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BRIGA ENTRE GALOS

Por que o Atlético Mineiro perdeu a ação contra o Galo da Madrugada?

Justiça decide que o termo "Galo" não é exclusividade do clube de futebol e garante ao bloco pernambucano o direito de usar a marca "Galo Folia"

Por que o Atlético Mineiro perdeu a ação contra o Galo da Madrugada?
- O Galo da Madrugada nasceu em 1978 para resgatar as ruas e hoje celebra não apenas o Carnaval, mas o direito de levar seu nome com orgulho
Foto de perfil de Aline Moura

Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização


A disputa se transformou em um clássico fora de campo. De um lado, o Clube Atlético Mineiro, gigante do futebol. Do outro, o Clube das Máscaras O Galo da Madrugada, o maior bloco de Carnaval do mundo. No centro da briga, uma palavra de quatro letras: Galo. O time mineiro queria anular o registro da marca “Galo Folia”, do bloco pernambucano, alegando que o termo pertence à sua história e identidade.


Mas, para a Justiça Federal do Rio de Janeiro, o campo de jogo é diferente. A sentença negou o pedido do Atlético e manteve o “Galo Folia” nas ruas, mostrando que, pelo seu clássico hino, “também é de briga”, com “esporas afiadas e a crista é coral”


Pessoas e empresas: regras diferentes


O Atlético Mineiro usou como argumento que o “Galo” é um apelido notório, protegido por lei. No entanto, a juíza Quezia Jemima Custodio Neto da Silva Reis explicou que essa proteção de apelido vale para pessoas de carne e osso, não para instituições.


Em sua decisão, ela foi clara:


“A esfera de incidência do art. 124, XVI, da Lei da Propriedade Industrial (Lei nº 9.279/1996) não abarca apelidos ou denominações de mascotes de pessoas jurídicas, ainda que tais expressões sejam utilizadas para fins de identificação institucional”.


Ou seja, o “Galo” do Atlético é um símbolo do clube, mas não tem a mesma proteção jurídica que o apelido de uma pessoa famosa teria para evitar o uso por terceiros.


Carnaval não é futebol

Outro ponto crucial foi a “Teoria da Distância”. A Justiça entendeu que ninguém vai confundir um bloco de Carnaval no Recife com um time de futebol em Belo Horizonte. São ramos de atuação distintos. Enquanto um foca no esporte, o outro foca na folia.


A magistrada reforçou que o termo “Galo” é comum e usado por diversas entidades:


“O termo ‘GALO’ é de uso comum, de baixo teor distintivo, não sendo passível de apropriação exclusiva por qualquer empresa, sobretudo quando se observa que existem inúmeros registros de marcas compostas por tal elemento”.


O veredito final


A decisão também mencionou que o Galo da Madrugada tem sua própria história de décadas, sendo Patrimônio Cultural Imaterial. O bloco já possuía registros com o nome “Galo” antes mesmo de algumas marcas recentes do clube.


Ao final, o Atlético Mineiro foi condenado a pagar as custas do processo e os honorários dos advogados, fixados em 10% sobre o valor da causa. O “Galo” continua sendo um símbolo de paixão em Minas, mas, no Carnaval do Recife, a folia segue com o nome que escolheu.


Tradição que vem de longe

O Atlético Mineiro ainda pode recorrer. Mas, para entender o peso dessa briga, é preciso olhar para o relógio da história. O Clube Atlético Mineiro é o mais antigo nessa disputa, tendo sido fundado em 25 de março de 1908, em Belo Horizonte, por um grupo de estudantes apaixonados por futebol.


Já o Galo da Madrugada nasceu décadas depois, no Carnaval de 1978, quando um grupo de amigos e familiares decidiu resgatar as tradições dos antigos blocos de rua do Recife. A A agremiação começou a desfilar nas ruas de madrugada, “acordando a cidade”.


Enquanto o time mineiro construía sua glória nos gramados, o bloco pernambucano crescia até se tornar o maior do planeta, mostrando que, embora compartilhem o mesmo apelido, cada “Galo” pode cantar no seu próprio terreiro há gerações.

Veja matéria de Vandriele no JT2 da TV Tribuna PE/Band – É só clicar



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