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Mais de mil motoristas recusam bafômetro e têm CNH suspensa em Vitória

Entre janeiro e julho, recusas ao bafômetro em blitzes de Vitória já superam todo 2025

Mais de mil motoristas recusam bafômetro e têm CNH suspensa em Vitória
- Só em 2026, já foram realizadas 164 blitze pela Guarda de Vitória
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Nicolas Nunes

Nicolas Nunes é formado pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Com passagem pelo jornal australiano The Courier Mail, e participação na Jornada Galápagos de Jornalismo, atua como repórter do jornal A Tribuna e do Tribuna Online.

Última atualização

Mais de mil motoristas parados em blitzes entre janeiro e julho deste ano em Vitória recusaram o teste do bafômetro e tiveram o direito de dirigir suspenso por 12 meses, além das demais medidas previstas na legislação de trânsito.

Essa prática vem aumentando de forma consistente, já que o número de recusas ao teste do etilômetro em 2026 já é maior do que o total contabilizado em todo o ano passado.

Em 2025, foram registradas 1.119 recusas. Já neste ano, de janeiro a julho, 1.155 condutores se negaram a fazer o teste, o que representa um aumento de 3,2% em apenas sete meses.

Para o secretário de Segurança de Vitória, Amarilio Boni, os motoristas ainda subestimam a rigidez da lei em relação ao consumo de álcool ao volante.

“Os motoristas precisam compreender que o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) proíbe a direção de veículo com qualquer quantidade de ingestão de álcool, não tem pouco ou muito para a lei”

Segundo o secretário, as justificativas para a recusa se repetem.

“A conversa é sempre a mesma, de que bebeu na hora do almoço e está com medo do teste. Mas a recusa gera as mesmas penalidades administrativas que a infração de dirigir sob o efeito de álcool. É importante dizer que o crescimento no número de recusas está diretamente ligado ao aumento da fiscalização em Vitória”

Recusar o teste, porém, não impede que o condutor seja levado para a delegacia quando houver sinais claros de ingestão de bebida alcoólica.

“Caso o agente constate que o motorista tem sinais claros de embriaguez, como olhos vermelhos, vestes desarrumadas e odor etílico, ele pode lavrar o auto de constatação de embriaguez e encaminhar o condutor para a delegacia”

A suspensão do direito de dirigir é uma das medidas administrativas para a infração de recusa do bafômetro e é aplicada após o prazo de notificações e recursos processuais.

O especialista em trânsito Josimar Amaral considera grave o cenário observado em Vitória.

“É lamentável o número de recusas ao teste do bafômetro, que é praticamente uma evidência de que o condutor ingeriu bebida alcoólica e não quer se submeter à fiscalização, recaindo sobre ele a infração de trânsito”

Ele lembra que o agente de trânsito pode autuar imediatamente o motorista que se nega a soprar o etilômetro.

“O agente de trânsito está autorizado a lavrar o auto de infração no momento em que o condutor se recusa a fazer o teste, destaca Josimar: ‘Isso é uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF)'”

Recusa do teste é infração gravíssima

Os dados de Vitória entre janeiro e julho deste ano mostram o avanço das recusas ao bafômetro e o impacto na fiscalização.

  • De janeiro a julho deste ano, foram registradas 1.155 recusas ao teste do etilômetro em Vitória.
  • Em 2025, somando todos os meses, o número foi de 1.119 recusas, um aumento de 3,2% em 2026.
  • Na comparação com o mesmo período de 2025, apenas 640 condutores recusaram o teste, quase a metade do volume atual.
  • O número de infrações por dirigir embriagado neste ano é de 57.
  • Em 2026, já foram realizadas 164 blitzes pela Guarda de Vitória, a maioria com foco em combater a alcoolemia ao volante.



Redução de mortes no trânsito em Vitória

Apesar do crescimento nas recusas e no endurecimento da fiscalização, o número de mortes no trânsito em Vitória recuou no mesmo período.

  • De janeiro a julho deste ano, as mortes no trânsito em Vitória caíram 25%.
  • 15 motoristas perderam a vida em 2026 até o momento.
  • No mesmo período do ano passado, foram 20 condutores mortos nas vias da capital.

O que acontece ao recusar o bafômetro

A recusa ao bafômetro é tratada como infração gravíssima pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e resulta em penalidades severas.

Infrações: recusa do bafômetro

O motorista que se recusar a ser submetido a teste, exame clínico, perícia ou outro procedimento que permita certificar influência de álcool ou outra substância psicoativa incorre em infração gravíssima.

  • Multa aumentada em dez vezes, no valor de R$ 2.934,70.
  • Suspensão do direito de dirigir por 12 meses (Artigo 165-A do CTB).
  • Recolhimento do documento de habilitação.
  • Retenção do veículo, ainda que esteja licenciado, até que um condutor em condições de dirigir se apresente.
  • Recolhimento do veículo para o pátio do Departamento Estadual de Trânsito do Espírito Santo (Detran-ES), se nenhum condutor habilitado aparecer.
  • Aplicação em dobro da multa em caso de reincidência no período de até 12 meses.
  • Se o agente de trânsito identificar sinais de embriaguez, poderá lavrar auto de infração e encaminhar o condutor à delegacia.



Consequências de dirigir embriagado

Dirigir sob a influência de álcool ou de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência também configura infração gravíssima.

  • Multa aumentada em dez vezes.
  • Suspensão do direito de dirigir por 12 meses (Artigo 165 do CTB).
  • Medidas administrativas idênticas às previstas no Artigo 165-A.
  • Aplicação em dobro da multa em caso de reincidência da infração no período de 12 meses.



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