Mark Zuckerberg, cofundador do Facebook, apontou o TikTok como um dos responsáveis pelo impacto negativo nos negócios da rede social. Mas a companhia também elegeu outra vilã para a história: a Apple.
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Desde abril de 2021, a fabricante do iPhone exibe uma caixinha que pergunta às pessoas se elas querem que suas atividades em um app sejam compartilhadas com outros aplicativos e sites – estratégia utilizada pelas plataformas de publicidade online para criar perfis dos usuários e direcionar os anúncios.
Como a venda de publicidade digital é a principal fonte de receitas do Facebook, essa função da Apple atingiu a eficiência da empresa no setor.
A preocupação da rede social com esse recurso é tão grande que, antes mesmo de ela ser lançada oficialmente, o Facebook fez anúncios em grandes jornais dos EUA para criticar a Apple.
Na visão da rede social, a opção prejudica os negócios ao limitar a capacidade de segmentação de publicidade.
Sharyl Sandberg, vice-presidente de operações da Meta (dona do Facebook), comentou durante a apresentação dos resultados financeiros da companhia que “a Apple criou dois desafios para os anunciantes”.
“Um deles é que a exatidão de nossos anúncios direcionados diminuiu, o que aumentou o custo dos resultados. A outra é que a medição desses resultados se tornou mais difícil”, disse.
Dave Wehner, diretor financeiro da empresa, também teceu críticas à Apple ao responder perguntas de jornalistas. Segundo ele, a maneira como a fabricante do iPhone projetou as restrições de rastreamento facilita a vida dos navegadores web, enquanto prejudica os aplicativos.
“Isso significa que os anúncios de buscas poderiam ter acesso a muito mais dados de terceiros para fins de medição e otimização do que plataformas de anúncios baseados em aplicativos como a nossa”, disse Wehner, fazendo referência à coleta de dados que o Google consegue fazer no iOS por meio dos browsers.
A Apple segue irredutível sobre o recurso, que faz parte de uma estratégia da empresa de se posicionar a favor da privacidade das pessoas. De acordo com um levantamento da consultoria Flurry, que analisa o mercado de apps, 96% dos usuários nos Estados Unidos usaram o novo recurso e pediram aos apps para não rastrearem suas atividades.
Zuckerberg perto de perder status
O colapso histórico das ações da Meta, dona do Facebook, nessa semana eliminou US$ 31 bilhões da riqueza pessoal de Mark Zuckerberg, derrubando-o três lugares na lista da Bloomberg das pessoas mais ricas do mundo.
Ele agora está em 10º lugar no Bloomberg Billionaires Index, atrás do cofundador da Oracle (ORCL), Larry Ellison, e apenas algumas centenas de milhões de dólares acima do empresário indiano de energia para tecnologia, Mukesh Ambani. O CEO da Tesla (TSLA), Elon Musk, lidera a lista por uma ampla margem.
A Meta Platforms, empresa anteriormente conhecida como Facebook (FB), teve seu pior dia na bolsa de valores na quinta-feira, após relatar um raro declínio nos lucros e números de usuários estagnados, e fornecer uma avaliação vaga das perspectivas da empresa, pois investe pesadamente em aumento de e realidade virtual.
“Essa visão totalmente realizada ainda está longe”, disse Zuckerberg em uma ligação com analistas. “E embora a direção esteja clara, nosso caminho à frente ainda não está perfeitamente definido”.
As ações da empresa fecharam em queda de mais de 26%, cortando quase US$ 240 bilhões em seu valor de mercado.