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SAÚDE EM FOCO

Endometriose pode afetar cérebro e até pulmão, explica médica do ES

A doença está ligada ao sistema reprodutor feminino, porém, em casos mais raros, pode afetar outros órgãos da mulher

Endometriose pode afetar cérebro e até pulmão, explica médica do ES
- Thaissa Tinoco explica que não é normal sentir dor na relação sexual Endometriose Dra Thaissa Tinoco Foto: Leone Iglesias
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Camila Lima

Jornalista formada pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua há 7 anos no jornal A Tribuna. Integrante da editoria de Cidades, tem como principal foco a cobertura de saúde, área na qual construiu sólida experiência em reportagens, entrevistas e coberturas de eventos pelo Brasil. Apresenta o podcast Fala, Doutor, dedicado a levar informação acessível e de qualidade sobre medicina e bem-estar ao público.

Última atualização



Provavelmente você já tenha escutado falar que a mulher sentir dor intensa  no período menstrual é normal. Só que esse pode ser um sinal de uma doença ainda pouco conhecida: a endometriose.

A doença está ligada ao sistema reprodutor feminino, porém, em casos mais raros, pode afetar até mesmo pulmão e cérebro, e é  uma das causas de infertilidade feminina. 

Dados do Ministério da Saúde apontam que 1 em cada 10 mulheres sofre com a endometriose. Muitas, no entanto, desconhecem que têm a doença.

Para alertar e conscientizar sobre a condição, este mês é dedicado à campanha Março Amarelo. À convite da reportagem de A Tribuna, a ginecologista Thaissa Tinoco, especializada em endometriose, esteve no TribunaLab e falou sobre a doença, que pode gerar sérias dificuldades na vida da mulher, especialmente quando não é tratada da forma adequada.  



A Tribuna – O que é a endometriose?

> Thaissa Tinoco – É quando o tecido da parte interna do útero, o endométrio, cai dentro da cavidade pélvica da mulher. O útero é como se fosse uma bola, essa parte interna dele é uma camada de células chamada de endométrio. Quando essas células caem fora do útero, isso é endometriose.

E é caracterizado por uma inflamação crônica. A cada menstruação essa inflamação vai aumentando.

Então a endometriose só acontece em que já teve a primeira menstruação, certo?

Sim, mas na medicina existem coisas que a gente ainda não entende. Existem raríssimos casos de endometriose em homem.  O mais comum são mulheres na idade fértil, depois da primeira menstruação até entrar na menopausa. Esses são 99% dos casos. 

A endometriose pode ser assintomática?

Menor porcentagem das mulheres são assintomáticas. Na verdade, elas têm um sintoma, mas que não liga à endometriose porque não tem dor. Mas,  às vezes, tem, por exemplo,  tem um incômodo leve na relação sexual e não associa à doença. Outra coisa que a mulher não associa  à endometriose é a dificuldade de engravidar.

Essas mulheres assintomáticas, na maioria das vezes, vão desenvolver uma doença mais grave, porque a doença vai crescendo e ela não percebe. Somente quando  vai tentar engravidar, na pesquisa para saber o motivo de não engravidar, descobre a endometriose.

Sentir cólica, dor, é normal?

Não é normal sentir nenhuma dor, nem na relação sexual. Não é para sentir dor, nem na relação sexual e nem na menstruação.

Quais órgãos a doença pode afetar?

Os mais comuns são os que estão em volta do útero: bexiga, intestino, trompas e ovários. É muito comum também ter lesões nervosas nos nervos da pelve. 

Também é comum ter endometriose no apêndice, diafragma, pulmão, nariz, umbigo, cérebro e coração. São mais raros, de coração e nariz.

Por que o diagnóstico é demorado?

A nossa cultura não leva em conta a cólica menstrual, com frases como: “quando casar passa”, “quando engravidar ou tiver a primeira relação melhora”. Essa é uma cultura de banalizar a dor da menstruação. Até o momento em que isso fica insuportável e a mulher fala “não tem como mais viver assim”. Geralmente, até isso acontecer, demora de 10 a 15 anos.

Ultrassom endovaginal comum não diagnostica a endometriose. O diagnóstico é pela conversa. Também usamos o exame físico, pelo toque,  para fazer diagnóstico. 

O exame de imagem é para mapear, para saber onde a endometriose está acometendo, se a paciente vai para o tratamento clínico ou cirúrgico.

Das mulheres que têm a doença, quantas podem ter dificuldade para engravidar?

Mais ou menos 40% podem ter alguma dificuldade e  precisar de tratamento para engravidar. Isso não  é uma setença de infertilidade.

Quando a cirurgia é indicada?

Existem quatro indicações para tratamento cirúrgico: quem já tentou tratar clinicamente e ainda assim  não melhorou com nada; se a doença tiver acometendo algum órgão e atrapalhe seu funcionamento, como intestino, bexiga e ureter; se houver endometriose dentro do ovário; e quando a endometriose é a causa de infertilidade.

O objetivo da cirurgia é a retirada de todos os focos da endometriose. Assim, a mulher terá maiores chances de engravidar espontaneamente.

E como é o tratamento clínico?

O tratamento clínico não faz sumir a doença, mas é possível diminuir a inflamação e a dor. Mudança na alimentação e nos hábitos de vida são fundamentais no tratamento. 

| PERGUNTA DA LEITORA – Ana Alice de Castro, 20 anos, faturista 

Quais os principais sintomas?

A endometriose causa uma dor incapacitante. Ela chega a um ponto de precisar ir para o pronto-socorro. 

Outros sintomas podem ser: dor ao evacuar, sangue nas fezes, dor para urinar ou sensação de não esvaziamento da bexiga, dor na relação sexual e também dificuldade para engravidar.

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