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Ciência e Tecnologia

Caminho aberto para exploração fora da Terra

Especialistas acreditam que após missão tripulada à Lua, próximos passos podem envolver voo a Marte e testes de tecnologias

Caminho aberto para exploração fora da Terra
- Terra vista do espaço
Foto de perfil de Francine Spinassé

Francine Spinassé

Graduada em Jornalismo pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua como repórter de A Tribuna desde 2008. Em 2011, passou a integrar a equipe responsável pelas reportagens especiais diárias do jornal, ao lado da jornalista Eliane Proscholdt.

Última atualização

Mais de cinco décadas após a última missão tripulada à Lua, a retomada das viagens ao satélite natural da Terra, com o programa Artemis, levanta a questão: por que voltar agora?

Para o professor Júlio César Fabris, do Departamento de Física da Ufes, o objetivo vai além da exploração em si e pode estar ligado à preparação para voos mais complexos no futuro, como uma missão a Marte.

Para o professor, a conquista da Lua, em 1969, foi algo importante sobre diversos aspectos, inclusive técnicos e políticos na época.

Ele ressaltou, no entanto, que houve uma demora para retorno porque, do ponto de vista científico, missões não tripuladas americanas e soviéticas já tinham mapeado a lua, recolhido materiais. “De lá para cá, essa deixou de ser prioridade”.

Ele destaca que a Artemis II retoma a ideia de pousos em outros astros. “Acredito que seja preparativo para missões mais ambiciosas, como ida tripulada a Marte”.

Ele revelou ainda que não acredita em viagens frequentes à Lua nesse momento. “Poderia haver uma exploração mineral, talvez, no futuro. Mas é complexo, pois ela não tem propriedade. Particularmente acredito que a retomada tem a ver com ampliação de competências técnicas e humanas”.

A avaliação também é feita pelo professor do Departamento de Física da Ufes e diretor técnico-científico do Planetário, Sérgio Bisch.

Segundo ele, a retomada das missões tripuladas à Lua está inserida em um novo contexto geopolítico e tecnológico, diferente daquele vivido durante a corrida espacial do século passado. “Existe disputa por protagonismo, agora entre Estados Unidos e China, que também tem planos de ir à Lua”.

Para o professor, o programa Artemis também funciona como etapas de um projeto maior, que envolve desde o desenvolvimento de novos equipamentos até a adaptação do corpo humano a ambientes fora da Terra. “São missões complexas, que exigem testar sistemas, acoplamentos, módulos de pouso e tecnologias. Tudo isso como preparação para voos mais longos, como missão a Marte”.

Ele acrescenta que, embora ainda não haja um objetivo único declarado, existem diferentes interesses envolvidos, como possibilidades futuras de instalação de bases permanentes e até o aproveitamento de recursos naturais.

“Há discussões sobre exploração de materiais, como o Hélio-3, mas isso ainda está no campo das possibilidades”.

Astronautas já deram início ao retorno à Terra

Após alcançar a maior distância já percorrida por humanos no espaço, a missão Artemis II iniciou a viagem de volta à Terra após contornar o lado oculto da Lua na última segunda-feira.

A missão superou o recorde de distância da Terra anteriormente estabelecido pela Apollo 13 na década de 1970, atingindo 406.771 km e ultrapassando os 400.171 km do recorde anterior.

Durante o sobrevoo lunar, a tripulação teve uma visão inédita da Lua, incluindo regiões próximas aos polos.

Um eclipse solar total saudou os tripulantes, enquanto a Lua bloqueava temporariamente o Sol.

Victor Glover destacou o “terminador”, a linha que separa o dia da noite na Lua: “Quem me dera ter mais tempo para sentar e descrever o que vejo”, comentou, antes de repassar as observações aos cientistas na Terra.

Os astronautas também fotografaram e estudaram formações geológicas, como antigos fluxos de lava e crateras.

Eles propuseram nomes para duas crateras vistas pela primeira vez: uma em homenagem ao apelido da nave, Integrity, e outra em memória da falecida esposa do comandante, Carroll.

“Crateras Integrity e Carroll, recebido alto e claro. Obrigado”, respondeu Jenni Gibbons, do controle da missão em Houston.

A Nasa informou que os nomes serão submetidos à União Astronômica Internacional, órgão responsável por oficializar a nomenclatura de corpos celestes e acidentes geográficos lunares.

Saiba mais

Artemis II

A NASA realizou o lançamento da missão Artemis II no dia 1º de abril, no Centro Espacial Kennedy, na Flórida.

Esta é a primeira missão tripulada em direção à Lua desde o encerramento do programa Apollo, em 1972.

A missão foi originalmente planejada para ocorrer entre o final de 2023 e o início de 2024, mas a decolagem foi adiada diversas vezes por razões de segurança.

Sem pouso

Os quatro astronautas da Artemis II deram a volta na Lua na última segunda-feira, observaram regiões nunca vistas por olhos humanos e quebraram o recorde de distância da Terra.

Eles não pousaram – o que está previsto para acontecer em 2028, com a Artemis IV.

A Artemis III, programada para 2027, também não pousará na Lua – será uma missão de treino de acoplamento em órbita terrestre entre a Orion e os módulos de pouso privados.

Próximos passos

Quarta-feira (08)

Estão programados testes de pilotagem manual e simulação de abrigo contra radiação solar.

Quinta-feira (09)

Último dia completo no espaço. Tripulação revisa procedimentos de reentrada, realiza queima de correção de trajetória e veste roupas de compressão para minimizar os efeitos do retorno à gravidade.

Sexta-feira (10)

Queima final de correção de trajetória, separação do módulo de serviço, reentrada com escudo térmico a até 1.650°C e “amerissagem” no Oceano Pacífico.

Tripulantes

Reid Wiseman – comandante

É piloto de testes da Marinha dos Estados Unidos que se tornou astronauta e passou seis meses na Estação Espacial Internacional em 2014, como engenheiro de voo da Expedição 40.

Nascido em Baltimore, no Estado de Maryland, Wiseman perdeu a esposa para o câncer em 2020 e criou sozinho as duas filhas adolescentes.

Christina Koch – especialista da missão

É engenheira e física. Se tornou astronauta em 2013 e, em 2019, estabeleceu o recorde de voo espacial mais longo realizado por uma mulher, ao passar 328 dias a bordo da Estação Espacial Internacional.

É a primeira mulher a viajar até a Lua.

Jeremy Hansen – especialista da missão

É ex-piloto de caça da Força Aérea Real Canadense e físico. Ele ingressou na Agência Espacial Canadense em 2009 e, embora nunca tenha voado ao espaço antes, teve papel central no treinamento de novos astronautas no Centro Espacial Johnson, da Nasa — tornando-se o primeiro canadense a liderar esse trabalho.

Casado e pai de três filhos, ele gosta de velejar, escalar e andar de mountain bike.

Hansen é o primeiro não americano a viajar até a Lua.

Victor J. Glover – piloto

É ex-piloto de caça e piloto de testes da Marinha dos Estados Unidos. Ele foi selecionado para ser astronauta da Nasa em 2013, atuou como piloto da missão SpaceX Crew-1 e passou quase seis meses na Estação Espacial Internacional como parte da Expedição 64.

É casado e pai de quatro filhos. Com a Artemis II, torna-se o primeiro homem negro a viajar até a Lua.

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