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Dia Nacional do Diabetes alerta para risco de cegueira e outras doenças oculares

Retinopatia diabética pode evoluir sem sintomas e está entre as principais causas de perda visual evitável

Dia Nacional do Diabetes alerta para risco de cegueira e outras doenças oculares
- Oftalmologista Clovis Freitas, especialista em doenças da retina, lembra da necessidade do diabético fazer regularmente o acompanhamento da saúde ocular

Última atualização


O Dia Nacional do Diabetes, celebrado em 26 de junho, chama a atenção para uma das complicações mais graves e silenciosas da doença: a retinopatia diabética. Responsável por danos progressivos aos vasos sanguíneos da retina, a condição está entre as principais causas de perda visual evitável em adultos e pode levar à cegueira quando não diagnosticada e tratada precocemente.

O diabetes mellitus é uma doença crônica caracterizada pelo aumento dos níveis de glicose no sangue. Com o passar dos anos, a hiperglicemia pode comprometer diversos órgãos, incluindo os olhos. A retinopatia diabética ocorre quando os vasos da retina sofrem lesões, provocando sangramentos, formação de novos vasos anormais e alterações que comprometem a visão.

Doença evolui inicialmente sem sintomas

“A retinopatia diabética pode permanecer silenciosa durante anos e aparecer em qualquer idade. Muitas vezes, o paciente só procura atendimento quando a visão já está comprometida. Por isso, o acompanhamento oftalmológico periódico é fundamental para identificar alterações no início e evitar a perda visual”, afirma o oftalmologista Clovis Freitas, especialista em doenças da retina, e sócio da clínica Viw Oftalmologia, no Recife.

Crescimento do diabetes e a saúde ocular

Segundo o Atlas de Diabetes 2025 da Federação Internacional de Diabetes (IDF), o Brasil possui cerca de 16,6 milhões de adultos entre 20 e 79 anos com diabetes. e ocupa o sexto lugar no ranking mundial da doença. A projeção é que esse número alcance em torno de 24 milhões de pessoas até 2050.

As complicações oftalmológicas acompanham esse crescimento. De acordo com a Diretriz de Manejo da Retinopatia Diabética da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), cerca de 34,6% das pessoas com diabetes apresentam algum grau de retinopatia diabética, enquanto aproximadamente 10% desenvolvem formas da doença que ameaçam diretamente a visão. No Brasil, estudos citados pela SBD apontam prevalência de retinopatia diabética em cerca de 37,3% dos pacientes com diabetes tipo 2.

O risco aumenta conforme o tempo de convivência com a doença, especialmente entre idosos. Dados do Atlas de Diabetes 2025 mostram que, em todo o mundo, mais de 158 milhões de pessoas com 65 anos ou mais vivem com diabetes, número que poderá ultrapassar 278 milhões até 2050.

Diabetes leva à outras doenças oculares

Além da retinopatia diabética, pessoas com diabetes apresentam maior risco de desenvolver catarata, glaucoma e edema macular diabético. O edema macular diabético ocorre quando há acúmulo de líquido na região central da retina, responsável pela visão de detalhes. A condição pode dificultar atividades simples do cotidiano, como leitura, direção e reconhecimento de rostos.

“Controlar o diabetes não significa apenas evitar complicações cardiovasculares ou renais. A saúde ocular também precisa fazer parte da rotina de cuidados, especialmente porque muitas dessas doenças podem ser prevenidas ou controladas quando identificadas precocemente”, explica o medico.

Sinais de alerta

Embora muitas doenças oculares relacionadas ao diabetes sejam inicialmente assintomáticas, alguns sintomas merecem atenção:

• Visão embaçada ou oscilante;

• Manchas escuras ou pontos flutuantes;

• Dificuldade para enxergar à noite;

• Diminuição da visão central;

• Perda parcial do campo visual;

• Queda repentina da acuidade visual.

Como prevenir

Especialistas recomendam algumas medidas fundamentais para reduzir o risco de complicações oculares:

• Manter o controle adequado da glicemia;

• Controlar a pressão arterial e os níveis de colesterol;

• Não fumar;

• Praticar atividade física regularmente;

• Seguir corretamente o tratamento prescrito;

• Realizar consultas oftalmológicas periódicas, mesmo na ausência de sintomas.

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