- Vitória, ES 24°C

Vitória 24°C

Publicidade: Combate os sintomas da gripe
COMPORTAMENTO

“Ser feliz virou uma obrigação”, diz especialista em ciência da felicidade

Gestora da felicidade explica que muita gente, para não incomodar ou parecer forte, acaba adoecendo física e emocionalmente

“Ser feliz virou uma obrigação”, diz especialista em ciência da felicidade
- Denize Savi diz que é possível lançar mão de mecanismos para ser feliz.

Última atualização

 













|













Texto Auxiliar:
Alinhamento Texto Auxiliar:
Link Externo:
Alinhar à esquerda:
Alinhar à direita:
Alinhar ao centro:
Fullscreen:
Fullscreen Exit:
Estilo:



 

Mesmo em meio a preocupações com a saúde, crises econômicas, notícias de guerra e insegurança, ficar triste parece ser um sinal de fraqueza emocional para muitas pessoas. 

Outras tantas, para não incomodar ou parecerem fortes, felizes e produtivas, adoecem física e emocionalmente a cada dia. Esse é o cenário que descreve a gestora da felicidade Denize Savi. 

Especialista em Ciência da Felicidade, ela considera que hoje muitas pessoas se sentem na obrigação de ser felizes, pressionadas, principalmente, pelas redes sociais.

Mas segundo a especialista, que se prepara para escrever o primeiro livro sobre o assunto, acolher os sentimentos negativos faz parte da conquista pela felicidade.  

A Tribuna – O que é a Ciência da Felicidade? 

Denize Savi – Quando as pessoas se deparam com o termo ‘Ciência da Felicidade’,  que é uma ciência nova, muitas pensam que ela prega a felicidade o tempo todo ou uma vida ‘poliânica’, perfeita, que a gente vê nas redes sociais. 

Porém, não é nada disso! A Ciência da Felicidade é um campo de estudo multidisciplinar, apoiado na psicologia positiva, neurociência, ciência das emoções, que é a inteligência emocional. O objetivo é estudar o comportamento humano, em especial  a relação do ser humano com o bem-estar próprio e como ele pode melhorar.

Muitas pessoas associam felicidade e bem-estar a uma vida perfeita, sem dificuldades ou emoções negativas. Mas a vida precisa desse tempero, que são todas as emoções.

Todas as emoções são importantes! Tristeza, raiva, a própria ansiedade, em uma medida saudável, são importantes, porque essas emoções, no nosso processo evolutivo,  foram fundamentais para que a gente chegasse até aqui. 

Só que tudo em excesso acaba adoecendo.  Falta ao  ser humano  o manejo das emoções. Temos de ter equilíbrio. E  não é suprimindo as emoções negativas que  vamos  ser felizes. Além disso, há estudos que mostram que  pessoas que escondem seus problemas, suas emoções, têm uma tendência a desenvolver transtornos mentais como  ansiedade e  depressão. 

Não é suprimindo que vamos resolver a situação e sermos felizes, a gente precisa acolher nossos sentimentos desafiadores. 

Prefiro chamar de sentimentos desafiadores do que negativos. Eles são realmente mais complexos de se lidar,  precisamos autoconhecimento e, muitas vezes, até de um apoio profissional. Não sabemos o que fazer quando estamos tristes e a nossa primeira reação é tentar negar esse sentimento.

Você acha que hoje há uma obrigação em ser feliz?

Estamos totalmente reféns dessa obrigação de ser feliz. Parece que ser feliz virou obrigação. Hoje, estamos inseridos nesse contexto de rede social e internet, e o que vemos é a vida perfeita do vizinho. Só que se colocarmos uma lupa na grama do vizinho, vamos ver que ela é de plástico, que não é de verdade aquilo tudo. As pessoas não são felizes o tempo todo. Inclusive,  muitos dos grandes influenciadores têm depressão. 

Essa pressão para se mostrar bem o tempo inteiro, principalmente essas pessoas que têm muitos seguidores,  é uma retroalimentação do próprio algoritmo. Quanto mais coisas bacanas eles mostrarem nas redes sociais, mais retorno têm de engajamento.

Uma retroalimentação dessa positividade tóxica e o público geral acaba consumindo uma mentira e se vê obrigado a correr atrás da própria felicidade, que na verdade é uma mentira. 

O que podemos fazer?

Temos de ser muito mais críticos com as coisas que vemos. Para uma vida equilibrada, precisamos não nos deixar levar pelas aparências. Não seja ingênuo, não existe uma vida de Poliana. 

O que existe, na verdade, são desafios, porque a angústia e os problemas estão perto de todas as pessoas. Às vezes,  a vida está fluindo,  indo bem, mas ao redor está um caos. Não podemos negar a realidade que existe no mundo. 

O que é a felicidade?

A felicidade  é subjetiva. Mas a ciência estudou e descobriu que muitas coisas que se falavam há milhares de anos, de fato, são verdade. Então, existem alguns fatores que determinam a felicidade como, por exemplo, ajudar o próximo, ser generoso, ser empático. 

Quando ajudamos alguém, o cérebro aciona a mesma região que a recompensa, o prazer. 

Veja que interessante! Podemos, sim, lançar mão de alguns mecanismos para sermos felizes. Por exemplo,  montar uma rede social de apoio para você e para outras pessoas. Desenvolver o senso de gratidão pela vida, porque temos tendência a ser negativos. Precisamos exercitar o olhar para as coisas simples no nosso dia a dia. Olhar mais para nossa própria grama. Entender que a felicidade  não é feita só de momentos alegres, e sim com tudo que vem no pacote. 

Porque surgiu essa necessidade de estudar e se falar sobre felicidade?

Pois é, nunca se falou tanto em felicidade e nunca fomos tão infelizes. Os números da Organização Mundial de Saúde (OMS) são muito  preocupantes em relação aos transtornos mentais. O Brasil é o primeiro na lista de ansiosos e o quinto em depressão.

A nossa sociedade cresceu em pilares de competitividade. Mas foi em uma escala tão descontrolada que hoje temos pessoas doentes, é a sociedade do cansaço.

Temos de ser incríveis e  dar conta de tudo. E isso foi chancelado pelas redes sociais, porque as pessoas só mostram o seu lado produtivo. Abrimos os aplicativos  e vemos um cardápio de maravilhas e nos sentimos frustrados. 

Precisamos ser críticos e fazer um mergulho de autoconhecimento para escolhermos áreas da  vida que vamos dar prioridade.

Mais Lidas

Ver tudo ›