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Adolescente pode fazer musculação? Especialistas orientam

Especialistas derrubam o mito de que o treino de força prejudica o crescimento e alertam para os riscos do uso de anabolizantes

Adolescente pode fazer musculação? Especialistas orientam
- Musculação pode trazer benefícios para adolescentes quando feita com orientação profissional
Foto de perfil de Will Anholetti

Will Anholetti

Will Anholetti é jornalista formado pelo Centro Universitário Faesa e pós-graduado em Língua Portuguesa e docência no Ensino Superior. Repórter multimídia, escreve para A Tribuna e Tribuna Online.

Última atualização


A antiga crença de que a musculação atrapalha o crescimento de crianças e adolescentes ficou no passado. Hoje especialistas afirmam que o treinamento de força pode ser um importante aliado no desenvolvimento físico e mental dos jovens.

No entanto, para que a prática seja segura, é fundamental buscar orientação especializada. É preciso ainda que sejam respeitadas as fases do crescimento.

O assunto ganhou força com as fotos de Marcelo Sangalo, de 16 anos, filho da cantora Ivete Sangalo com o nutricionista Daniel Cady. O jovem é praticante assíduo de jiu-jítsu e compartilha frequentemente sua rotina de treinos no tatame.

Nas redes sociais, seguidores questionaram se o jovem estaria fazendo uso de anabolizantes, o que foi prontamente negado por seu pai, que atribuiu a imagem a uma brincadeira criada com inteligência artificial.

Ortopedista, traumatologista e membro da Sociedade Brasileira de Coluna (SBC), Jefferson Coelho de Léo afirma que não existe idade mínima para iniciar a atividade.

“O que realmente importa é avaliar se o adolescente possui maturidade para compreender e executar corretamente os movimentos sem se machucar”.

Nessa fase, o foco inicial não deve ser levantar peso. A educadora física Bárbara Gomes, da Academia Razões do Corpo, explica que o primeiro passo é desenvolver a consciência corporal.

“O importante é procurar uma academia e um professor qualificado. No começo, a gente trabalha exercícios mais curtos e prioriza o movimento. Primeiro acontece uma adaptação. Só depois de alguns meses é que as cargas começam a ser aumentadas”.

A coordenadora pediátrica do Hospital Vitória Apart, Patrícia Saraiva, reforça que a prática é respaldada pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Segundo ela, o treino de força e resistência é seguro e não prejudica o crescimento, desde que realizado sob supervisão profissional.

Sobre a idade mínima para começar a musculação, a médica destaca que, de acordo com as recomendações da SBP, crianças a partir dos 8 anos podem realizar treinamento com pesos leves, de até 15 quilos, em sessões de até 30 minutos, três vezes por semana.

Nesta fase, o uso de suplementos é contraindicado. “Uma dieta equilibrada já supre toda a proteína necessária para que o adolescente cresça e pratique atividade física”.

Além disso, ela alerta para os riscos do uso de anabolizantes. “Pode causar parada do crescimento, danos graves ao coração, aos rins e ao fígado, além de alterações hormonais irreversíveis”.

Qualidade de vida

Resultados que vão além da estética

Aos 17 anos, o estudante Helder Miranda Oliveira, atualmente com 19, decidiu iniciar na musculação após observar seus amigos e outras pessoas conquistando mais saúde e qualidade de vida por meio da prática.

Desde o primeiro treino, ele fez questão de seguir um caminho seguro: treinar com acompanhamento profissional e aprender a executar corretamente cada exercício.

Dois anos depois, ele afirma que a decisão trouxe resultados que vão além da estética.

“Percebi uma melhora no condicionamento físico, mais disposição no dia a dia e também mais foco nos estudos”, pontuou.

Para o estudante, começar com orientação de especialistas foi essencial para transformar a musculação em um hábito saudável e duradouro em sua vida.

Mitos e verdades sobre musculação na adolescência

Musculação atrapalha o crescimento.

  • Mito. O desenvolvimento corporal depende principalmente da maturação hormonal. Quando realizada com orientação profissional, a prática é considerada segura inclusive para adolescentes.

Não existe uma idade mínima fixa.

  • Verdade. O mais importante é que a criança ou adolescente tenha maturidade para compreender os exercícios e treine sob supervisão.
  • A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) considera que crianças a partir dos 8 anos podem realizar treinos de força adaptados, com cargas leves, tempo limitado e acompanhamento.

Quanto mais peso, melhores serão os resultados.

  • Mito. O ideal é que o adolescente comece a desenvolver a consciência corporal e aprenda a executar corretamente os movimentos. Só depois de um período de adaptação é que as cargas devem ser aumentadas gradativamente.

Os benefícios da musculação vão muito além da estética.

  • Verdade. Os especialistas destacam a melhora da força, o aumento da massa óssea, o desenvolvimento da coordenação motora, o ganho de autoestima, o bem-estar psicológico, a melhora da cognição e a ajuda na prevenção da obesidade infantil.

Todo adolescente precisa tomar suplementos para ganhar massa muscular.

  • Mito. Esses compostos não são indicados para todos. Na maioria dos casos, uma alimentação equilibrada já fornece todos os nutrientes necessários para o crescimento e para a prática esportiva. Quando houver necessidade, o uso deve ser avaliado por um pediatra ou nutrólogo pediátrico.

Treinos devem ser indicados por profissionais especializados.

  • Verdade. Os médicos recomendam treinar sempre com a supervisão de um educador físico. A execução correta dos exercícios é fundamental para prevenir lesões e garantir um desenvolvimento saudável.

Não é preciso prestar atenção à dor durante os treinos.

  • Mito. Desconfortos persistentes, principalmente na região lombar, merecem avaliação médica. Segundo o ortopedista Jefferson Coelho de Léo, adolescentes com dor nas costas podem apresentar fraturas por estresse, especialmente quando realizam exercícios de hiperextensão da coluna.


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