanguetá e Universitário. Mais de 100 agentes de saúde e profissionais da limpeza participaram. Foram realizadas 827 visitas domiciliares, 400 depósitos tratados e encontrados 24 focos do mosquito. Os principais focos foram em vasos de plantas, ralos abertos e caixas d’água entreabertas.
> O morador que apresentar sintomas da doença pode buscar atendimento em umas das 29 unidades de saúde e nos dois prontos atendimentos do município.
> Uma sala de hidratação foi montada na Unidade de Saúde de Maruípe e está em andamento a montagem nas Unidades de Conquista/Nova Palestina e Santo Antônio.
Cariacica
> O carro fumacê circula semanalmente em vários bairros da cidade. O itinerário semanal é elaborado de acordo com os critérios epidemiológicos de cada região e as notificações de dengue no município.
> O município tem um cronograma por semana de visita às casas pelos agentes de combate às endemias, que realizam ações educativas e aplicam larvicidas para evitar a proliferação de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.
Serra
> O combate ao Aedes aegypti é feito pelo setor de Vigilância Ambiental em Saúde (VAS) do município, que disponibiliza carro fumacê para a ronda em todos os bairros, principalmente os de maior incidência de casos notificados, inclusive nos finais de semana, em março.
> Os agentes de endemias também executam ações de bloqueio, aplicando larvicidas e eliminando focos de água parada em terrenos e casas.
Vila Velha
> Os agentes de endemias cumprem rotina de visitação domiciliar para inspecionar depósitos com água e identificar focos de mosquitos na fase larval.
> O carro fumacê é ofertado em todas as ruas da área urbana com intervalo de 14 dias, de acordo com o ciclo evolutivo do mosquito.
Guarapari
> Campanhas e ações estão sendo promovidas e intensificadas pelos agentes de endemias e, também, agentes comunitários de saúde, com maior circulação do carro fumacê e monitoramento nos bairros.
> Também estão sendo distribuídos guias educativos em todo o município, principalmente nas escolas.
> A Vigilância Ambiental, em parceria com outras secretarias municipais, está realizando ações para uma melhor fiscalização e limpeza dos terrenos do município.
Viana
> Entre as ações está a busca ativa realizada pelas agentes de endemias. As profissionais buscam áreas de acúmulo de água parada em casas, valas, vasos, poças d’água e pneus abandonados, locais esses ideais para os mosquitos se reproduzirem.
> O carro fumacê circula durante a noite seguindo normas do protocolo do Ministério da Saúde, sendo automaticamente executado mediante a notificação de qualquer caso de arbovirose. Em caso de chuva, a aplicação é suspensa e o cronograma, reajustado, pois impossibilita a aspersão do inseticida no ar.
Fonte: Sesa e prefeituras consultadas.