A cada nova pesquisa científica, a medicina fica mais perto do melhor tratamento, da cura e até mesmo da prevenção de várias doenças.
A pedido de A Tribuna, médicos do Estado em várias áreas apontaram os 25 estudos mais recentes, novidades em técnicas e tecnologias para tratamentos que são mais esperados e aquelas que acabam de chegar no Estado.
Novos medicamentos para o tratamento de câncer, obesidade, diabetes, novos aparelhos para exames mais precisos e técnicas inovadoras estão na lista.
“Na oncologia, a evolução é constante. Hoje, cerca de 60% de todo o investimento no mundo em pesquisas, inovações e tecnologias na área da saúde são voltados ao câncer”, destaca o oncologista da Rede Meridional Fernando Zamprogno.
Um exemplo da inovação para o tratamento da doença é a máquina de radioterapia de última geração, que deve chegar ao Estado ainda esse ano.
“É uma máquina mais precisa, tem 160 lâminas para desenhar os tumores, o que proporciona uma taxa de cura ou de controle da doença maior”.
A biópsia líquida também é uma novidade esperada. De acordo com a oncologista da Unimed Vitória Juliana Alvarega, o exame que detecta o DNA do tumor que circula no sangue é usado hoje para quem já tem a doença.
“As pesquisas de DNA circulante como prevenção, antes que a doença surja, ainda são muito iniciais, mas já se discute essa possibilidade. Acredito que no futuro vamos fazer rastreamento de câncer com esse tipo de exame”.
O otorrinolaringologista Bruno Caliman também aposta no exame. O médico trouxe ao Estado um de última geração. O Vídeo Head Impulse Teste (VHIT) é indicado para pacientes com vertigem e alguns casos de tontura e desequilíbrio.
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“O VHIT identifica o reflexo alterado dos olhos, permitindo identificar com exatidão qual a parte do labirinto foi acometido. O VHIT é empregado no diagnóstico e seguimento das tonturas e vertigens. É um óculos especial com uma câmera de infravermelho. Avaliamos a capacidade do olho em fixar em um ponto específico”.
A farmacogenética, que estuda os remédios adequados ao DNA de cada pessoa, vai ajudar na assertividade do médico na escolha dos medicamentos do tratamento, como observa o psiquiatra Valber Dias Pinto. “O médico vai acertar muito mais a prescrição e o custo do tratamento será menor”.
Pesquisas com cannabis para mais de 20 doenças
Pesquisas com a cannabis sativa, a maconha medicinal, têm evoluído e a ciência já apresenta seus compostos como esperança para tratamento de mais de 20 doenças, como epilepsia, esclerose múltipla, dores crônicas e inflamações.
Na semana passada, o Conselho Federal de Medicina (CFM) abriu uma consulta pública para discutir critérios para a prescrição do canabidiol no País depois de revogar uma resolução que restringia o uso da substância, que é um comporto da planta para o tratamento de doenças.
De acordo com o órgão, as contribuições ficarão abertas até o dia 23 de dezembro e toda a população pode participar. “Vimos com bons olhos a suspensão dessa resolução do CFM, assim como a abertura de consulta pública”, destaca o neurologista Gabriel Micheli, gerente médico-científico da Health Meds.
“Podemos manter pesquisas de estudos clínicos tão importantes, a exemplo do estudo clínico Cantrea, para pacientes com enxaqueca crônica, uma parceria com o Hospital Albert Einstein. Abrir consulta pública é importante para o diálogo com a sociedade”, diz.
| CONFIRA AS NOVIDADES |
I. Anticorpos conjugados para o tratamento de câncer
Os anticorpos conjugados à droga (ADC) são uma classe terapêutica de moléculas criadas pela fusão entre um anticorpo monoclonal e um agente quimioterápico específico.
O anticorpo monoclonal é especificamente desenhado para se conectar a um receptor expresso nas células tumorais e levar para dentro dessas células o agente quimioterápico, que pode levar à sua morte.
A terapia está em ampla expansão e pesquisa para o tratamento dos diversos tumores como de mama, pulmão, bexiga, dentre outros. A Anvisa aprovou o medicamento Trodelvy (sacituzumabe govitecana), da Gilead Sciences, para o tratamento de pacientes adultos com câncer de mama triplo-negativo.
II. Biópsia líquida
O exame de biópsia líquida já é usado, principalmente, para analisar se há a presença de células de um tumor maligno ou de fragmentos do DNA das células tumorais. Mas estudos promissores mostram que eles poderão ser usados para a detecção.
Segundo a oncologista da Unimed Juliana Alvarenga, no futuro pode ser possível fazer o rastreamento de câncer com pesquisas de DNA circulante, que são as biópsias líquidas.
III. VHIT ( vídeo Head impulse teste)
É um exame complementar indicado para pacientes com vertigem e alguns casos de tontura e desequilíbrio.
O otorrinolaringologista Bruno Caliman explica que o aparelho identifica o reflexo alterado dos olhos, permitindo verificar, com exatidão, qual a parte do labirinto foi acometido. O VHIT é empregado no diagnóstico e seguimento das tonturas e vertigens.
IV. Medicamento mais eficaz contra insônia
Novo medicamento está sendo avaliado pela Anvisa e deve ser liberado já no ano que vem.
Diferentes das medicações que já existem no mercado, o novo medicamento, Lemborexant, atua na hipocretina (ou orexina), uma substância presente no hipotálamo, uma região do cérebro ligado à vigília, como explica a pneumologista e médica do sono Jéssica Polese.
Não há no mercado brasileiro nenhum medicamento que tenha a mesma atuação. Com o novo mecanismo de atuação, promete não causar dependência.
V. Antifibrosante
Novas Drogas antifibróticas têm chegado ao mercado brasileiro e cada ano aumentam as indicações.
A pneumologista Jéssica Polese explica que os medicamentos são indicados para doenças fibróticas e que não havia remédios para o tratamento da doença.
VI. Radioablação de tireoide
É uma nova técnica para o tratamento de nódulo benigno da tireoide, chamada de radioabalação.
O cirurgião de cabeça e pescoço da Unimed Vitória Marco Homero de Sá está trazendo a técnica para o Estado, que promete ter menos riscos e efeitos colaterais do que a cirurgia, que é o tratamento feito hoje.
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Com uma agulha com radiofrequência ou micro-ondas, o médico pulsiona o nódulo e o queima.
Com isso, ele vira uma cicatriz. A técnica para tireoide não é feita no Estado, mas até o final do ano devem acontecer as primeiras cirurgias.
O tratamento é feito em nódulos benignos, mas já têm estudos que apontam bons resultados para o tratamento de câncer inicial de até um centímetro.