- Vitória, ES 25°C

Vitória 25°C

Publicidade: Combate os sintomas da gripe
Cidades

Mais de 50 mil pessoas têm autismo no Espírito Santo

Diagnóstico de filhos leva pais a reconhecer sinais do autismo e buscar avaliação na vida adulta

Mais de 50 mil pessoas têm autismo no Espírito Santo
-
Foto de perfil de Camila Lima

Camila Lima

Jornalista formada pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua há 7 anos no jornal A Tribuna. Integrante da editoria de Cidades, tem como principal foco a cobertura de saúde, área na qual construiu sólida experiência em reportagens, entrevistas e coberturas de eventos pelo Brasil. Apresenta o podcast Fala, Doutor, dedicado a levar informação acessível e de qualidade sobre medicina e bem-estar ao público.

Última atualização


No Espírito Santo, mais de 51 mil pessoas têm diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), de acordo com Censo Demográfico 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número de adultos – acima dos 20 anos – com o transtorno é 27.371, sendo que muitos desses indivíduos são pais de crianças que também foram diagnosticadas.

Pollyana Paraguassu, presidente da Associação dos Amigos dos Autistas do Estado do Espírito Santo (Amaes), ressalta que ainda há uma dificuldade de pais assumirem que também estão no espectro.

“Isso acontece ainda por questões de um preconceito estrutural e social, mas há alguns que relatam que receber esse diagnóstico é uma libertação”.

A doutoranda Kamila Vilela, especialista em TEA, explica que o diagnóstico do filho acaba funcionando como um espelho para os pais. “Quando esses pais começam a buscar informação, entender os sinais e acompanhar avaliações, muitas vezes, se deparam com descrições que fazem muito sentido para própria história”.

“Na infância dos pais, muitas dessas características foram interpretadas de outra forma, como timidez, dificuldade social, jeito difícil ou até desatenção. Não é que o autismo apareceu agora, ele sempre esteve ali, mas sem nome, sem leitura, sem um olhar clínico mais sensível como que temos hoje”, ressalta.

A neurologista Mariana Grenfell destaca, porém, que nem todos os adultos que se identificam com traços do espectro necessariamente têm o diagnóstico. Em muitos casos, trata-se do chamado “fenótipo ampliado”.

“Isso significa que a pessoa pode ter algumas características associadas ao autismo, mas não preenche todos os critérios clínicos para o diagnóstico”.

A especialista exemplifica que algumas características são relativamente comuns na população geral. “Uma pessoa pode ter sensibilidade a barulho, por exemplo, e isso também é observado em pessoas autistas. Mas ter apenas essa característica não significa que ela esteja no espectro”, explica.


Mais Lidas

Ver tudo ›