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PROTESTO NACIONAL

Pressão contra projeto de lei dos apps trava o trânsito no Recife: veja polêmicas

Manifestantes protestam contra texto relatado por Augusto Coutinho; votação em Brasília foi adiada um dia antes da mobilização nacional

Pressão contra projeto de lei dos apps trava o trânsito no Recife: veja polêmicas
- Motocilistas e motoristas fizeram parte da paralisação
Foto de perfil de Aline Moura

Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização


Com colaboração de Carlos Simões



Um protesto nacional de motoristas e motociclistas por aplicativo travou o fluxo de veículos nas principais vias do Recife nesta terça-feira (14). A mobilização, que se repetiu em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, foca na rejeição ao Projeto de Lei Complementar (PLP) 152/2025. O texto, que regulamenta a categoria, estava na pauta da Câmara dos Deputados, mas foi retirado de pauta um dia antes da pressão nas ruas.

No Recife, o grupo partiu de Olinda e concentrou o ato no bairro do Derby por volta de meio-dia. O trânsito na Avenida Agamenon Magalhães, sentido Boa Viagem, ficou paralisado, afetando inclusive as vias locais e o acesso a hospitais da região.

Ganhos estagnados e custos em alta



O centro da revolta é o projeto de autoria do deputado Luiz Gastão (PSD-CE), relatado pelo deputado federal pernambucano Augusto Coutinho (Republicanos). Segundo o presidente do Sindicato dos Motoristas de Aplicativos de Pernambuco (Sindmape), Anderson Câmara, a proposta ignora a realidade financeira da categoria.

“A gente é contra esse projeto porque ele não contém o motorista. Não tem ganho mínimo, não limita o ganho da plataforma. Nossa tarifa mínima é a mesma há 10 anos: R$ 6,50. Aumentou o combustível, aumentou o pneu, aumentou tudo”, afirmou o líder sindical durante o ato no Derby.

Anderson Câmara ressaltou ainda que a precariedade do serviço é um reflexo direto dessa conta que não fecha. “Muita gente reclama que os carros estão sucateados, que o aplicativo está deixando a desejar. Mas é por conta disso. A gente só quer que os aplicativos repassem o preço justo para nós, já que o combustível e a manutenção são nossos”, completou.

Recuo em Brasília



Enquanto o trio elétrico avançava pela Agamenon Magalhães e passageiros abandonavam os ônibus para seguir o trajeto a pé, em Brasília, o cenário político já tinha mudado. O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), já tinha solicitado a retirada do projeto de pauta para “ajustes técnicos”.

Para os trabalhadores de app, o projeto tenta padronizar a taxa em 30%, mas a categoria afirma que a redação atual permite que os descontos reais continuem sendo muito superiores a isso, mantendo a tarifa do motorista congelada enquanto o custo de vida sobe.

Em direção à Assembleia Legislativa

Após o Derby, protesto seguiu em direção à Assembleia Legislativa, onde representantes tiveram um encontro com o deputado estadual João Paulo (PT). Eles pediram intermedição do deputado para um encontro mais amplo com o presidente da Casa, Álvaro Porto (MDB), e posteriormente, com deputados federais envolvidos no debate nacional deste projeto. 

Os principais pontos de impasse do PLP 152/2025





  • Remuneração mínima: o texto fixa o pagamento de R$ 8,50 por corrida. Os motoristas argumentam que o valor não cobre os custos de manutenção e combustível, reivindicando um piso de, no mínimo, R$ 10,00.
  • Vínculo profissional: o projeto cria a categoria de “trabalhador autônomo plataformizado”. Na prática, isso oficializa a inexistência de vínculo pela CLT, o que os sindicatos classificam como perda de direitos históricos (férias, 13º e FGTS).
  • Contribuição Previdenciária: estabelece que o motorista pague 5% e a plataforma 20% para o INSS. O temor da categoria é que as empresas repassem o custo desses 20% para o trabalhador, diminuindo ainda mais o ganho líquido.
  • Taxas de retenção: embora o debate fale em 30%, o projeto não impõe um teto rígido por corrida. Os motoristas denunciam que as empresas chegam a reter até 50% do valor pago pelo passageiro e exigem um limite real para esse desconto.
  • Transparência e bloqueios: o projeto obriga a justificativa para banimentos, mas os motoristas afirmam que o texto é vago e mantém o “poder absoluto” dos algoritmos, sem garantir o direito de defesa imediato.

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