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Especialistas defendem “lei seca” também para as bikes elétricas

Órgãos de trânsito temem que, no verão, haja um aumento no número de ocorrências envolvendo condutores que consomem álcool

Especialistas defendem “lei seca” também para as bikes elétricas
- Ciclistas e pedestres dividem espaço em calçadão de Vila Velha: entre outros pontos defendidos por autoridades estão obrigatoriedade do uso do capacete, definição de idade mínima e identificação das bicicletas
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Eliane Proscholdt

Graduada em Comunicação Social, com ênfase em Jornalismo Faesa, Vitória-ES, em julho de 2000, atua como repórter especial multimídia em A Tribuna (Grupo Nassau Editora Rádio e TV), ao lado de Francine Spinassé. Ingressou na empresa em dezembro de 2000, acumulando experiências em todas as editorias.

Última atualização


Com a popularização das bicicletas elétricas e a proximidade do verão, especialistas reforçam a preocupação com o aumento de acidentes envolvendo condutores e pedestres.

O cenário tem aberto debates sobre a necessidade de novas regras. Entre os pontos defendidos por especialistas e autoridades estão a obrigatoriedade do uso do capacete, definição de idade mínima, identificação das bicicletas, além da possibilidade de estender a “lei seca” para o modal.

Em audiência pública na última segunda-feira (17) na Assembleia Legislativa, representantes de órgãos públicos e da sociedade civil cobraram regulamentação do uso e circulação das bikes elétricas.

Quem fiscaliza o trânsito destaca entraves na legislação atual.

A coordenadora de Operações de Fiscalização do Detran-ES, Flávia Jordane, ressaltou que há pontos importantes que a resolução 996/2023 não definiu. “Temos dificuldade de fiscalizar. Sem placa ou algo visível, fica impossível a identificação rápida do proprietário em caso de infração ou acidente”.

Além disso, com a chegada do verão, os órgãos de trânsito temem um aumento no número de ocorrências envolvendo condutores que consomem álcool antes de conduzir bicicletas elétricas — algo sem previsão legal hoje.

“Muitos pensam ‘em vez de pegar o carro, vou de bicicleta e posso beber tranquilamente’. Mas uma colisão a 32 km/h tem impacto considerável. É um risco real e deve ser levado em consideração”.

A coordenadora da Gerência de Operações e Fiscalizações de Trânsito da Guarda Civil de Vitória, Yamara Pin, frisou que as equipes têm reforçado ações educativas, mas a fiscalização — com multa e responsabilização — é inviável em muitos casos.

“É difícil multar um ciclista. Não há exigência de CNH, o veículo não exige registro, nem emplacamento. Então atuamos orientando sobre respeito ao pedestre, uso do capacete e velocidade”, relata.

A ausência de idade mínima também preocupa. “Temos menores que não passaram por formação e andam a 32 km/h — e alguns destravam para mais. A lei precisa avançar para garantir segurança”.

O especialista em segurança viária, capitão Anthony Moraes Costa, ressaltou que será papel do Congresso repensar a legislação.

“Por exemplo, restringir idade, exigir curso de pilotagem. No caso de ser flagrado alcoolizado, é preciso ter legislação que permita a apreensão do veículo. Isso coloca em risco a vida até do ciclista”.

Alguns pontos em debate

1. Uso do capacete

Um dos pontos de maior urgência, segundo especialistas ouvidos, é a regulamentação do uso do capacete por usuários das bicicletas elétricas e veículos autopropelidos – a exemplo dos patinetes elétricos.

Um dos defensores é o deputado estadual João Coser. Ele reforça a necessidade de ampliar o debate sobre o item para evitar quadros mais graves em caso de acidentes.

2. Idade mínima

Especialistas ouvidos também defenderam que se amplie o debate sobre a idade mínima para uso das bicicletas elétricas.

Um dos problemas é que hoje elas podem ser usadas até mesmo por crianças, que muitas vezes não têm orientação ou conscientização para circular com o modal.

3. Identificação das bikes

A necessidade de identificação das bicicletas elétricas, de forma visível, é defendida principalmente por quem realiza a fiscalização.

Como não têm placas ou identificação visível, eles afirmam que é difícil aplicar uma sanção em caso de descumprimento de regras.

4. Tolerância zero

Uma das preocupações – com a proximidade do verão – é também com relação ao consumo de álcool e condução das bicicletas elétricas e autopropelidos.

Especialistas ressaltam que, pela velocidade atingida pelos modais, os riscos aumentam com o uso de álcool pelos condutores.

5. Velocidade destravada

Um dos problemas identificados hoje com relação à circulação das bicicletas elétricas é a facilidade com que se pode “destravar” a velocidade máxima que os equipamentos podem chegar. Pela regra, é considerada bicicleta se a velocidade máxima atingida é de 32 km/h.

Um dos pontos defendidos pelo vereador de Vitória Aylton Dadalto é uma punição para quem vende bicicletas elétricas adulteradas, com limite de velocidade elevado.

6. Velocidade nas calçadas

O vereador Aylton Dadalto também defende a proibição de bicicletas andarem a mais de 6 km/h nas calçadas, ou até mesmo a criação de um sistema de faixas pintadas sobre a pista de rolamento para as bicicletas.

O que eles dizem

Caos

“As bicicletas elétricas vieram para melhorar a mobilidade urbana. Mas elas também geram hoje um caos, porque o regramento estabelecido na nossa legislação não está a contento. Hoje não se tem o uso do capacete. A velocidade que essas bikes alcançam também é grande”.

Desafio

“Efetivar a fiscalização de bikes elétricas hoje tem sido um desafio. O ciclista não tem carteira de habilitação, o veículo não exige registro, licenciamento nem emplacamento. Precisamos regulamentar melhor o tema”.

Dilema

“Temos hoje um dilema entre a mobilidade urbana e a segurança viária. A resolução 996 trouxe a classificação de modais e a regulamentação dos ciclomotores. Mas há a brecha de como fiscalizar bicicletas elétricas e autopropelidos. Eles não têm hoje uma identificação externa”.


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