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Onde o “sim” é mais dito em Pernambuco — e onde o casamento é raro

Levantamento do IBGE mostra os municípios com mais casamentos e revela mudanças nos tipos de união e nas famílias pernambucanas

Onde o “sim” é mais dito em Pernambuco — e onde o casamento é raro
- O estudo mostra um empate técnico entre os que vivem a dois e os que seguem sozinhos: 49,27% dos pernambucanos estão em algum tipo de união, enquanto 50,73% não vivem nenhuma
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização



O “sim” foi mapeado em Pernambuco. E o resultado mostra pontos quentes de vida a dois e regiões onde o solteirice predomina. O Censo Demográfico de 2022, divulgado pelo IBGE, revela que Dormentes, no Sertão do São Francisco, é o município onde o casamento mais prevalece: 57,14% da população vive em união. Logo atrás vêm Camutanga (56,21%) e Riacho das Almas (55,59%), localizadas na Mata Norte e no Agreste.

Já no outro extremo, onde o “felizes para sempre” a dois parece menos frequente, aparecem Fernando de Noronha (59,16%), Itapissuma (58,56%) e Itamaracá (58,35%), com os maiores índices de pessoas que não vivem nenhuma união. Curiosamente, estas três últimas são conhecidas pelo turismo e vida agitada nas praias.



Casados, solteiros e quase meio a meio



O estudo mostra um empate técnico entre os que vivem a dois e os que seguem sozinhos: 49,27% dos pernambucanos estão em algum tipo de união, enquanto 50,73% não vivem nenhuma.

Em comparação ao Censo de 2010, houve um leve aumento na proporção de pessoas casadas — um sinal de que, mesmo com as transformações sociais, o modelo tradicional ainda tem força.

Entre os que disseram não estar em união, três em cada dez nunca se casaram nem viveram com alguém, e quase dois em cada dez já tiveram uma relação, mas estavam solteiros na época da pesquisa.



Mais união estável que papel passado

Os dados do IBGE revelam uma mudança importante: as uniões consensuais — aquelas em que o casal mora junto, mas não formalizou o casamento — já são maioria em Pernambuco.

Esse tipo de arranjo representa 42,76% das relações, superando o casamento civil e religioso (30,38%). Depois aparecem o casamento apenas civil (25,02%) e o somente religioso (1,85%).

Apesar da queda nas cerimônias formais, a religião ainda tem peso no modo de viver a dois. Católicos e evangélicos continuam predominando entre os casados, mas o grupo sem religião já é o terceiro mais numeroso entre os que estão em união, à frente de todas as demais crenças somadas.

Uma casa, duas famílias

Outro dado curioso: uma em cada dez famílias pernambucanas divide o mesmo teto com outra. É o caso de pais que moram com filhos adultos, netos e noras,ou o inverso, por exemplo. Essas famílias conviventes representam 10,53% dos lares.

O município de Afrânio se destacou nesse tipo de arranjo, com 21 unidades domésticas registrando cinco conviventes ou mais. Ainda assim, o modelo tradicional — uma única família por domicílio — predomina em 89,47% das residências.

Mais da metade dos lares tem três ou mais pessoas (61,73%), e 38,27% são formados apenas por dois moradores.

Menos filhos, mais estudo

A tendência de famílias menores também aparece nos números de fecundidade. Em 67,14% dos domicílios, não havia nenhuma criança menor de 10 anos.

As maiores proporções de lares sem filhos pequenos estão em Sairé (75,12%), Itapetim (73,31%), Terra Nova (72,26%), Olinda (72,08%), Limoeiro (71,61%) e Recife (71,45%).

Já as cidades com mais famílias cheias de crianças são Inajá (5,03%), Carnaubeira da Penha (4,89%), Xexéu (3,82%), Lajedo (3,76%) e Maraial (3,51%).

O IBGE identificou uma relação inversa entre escolaridade e número de filhos: quanto mais alto o nível de instrução, menor o número de crianças em casa. A correlação é forte, de -0,8, segundo o instituto.

Entre o “sim” e o “sozinho”

O retrato pernambucano de 2022 mostra que o casamento resiste, mas com novas formas de expressão. Entre o sertão e o litoral, há espaço tanto para quem acredita no papel passado quanto para quem prefere viver a dois sem burocracia — ou para quem simplesmente escolhe ficar só.

Os números mudam, mas a busca por companhia continua sendo uma das histórias mais antigas e diversas do estado. Responderam à pesquisa 7.774.606 pessoas com mais de 10 anos.

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