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Cidades

Policiais vão ser especialistas em crimes e golpes na internet

Pós-graduação em Segurança Pública, oferecida pela Academia de Polícia Civil do Espírito Santo, conta com 29 agentes

Policiais vão ser especialistas em crimes e golpes na internet
- Alunos do curso de pós-graduação em Segurança Pública: preparação para investigar crimes on-line

Última atualização



Policiais civis do Espírito Santo estão se tornando especialistas em investigações de golpes e crimes praticados pela internet. Eles têm estudado ainda sobre Estatuto da Criança e do Adolescente, Estatuto do Idoso, violência doméstica contra as mulheres, entre outros.

Os conteúdos estão sendo ministrados para 29 policiais civis da primeira turma do primeiro curso de pós-graduação em Segurança Pública oferecido pela Academia de Polícia Civil do Espírito Santo.

Eduardo Pinheiro, especialista em crimes cibernéticos, é um dos professores do curso. Ele explica que, atualmente, os crimes migraram para o mundo digital.

“Hoje em dia, existe uma avalanche muito grande de crimes e golpes on-line. E todas as delegacias estão aptas a investigar crimes cibernéticos. A ideia da Polícia Civil é que policiais de todo o Estado estejam aptos e tenham condições de investigar esse tipo de crime”.

De acordo com o Painel de Crimes Contra o Patrimônio, de janeiro a outubro de 2023 foram 2.294 ocorrências de crimes via internet, relacionados a golpes no WhatsApp, invasão de contas de redes sociais, clonagem de perfil, e-mail com spam, entre outros.

Os policiais Fernando Gagno, de 40 anos, e Egisto Nicoletti, 47, estão participando do curso. “Com a novidade, a Acadepol vai poder preparar melhor seus policiais. A população sofre com os crimes cibernéticos todos os dias e é preciso que estejamos preparados”, diz Egisto.

A disciplina foca a parte conceitual, de prevenção e também em técnicas de investigação. Outra ferramenta utilizada é a Inteligência Artificial. “O objetivo é dar mais qualidade às investigações”.

Além dessa disciplina, os alunos serão especialistas ainda em outros assuntos. O diretor da Academia de Polícia Civil, delegado Robson Damasceno, conta que essa é a primeira turma que está se formando na primeira pós-graduação oferecida pela Acadepol.

“A Polícia Civil credenciou a academia como uma escola de governo. Com isso, vamos poder oferecer formações para os policiais. Essa pós será oferecida todos os anos. O plano é que, no futuro, após consolidarmos esse primeiro curso, outros sejam criados”.

SAIBA MAIS

> Pós-graduação Lato Sensu em Segurança Pública

– Primeira pós-graduação oferecida pela Academia de Polícia Civil do Espírito Santo (Acadepol).

– Especialização é gratuita e voltada para policiais civis do Espírito Santo de diversos níveis.

– O curso visa aprimorar e a qualificar os policiais civis da instituição para o desenvolvimento competente de atribuições inerentes à carreira policial.

> Formação

– Ao todo, 29 policiais iniciaram a formação no dia 10 de agosto. A previsão de término é para o dia 16 de dezembro deste ano.

– Além da disciplina de crimes virtuais, os alunos terão ainda aulas sobre segurança pública em geral.

> Cursos

– A Pós-graduação Lato Sensu em Segurança Pública será oferecida todos os anos. No próximo ano, uma nova turma será aberta e os policiais vão podem se inscrever para participar.

– O plano é que, no futuro, após consolidar o primeiro curso, outros sejam criados.

– O objetivo de formar os policiais é melhorar e qualificá-los, com o objetivo de atender melhor a população.

– Não existem definições dos novos cursos de pós-graduação nem datas para lançamento, mas Direito Penal, Processo Penal e Ciências Policiais são possibilidades.

> Novos delegados

– Além do curso de pós-graduação, a Acadepol iniciou ainda, no último dia 13, o Curso de Formação Profissional para Delegado de Polícia Civil. Essa formação é uma etapa do concurso para delegado. Só após o fim do treinamento, eles poderão ser nomeados pela corporação no Espírito Santo.

– Ao todo, 40 candidatos foram convocados para a sétima e última etapa do concurso, realizado em 2022.

– A previsão é de que as aulas dessa formação sejam encerradas no dia 29 de fevereiro de 2024.

Fonte: Polícia Civil.

FIQUE POR DENTRO

> Crimes informáticos

– De acordo com a Polícia Civil, são golpes aplicados via WhatsApp, por invasão de contas de redes sociais, clonagem de perfil, e-mail com spam, entre outros.

– De janeiro a outubro de 2023, foram registradas 2.294 ocorrências no Estado.

– A cidade que mais registrou casos envolvendo crimes informáticos foi Cariacica, com 490 ocorrências.

– Em 2022, houve 1.944 ocorrências.

– Em 2021, foram 975 ocorrências.

– Golpes da clonagem de voz

– Os golpistas usam Inteligência Artificial para criar vozes de amigos ou parentes próximos das vítimas. Eles usam essas vozes para ligar para as vítimas e pedir dinheiro ou informações confidenciais se passando pelas pessoas que tiveram as vozes clonadas.

> Golpes de deepfake

– Os golpistas usam a Inteligência Artificial para criar vídeo a partir de uma foto da vítima. O vídeo criado pode ser utilizado para qualquer procedimento que solicita o reconhecimento facial, por exemplo, para invadir contas de redes sociais quando o processo de recuperação de conta solicita um vídeo selfie do usuário.

> Golpes de phishing

– Bandidos também utilizam a Inteligência Artificial para criar e-mails ou mensagens de texto que parecem ser de fontes legítimas.

– Esses e-mails ou mensagens de texto induzem a vítima a acreditar que está recebendo uma mensagem de um órgão público ou banco e acabam fornecendo informações confidenciais, senhas e dados bancários.

> Dicas de segurança

– Desconfie de qualquer abordagem recebida por meio digital.

– Procure conhecer os detalhes de e-mails e mensagens de texto que recebe habitualmente pela internet.

– Utilize duas ou três formas de confirmar a veracidade de informações ou abordagens recebidas on-line.

– Mantenha-se atento a deepfakes (áudio e vídeo) e conteúdos falsos.

– Ao suspeitar de um golpe, entre em contato com uma autoridade policial.

Fonte: Eduardo Pinheiro, especialista em Tecnologia da Informação, e dados do Painel de Crimes Contra o Patrimônio da Polícia Civil.




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