Pelo menos 715 mortes no trânsito foram registradas este ano no Espírito Santo. Uma das vítimas é o comerciante Silvio Cesar Oliveira, de 58 anos, que foi atropelado por um caminhão de coleta de lixo da prefeitura, em um cruzamento do bairro Jardim Atlântico, na Serra, enquanto pilotava uma motoneta.
O acidente ocorreu no cruzamento das ruas Jacira e João Germano de Melo, por volta das 15 horas de quarta-feira.
“Durante a ocorrência, o motorista do caminhão disse que o condutor da moto tentou frear ao se aproximar, mas acabou perdendo o controle, caiu e parou embaixo do veículo maior. O condutor do caminhão fez o teste do bafômetro, que deu negativo”, relatou o primeiro-tenente Vitor Braga, do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran).
Segundo ele, o motorista do caminhão disse à polícia que tentou frear, mas não conseguiu a tempo.
Em nota, a prefeitura da Serra informou que “lamenta o ocorrido”, que a empresa de coleta de resíduos já foi notificada e que “prestará toda a assistência necessária à família envolvida”.
A Polícia Civil informou que o motorista do caminhão foi “conduzido à Delegacia Regional da Serra, onde foi ouvido e liberado”, uma vez que “não havia indícios de cometimento de crime que justificassem a prisão em flagrante”.
O caso seguirá em investigação pela Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito.
Com 63 mortes, a Serra é o município do Estado com o maior volume de acidentes de trânsito fatais, de acordo com dados do Departamento Estadual de Trânsito do Espírito Santo (Detran-ES).
O grande número de veículos pesados que transitam nas vias da cidade diariamente pode explicar o fato, pontua o diretor-geral do Detran-ES, Givaldo Vieira.
“A Serra é uma cidade com um grande polo industrial, e também é cortada pela BR-101. Caminhões de todo o Brasil passam pela cidade, o que aumenta a incidência de sinistros no trânsito”.
Uma dica para evitar acidentes é “sair de casa 15 minutos antes do horário que está acostumado. Isso permite que o deslocamento seja feito com mais tranquilidade frente a imprevistos”, disse Givaldo.
“Vou continuar o legado dele”
O comerciante Silvio Cesar Oliveira deixa quatro filhos do primeiro casamento. Natássia Oliveira, atual esposa, conta que eles estavam casados há três anos, e que ela está grávida do comerciante.
A Tribuna — Onde vocês se conheceram?
Natássia Oliveira — Em Jacaraípe, onde morávamos desde então. Ele era de Rezende (RJ) e eu de Coronel Fabriciano (MG). Eu estou grávida dele, e ia fazer os exames para descobrir o sexo e a idade do feto nos próximos dias. Não fiz antes porque já perdi quatro bebês, e estava esperando um pouco para fazer novamente.
Há quanto tempo ele tinha o comércio?
O Jet Chicken completa dois anos no final de novembro. Fica em Jacaraípe. Ele era apaixonado, eu brincava que era a segunda esposa dele.
Eu sentia a falta dele porque ele estava trabalhando demais. Era um marido incrível, um ser humano maravilhoso, ajudava todo mundo e tinha muitos amigos.
Ele costumava dirigir moto com frequência?
Sim, tinha carteira e andava de moto desde que o conheci. No sábado eu caí com aquela motoneta, e disse que não queria mais, porque é perigoso. Ele disse então que levaria para fazer entregas. Ele estava sem motoboy para economizar, porque as coisas não estavam fáceis.
Qual foi o último momento em que falou com ele?
De manhã cedo. Ele estava tomando café, eu dei bom dia, mas ele estava atrasado para o trabalho, saiu buzinando para me dar tchau. Ele trazia almoço todo dia para mim, mas naquele dia eu disse que não precisava, então ele emendou no trabalho. No momento do acidente, estava levando uma encomenda para um cliente.
Como você descreve o seu esposo?
O melhor marido do mundo, ninguém conseguia ser melhor. Digo porque já fui casada. Ele me tratava como uma princesa, me amou demais. E eu vou continuar o legado dele. Semana que vem vou reabrir o Jet Chicken, e continuará sendo tão bom quanto antes.
Gostaria de deixar uma mensagem para motociclistas?
Tenham cuidado, porque a sua vida é preciosa. Não se mate de trabalhar, porque nunca conseguiremos tudo o que queremos. O meu marido era ‘imparável’, muito trabalhador. Mas estava exausto, precisando de descanso, de férias.
Números
Acidentes fatais no Espírito Santo
749 mortes foram registradas entre janeiro e setembro de 2024, frente a 715 este ano, o que indica 34 mortes a menos em 2025.
Maior número na Serra
63 acidentes fatais foram registrados na Serra este ano, município do Estado que concentra o maior volume de ocorrências.
Homens e motociclistas
2/3 de vítimas de acidentes ocorridos entre janeiro e julho deste ano eram motociclistas. A maioria das vítimas é do gênero masculino (85%).
Menos feridos no Estado
11.745 pessoas tiveram ferimentos em acidentes de trânsito entre janeiro e setembro de 2025, desde machucados leves até sequelas graves.
No mesmo período do ano passado, o Estado registrou 15.954 acidentados.
4.209 pessoas a menos sofreram ferimentos em 2025, uma redução de 26,4% nesse tipo de registro.