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Cidades

Parque para proteger ave mais rara do País em Vargem Alta

Espaço fica em Vargem Alta e serve de habitat para saíra-apunhalada. Espécie é classificada em risco crítico de extinção

Parque para proteger ave mais rara do País em Vargem Alta
- Saíra-Apunhalada: população observada da ave caiu para apenas 22 indivíduos, 70% em propriedade privada
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Clóvis Rangel

Clóvis Rangel é publicitário e jornalista formado pela Faculdade Pitágoras. Pós-graduado em Redes Sociais e em Sociologia, atua como especialista na editoria de variedades. É repórter do jornal A Tribuna e do portal Tribuna Online, além de professor de Marketing.

Última atualização


O Espírito Santo conta agora com um novo parque estadual criado com um propósito: assegurar a sobrevivência da ave mais rara do Brasil e uma das mais ameaçadas do mundo.

O governo estadual instituiu o Parque Estadual Saíra-Apunhalada, área voltada à conservação da saíra-apunhalada (Nemosia rourei), espécie da Mata Atlântica capixaba e classificada em risco crítico de extinção.

A Unidade de Proteção Integral está localizada em Vargem Alta, região Serrana do Espírito Santo, e abrange 234,667 hectares.

A criação da área marca um momento histórico, já que o ES não estabelecia uma unidade dessa categoria havia 15 anos.

A medida responde a uma das demandas ambientais mais urgentes: proteger a saíra-apunhalada, ave cuja população observada caiu para apenas 22 indivíduos.

Cerca de 70% deles permanecem em propriedades privadas sem salvaguardas legais e expostas a pressões intensas, como mineração, retirada ilegal de madeira e exploração de palmeiras.

A maior concentração conhecida da espécie fica na Mata de Caetés, trecho florestal que se estende por Castelo, Domingos Martins e Vargem Alta.

Ameaças

Mesmo com reconhecida importância ecológica, a região enfrenta ameaças crescentes. A criação do parque torna-se, assim, um passo estratégico para conter os impactos e favorecer a restauração populacional da ave.

O novo parque abriga ainda 14 animais ameaçados de extinção, como a abelha uruçu-capixaba, o bagre-de-caetés, o sapinho-de-ouro e o cágado-da-serra.

A lista inclui também espécies de aves, como o gavião-pombo-pequeno, o apuim-de-costas-pretas, a araponga e o papo-branco, além de mamíferos raros, caso do sagui-da-serra, do sauá, da preguiça-de-coleira e do ouriço-preto.

A flora da região reúne 17 espécies ameaçadas, entre elas o Philodendron vargealtense, classificado como criticamente ameaçado.

O secretário estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Felipe Rigoni, ressalta que a criação do parque atende a uma situação grave de perda de biodiversidade no País.

“Diante da urgência envolvendo a proteção da principal população conhecida da saíra-apunhalada, cabe ao Estado adotar instrumentos capazes de evitar a extinção da espécie”, destaca.

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