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VIRADA 2026

O despertar de um novo tempo: Recife se despede de 2025

Com portões abertos e pés na areia, a capital pernambucana transforma sua orla em um anfiteatro de desejos para 2026

O despertar de um novo tempo: Recife se despede de 2025
- De acordo com a astróloga norte-americana Susan Miller, referência mundial em astrologia contemporânea, 2026 inaugura um período de reorganização profunda
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização


A maresia já se mistura ao perfume das flores de oferenda e ao som das passagens de som que ecoam pelas estruturas montadas à beira-mar do Pina, palco da festa na Zona Sul da capital. No Recife, a virada de ano nunca é apenas uma mudança de data; é uma coreografia entre o rio e o oceano. Com os portões dos polos festivos oficialmente abertos desde as 18h desta última noite de 2025, a cidade deixa de ser um mapa de asfalto para se tornar um território de encontros.


Da areia do Pina, onde o palco se impõe contra o horizonte com muitos fogos, até o Morro da Conceição, o movimento é de uma multidão que busca, na música e na esperança, o combustível para os próximos 12 meses. O rito já começou: famílias estendem seus lençóis na areia, grupos de amigos brindam o “corre” de um ano intenso e o cheiro de milho cozido e espetinho perfuma a brisa que sopra, generosa, aliviando o calor típico do verão pernambucano.

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Energia em alta


A noite de hoje é desenhada por encontros de peso que prometem manter a energia lá no alto até o primeiro raiar de 2026. No Polo Pina, o grande epicentro da festa, a orla torna-se um mar de gente para receber, entre outros nomes, a poesia de Alceu Valença às 20h30, preparando o espírito para a contagem regressiva que será comandada por Wesley Safadão a partir das 22h30.


Após o brinde da meia-noite, a madrugada ganha o balanço sertanejo de Matheus & Kauan, fechando com o carisma de Lipe Lucena para os que teimarem em ver o sol nascer. Paralelamente, nos polos descentralizados como a Lagoa do Araçá, o Ibura e o Morro da Conceição, o ritmo é ditado pela prata da casa e pelo brega que faz parte do DNA recifense, garantindo que a alegria não tenha CEP exclusivo e chegue a todos os cantos da capital.


A trilha sonora de um estado em festa


A programação deste ano não é apenas um conjunto de shows, mas um retrato da diversidade que nos define. Enquanto as luzes dos palcos começam a colorir os rostos de quem chegou cedo para garantir o melhor lugar, o line-up costura gerações. Do frevo que ferve o sangue à batida contemporânea que dialoga com o Brasil, a trilha sonora desta noite é um manifesto de resistência cultural.


À beira-mar, o palco principal se prepara para ser o epicentro de uma catarse coletiva. Ali, onde o Recife festeja a virada, a música funciona como um abraço que prepara o espírito para o novo ciclo. Os portões abertos são o convite para que o morador do morro e o do asfalto ocupem, juntos, o mesmo espaço de celebração.


O espetáculo no céu e o silêncio da prece

Quando os ponteiros se aproximarem da meia-noite, os olhos se voltarão para o alto. O show pirotécnico, planejado para ser um balé de cores sobre o mar, é o ápice do encantamento. Mas, para além do estrondo dos fogos, há um silêncio sagrado que habita o pernambucano: aquele segundo de prece silenciosa, de pé na água, pedindo por saúde, por mesa farta e por um 2026 de mais justiça.


É entre o estouro do champanhe e o primeiro acorde da orquestra de frevo do dia 1º que o Recife reafirma sua identidade. A cidade não espera o futuro sentada; ela o recebe dançando, com a força de quem sabe que cada ano é uma nova ponte a ser atravessada.


As luzes já brilham, os polos estão vivos e a noite é uma criança que teima em não querer dormir. Recife já respira 2026. E o convite, como sempre, é para quem tiver coragem de se deixar levar pela correnteza da esperança.

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