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Ciência e Tecnologia

Falta de chips deixa celulares mais caros e especialistas preveem queda nas vendas

Pevisão é de que haja uma queda nas vendas este ano entre 10% e 15%. Item corresponde a até 40% do custo total

Falta de chips deixa celulares mais caros e especialistas preveem queda nas vendas
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O aumento no preço dos chips está deixando os celulares mais caros e deve provocar uma queda nas vendas este ano entre 10% e 15%, segundo especialistas do setor.

Pesquisa da consultoria TrendForce sobre a indústria de smartphones aponta que a memória — componente essencial dos aparelhos — que historicamente representava de 10% a 15% da lista de materiais de um smartphone, agora corresponde a 30% a 40% do custo total. Além disso, os preços dos contratos relacionados aos chips aumentaram quase 200% em relação ao ano anterior.

Com essa escalada de custos, a produção global de smartphones deve cair cerca de 10%, atingindo aproximadamente 1,135 bilhão de unidades. Em um cenário mais pessimista, a TrendForce alerta que a contração anual pode chegar a 15% ou mais, a depender da marca e da estratégia adotada pelo fabricante.

O impacto já é percebido pelo consumidor. “Meu celular está velhinho, meio rachado já. Gostaria de comprar um novo, mas os preços não estão acessíveis”, conta a dona de casa Claudiene Brito, 52 anos, após pesquisar valores em diferentes lojas.

Ana Carolina Júlio, do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo (Ibef-ES), explica que o aumento nos preços não é um fenômeno isolado, mas é resultado direto de uma convergência de pressões na cadeia de suprimentos e fatores macroeconômicos.

Ela destaca que a alta nos chips é impulsionada principalmente pela crescente demanda da indústria de data centers.

No Brasil, o cenário é ainda mais desafiador. “Como a estrutura de custos do setor é integralmente dolarizada — da matéria-prima à logística internacional — a estabilização do dólar em patamares acima de R$ 5 impacta diretamente o custo dos componentes importados”, afirma.

Como os chips têm se tornando cada vez mais estratégicos e determinantes no preço final dos aparelhos, especialistas defendem que o Brasil invista mais no setor.

Entre os entraves, no entanto, estão a dependência de patentes internacionais, a necessidade de altos investimentos em tecnologia e a formação de mão de obra qualificada.



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