Com o envelhecimento da população e a diminuição da família, a independência e autonomia desses idosos se torna uma preocupação. Com isso, os avanços tecnológicos podem se tornar auxiliares no dia a dia do idoso, que se torna mais independente de cuidados.
A geriatra Daniela Barbieri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia/ Espírito Santo (SBGG-ES), explica que quando se fala de envelhecimento ativo, a autonomia é a capacidade do idoso de tomar decisões e controlar a própria vida.
“Mesmo que precise de ajuda para a execução. Não é possível ser independente sem autonomia. Usamos tecnologias para facilitar o dia a dia e capacitamos as pessoas para a vida contemporânea, inclusive nos dispositivos eletrônicos e espaços virtuais”.
Acessórios de tecnologia vestíveis para monitoramento de saúde, softwares para facilitar o contato a distância, seja com médicos ou com a família, e programas de gerenciamento inteligente da casa são alguns exemplos que já existem no mercado que vão ajudar na independência e autonomia dos idosos.
“Vimos uma bela amostra do potencial das tecnologias de informação e comunicação em auxílio à saúde durante a pandemia. São tecnologias que se intensificaram e mostraram o que ainda estar por vir”, destaca a coordenadora do curso de Engenharia Biomédica da UCL, Karla Loyola.
Equipamentos, por muitas vezes simples, como um relógio, mas que na verdade, segundo a especialista, permitem a captura e troca de dados que são utilizados inclusive em benefício da saúde com tratamentos de prevenção, por exemplo. “Assim, um idoso pode viver em casa, de forma independente, e não mais dentro de uma instituição ou dependendo de familiares. De forma independente, mas não distante”.
Outra tecnologia que vai auxiliar os idosos e deve evoluir ainda mais são os assistentes virtuais como a Alexa e o Google Home, segundo o mestre em Engenharia Biomédica e PhD em Gestão de Saúde Norton Mello.
“Até mesmo os robôs de telepresença podem facilitar, não apenas a parte física, mas também social, e se comunicar com a família e médicos. Com automatização, a tecnologia pode auxiliar também nas tarefas diárias, como a automação da casa”.
Nova vida após estresse e sequestro
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Aos 66 anos de idade, o empresário Juarez Sarmento comemora a melhor idade. É que após sofrer com o excesso de trabalho, ser sequestrado e mantido em cárcere privado na fazenda que tem em Goiás, decidiu deixar o emprego para trás e, há 7 anos, se mudou para Guarapari, onde passa o dia praticando exercícios na praia.
“Se pensar que estou envelhecendo, ficarei velho. A idade cronológica não vai mudar, mas suas atitudes vão te transformar. Não sinto dores, mas quando alguma vem, não me entrego. Passei a gastar menos fazendo exercício ao invés de comprar remédios. Só tenho a agradecer aos ladrões por terem nos assustado em 2015. Aqui só tenho dias para viver. Você não precisa de muito para aproveitar”, comemora.
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Aumenta busca por aparência jovem
Ser mais velho não significa deixar a vaidade e o cuidado de lado, pelo contrário. Uma das mudanças que a inversão da pirâmide etária vai trazer é o aumento na procura de procedimentos que retardem os sinais de envelhecimento.
O Brasil hoje já é o segundo país em número de procedimentos estéticos, cirúrgicos e não cirúrgicos. De acordo com os especialistas, esse número deve só aumentar, assim como a evolução das tecnologias.
“Cada dia mais estamos atendendo pessoas mais idosas em busca de rejuvenescimento. As pessoas hoje em dia têm se preocupado mais com os sinais da idade e isso tem refletido no nosso mercado, pois estão surgindo várias novas tecnologias para tratar a pele”, observa a dermatologista Karina Mazzini.
Ela explica que o arsenal de tecnologias disponíveis hoje é possível amenizar muito as rugas e as linhas de expressão, eliminar a flacidez tanto do rosto quanto do corpo.
“Além de bioestimuladores de colágeno, da toxina botulínica, que é uma grande aliada para tratamentos anti-idade, e o ácido hialurônico, hoje em dia temos lasers cada vez mais eficazes. O laser de Thulium, por exemplo, trata e rejuvenesce a pele, e é equivalente a mais de um mês de skincare em casa”.
A dermatologista Irene Baldi lembra que o envelhecimento da pele é um processo natural que todos estão sujeitos.
“Com o passar do tempo, as atividades das células da derme e da epiderme vão se atrofiando e vão levando à flacidez e, consequentemente, às rugas. Desta forma, com o aumento da expectativa de vida entre a população brasileira e com maior número de idosos, temos atendido mais pacientes desse grupo”.
Além dos procedimentos estéticos, a educadora física da Academia Razões do Corpo Bárbara Gomes chama atenção para a atividade física para uma velhice ativa.
“A atividade física hoje vai muito além da estética, é preciso pensar a longo prazo. O envelhecimento saudável acontece a partir de hábitos e estilo de vida. A constância ao longo da vida prepara o idoso para lidar com o envelhecimento de forma mais leve”.