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Cidades

Escolha da profissão ainda é desafio para a maioria dos jovens

Pesquisa ouviu jovens entre 15 e 25 anos que apontaram dúvidas na hora de decidir o que cursar, mas disposição em mudar a trajetória

Escolha da profissão ainda é desafio para a maioria dos jovens
- Eduardo Ferraz mudou de Engenharia Elétrica para Ciência da Computação e afirma ter encontrado a área com a qual realmente se identifica
Foto de perfil de Beatriz Brandão

Beatriz Brandão

Beatriz Brandão é estudante de jornalismo na Universidade Federal do Espírito Santo e é repórter multimídia no jornal A Tribuna. Tem experiência em assessoria de imprensa, rádio e jornalismo digital.

Última atualização

Escolher qual profissão seguir ainda é um dos momentos mais desafiadores da juventude. Entre sonhos, expectativas familiares e as mudanças do mercado, muitos jovens se sentem inseguros para tomar essa decisão.

Uma pesquisa realizada pela Empresa Júnior da Universidade de Vila Velha (EJUVV) em parceria com A Tribuna, mostrou que apesar de 79,3% dos jovens entre 15 e 25 anos terem feito uma escolha, 61,2% já mudaram de opinião no meio desse processo.

A psicóloga Érica Canal, especialista em orientação profissional, diz que é comum que os jovens cheguem perdidos no consultório. Porém, ela vê isso com bons olhos.

“A minha maior preocupação é com aquele jovem que já chega com muitas certezas, mas ainda não pesquisou muito sobre a área. Isso porque há grandes chances dele estar repetindo expectativas da família ou escolhendo com base apenas no que dá dinheiro ou no que está em alta.”

A pesquisa revelou ainda que a escolha da profissão costuma ser acompanhada por pressão. Entre os 100 jovens ouvidos, 56% afirmaram ter se sentido pressionados durante o processo.

Apesar de incômoda, essa sensação é algo natural. A psicóloga diz que nessa fase, o jovem ainda está construindo sua identidade.

“Muitas vezes, o jovem consegue dizer qual curso gostaria de fazer, mas ainda está descobrindo quais são seus interesses e o tipo de vida que deseja”, diz Érica.

Nesse processo, mais do que buscar a profissão ideal, é importante que o jovem desenvolva autoconhecimento e amplie informações sobre o mundo do trabalho, segundo a psicóloga Luana Câmara, especialista em orientação profissional.

“É importante que esse jovem tome consciência do mundo real. O jovem precisa aprender a refletir e tomar decisões de forma mais consciente e autônoma.”

Segundo ela, um dos pontos cruciais é pesquisar. “Pesquisar o mercado, a grade curricular dos cursos, conversar com profissionais e entender a rotina da profissão ajuda a reduzir idealizações e aproxima a escolha da realidade”.

Além disso, entender as exigências do mercado é algo indispensável. Em um cenário marcado pela tecnologia, a mentora de carreira e liderança Cinara Uliana reforça a necessidade de demonstrar curiosidade e vontade de aprender, além dos conhecimentos técnicos.

“Essas características ajudam esse jovem, que chega com menos experiência, a se destacar.”

Mudança

Após ingressar no curso de Engenharia Elétrica na Ufes, em 2022, o estudante Eduardo Ferraz, 23 anos, descobriu que sua área de interesse era, na verdade, a computação. Eduardo decidiu mudar de curso. Hoje, aluno de Ciência da Computação, ele se sente realizado. “Foi um passo para trás para dar dois para frente”.

Avaliando opções

Mesmo após pesquisas, a estudante Valentina Lacerda, 18 anos, não decidiu a profissão que vai seguir.

Interessada pela área de humanas, ela considera cursos como Relações Internacionais, Ciências Sociais e Letras.

A estudante afirma que busca uma profissão alinhada aos seus valores e que tenha um impacto positivo na sociedade. “Quero construir uma trajetória que tenha significado para mim”.

Entenda a pesquisa

Metodologia

Elaborada em parceria entre a Empresa Júnior da UVV (EJUVV)e o jornal A Tribuna, a pesquisa Orientação Profissional e Escolha de Carreira ouviu 100 jovens entre 15 e 25 anos, nos dias 2 e 3 de maio.

1. Você já decidiu qual curso ou profissão deseja seguir?

  • Sim – 79,3%
  • Não – 20,7%

2. Você considera que escolher uma profissão é ou foi uma decisão difícil para você?

  • Sim – 66,4%
  • Não – 20,7%
  • Ainda não tomei essa decisão – 12,9%

3. Se já escolheu uma profissão, qual é o seu nível de certeza sobre essa decisão?

  • Tenho certeza, mas ainda tenho algumas dúvidas –  44%
  • Tenho certeza e não pretendo mudar – 28,4%
  • Ainda não escolhi – 18,1%
  • Tenho muitas dúvidas – 8,6%
  • Pretendo mudar de área – 0,9%
  • mudou de ideia sobre a profissão que pretende seguir – 61,2% 
  • Humanas – 44%
  • Exatas – 32,8%
  • Biomédicas – 23,3%

5. O que mais influenciou ou influencia sua escolha profissional?

  • Aptidões e habilidades pessoais – 56,9% 
  • Pesquisa sobre salário/status – 18,1% 
  • Meus pais – 8,6% 
  • Testes vocacionais e pesquisas sobre profissões – 7,8% 
  • Meus amigos – 1,7% 

6. Se ainda não escolheu uma profissão, qual é o principal motivo?

  • Dúvida entre várias opções – 47,4%
  • Medo de me arrepender – 30,2%
  • Falta de informação sobre as profissões – 11,2%
  • Preciso de ajuda profissional para decidir – 6%
  • Não quero fazer faculdade ou curso técnico – 1,7%

7. Qual é o seu maior medo ao escolher uma profissão?

  • 28,4% Ter baixa remuneração
  • 27,6% Não gostar da área
  • 20,7% Escolher a profissão errada
  • 14,7% Não tenho essa preocupação
  • 6% Não conseguir emprego
  • 2,6% Não corresponder às expectativas da minha família

8. Você se sente pressionado a decidir sua profissão?

  • Sim – 56%
  • Não – 44%

9. O que você mais deseja para o seu futuro profissional?

  • Ter qualidade de vida e equilíbrio pessoal – 31% 
  • Ter estabilidade financeira – 30,2% 
  • Trabalhar com algo que eu gosto – 15,5% 
  • Construir uma carreira de destaque – 7,8% 
  • Montar o meu próprio negócio – 4,3% 
  • Conseguir trabalhar em uma grande empresa – 2,6%


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